Candidatos reclamam de votos brancos e nulos em Apucarana

Mais de 28% dos eleitores abriram mão de votar para o cargo de deputado federal e outros 26,08% para deputado estadual, em Apucarana, nas eleições do último domingo. Foram 28.985 votos a menos para Câmara Federal e 26.700 desperdiçados para Assembleia Legislativa, conforme levantamento da Tribuna, com base na apuração dos votos. Os números incluem votos brancos, nulos e abstenções. Para candidatos, isso ajuda a explicar o mau desempenho nas urnas.
Os votos nulos e brancos para deputado foram maiores do que para governador, por exemplo. Brancos e nulos somaram 7,99% na votação na majoritária, enquanto 11,19% para deputado federal e 9% para estadual.
Os índices também superam a relação de eleitores que deixaram de votar para candidatos à Presidência da República. Foram 5.772 entre nulos e brancos, o que corresponde a 5,42%. O número de eleitores que não compareceram para votar foi 17.084, o que corresponde a 16,07% do colegiado eleitoral de 94.082.
Os milhares de votos perdidos em Apucarana poderiam ter feito a diferença no resultado dos candidatos que concorreram a cargos de deputado estadual e deputado federal e acabaram derrotados nas urnas. José Scarpelini (PSB) que concorreu a deputado federal, conseguiu 19.222 votos, não se elegeu, entretanto, alcançou a primeira suplência de seu partido. Diante do número de eleitores ausentes e votos nulos e brancos, ele conclui que a demanda interferiu diretamente no saldo de votos.
“Se esse percentual fosse menor seriam mais votos para os candidatos, não só de Apucarana, mas para os demais. É uma quantidade muito grande de pessoas que deixaram de exercer o direito de cidadão. Aquele que não vota, que não escolhe algum candidato é o mesmo que muitas vezes cobra melhorias na saúde, segurança e educação, e na medida que não vota perde o direito de reclamar”, avalia.
Também derrotado nas urnas, na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, o apucaranense Sérgio do Cristma (PSDB) concorda que as ausências contribuíram negativamente para o resultado. Por outro lado, o peessedebista acredita que a ausência do eleitor, bem como os votos nulos e brancos, pode ser sinal de desmotivação.
“A classe política caiu em descrédito coma população. Parece que a palavra de político virou um risco na água, ou seja, não tem credibilidade. Por isso, muitos estão desmotivados a votar”, analisa.
