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Delegado que investigou caso Tayná agora é suspeito

Da Redação ·
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Delegado que investigou caso Tayná agora é suspeito

A Justiça de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, intimou o delegado Silvan Pereira e outros 10 policiais civis a fornecerem material genético para confrontar com o sêmen encontrado no corpo da menina Tayná Adriane da Silva, encontrada morta em junho. O objetivo é descobrir se algum deles pode estar envolvido com o crime.

Na decisão, que data do dia 11 de setembro, a juíza responsável pelo caso pede que a coleta do material genético seja feita em no máximo 24 horas.
 

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O advogado de Silvan, Claudio Dalledone Júnior, informou que o cliente vai se submeter ao exame, mas quer que a análise do DNA seja acompanhada por um perito particular. “Não conhecia a jovem, nunca viu essa menina. Ele tem a confiança integral da família e tem, principalmente, a tranquilidade do inocente”, afirma o advogado, que considera ainda que o Instituto Médico-Legal e o Instituto de Criminalística não são confiáveis neste caso>

Silvan e outras 13 pessoas são acusadas de terem torturado quatro homens que foram presos por suspeita de terem matado a menina. Em depoimento, eles chegaram a confirmar, mas foram soltos por falta de provas e postos no programa de proteção a testemunhas em virtude das denúncias de tortura.

O delegado preso era responsável pela Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo e foi o primeiro responsável por investigar a morte de Tayná. Dias depois da prisão dos quatro suspeitos, ele chegou a considerar o caso como encerrado.

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As reviravoltas após a denúncia de tortura, porém, causaram mudanças nos rumos da investigação. Atualmente, o caso está nas mãos do quarto delegado e ainda não se sabe quem matou a menina.

No dia 5 de setembro, o Conselho Nacional do Ministério Público encaminhou um ofício ao Ministério Público do Paraná, pedindo que o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) acompanhe as investigações do caso. Na avaliação do Gaeco, o órgão poderia iniciar uma investigação paralela à que tem sido conduzida pela Polícia Civil.

Corpo exumado
No dia 28 de agosto, o corpo da adolescente foi exumado para, segundo o MP,  esclarecer duas questões – se a garota foi vítima de violência física quando ainda estava viva e se, no corpo dela, não havia indícios de que ela teria sido estuprada. Como o processo corre em segredo de justiça, os promotores não falaram sobre a exumação, que foi acompanhada por dois promotores, dois técnicos do Instituto Médico-Legal (IML) e um médico legista. Porém, o promotor do MP responsável pelo caso, Paulo de Lima, que participou do procedimento, explicou como o exame pode colaborar com as investigações.

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“A perícia realizada no corpo de Tayná foi muito bem feita. Agora o fato é que, com as investigações, novos elementos surgiram, o que necessitou que nós fizéssemos o procedimento de exumação, que foi focado principalmente no aspecto de se buscar lesões físicas acontecidas em vida e, também, nós tratamos da questão da violência sexual ter ocorrido ou não”.

“Seria prematuro dizer, mas eu acredito que [no crime] é muito mais sensível o sinal do homicídio do que da violência sexual, mas não está descartado, de modo algum, que tenha ocorrido a violência”, afirmou o promotor. Ele ainda disse que podem existir outros indícios de culpa dos quatro homens suspeitos que foram presos e, depois, soltos. “De certa forma sim”, alegou quando questionado sobre mais indícios de culpabilidade dos quatro rapazes que trabalhavam no parque de diversões de Colombo. O corpo da menina foi encontrado em frente ao parque de diversões por moradores do município.

Tortura
O MP apresentou denúncia, no dia 1º de agosto, contra 21 suspeitos de tortura contra os quatro homens que haviam sido presos como suspeitos de matar e estuprar Tayná. Dos 21 suspeitos de tortura, 16 são policiais civis, um é policial militar, dois são guardas municipais e dois são presos de confiança. Além da denúncia por prática de tortura, alguns também foram acusados por falso testemunho, lesão corporal de natureza grave e abuso de autoridade e crime de natureza sexual.

A repercussão do caso e dos possíveis erros na investigação inicial acabou respingando na cúpula da Polícia Civil. O então delegado-geral, Marcus Vinicius Michelloto foi substituído por Riad Braga Farhat, que comandava a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc).