Apucarana

Comunidade nipônica mantém tradição na Festa da Cerejeira

Da Redação ·

Apucarana vai sediar a partir de quinta-feira o maior evento da colônia japonesa da região. A 19ª edição da Festa da Cerejeira pretende mostrar mais uma vez como a cultura de um povo continua viva entre várias gerações após quase 70 anos da chegada dos primeiros pioneiros japoneses em Apucarana.

Preservada por pioneiros e descendentes nipo-brasileiros, a festa deste ano espera atrair em quatro dias cerca de 30 mil visitantes. Com um trabalho minucioso e dedicado de muitos membros da comunidade, os preparativos da festa começaram há mais de um mês e reúnem cerca de 60 famílias. Durante a sua realização, a festa contará com outros 250 voluntários, entre eles pioneiros e descendentes.

Nos últimos dias, pioneiros com mãos firmes cortam os legumes e verduras que vão ser oferecidos nas barracas típicas, que mais uma vez vão servir comidas típicas deste povo. Com muita dedicação, muitos idosos e descendentes também passaram os últimos dias realizando a decoração em origami, que foi preparada para remeter os visitantes ao pequeno Japão criado na Associação Cultural e Esportiva de Apucarana (Acea).

Todo trabalho será coroado durante a festa com apresentações de danças típicas, de cantores regionais e de tambores, exposição de bonsai e ikebana, além de homenagem aos pioneiros mais idosos da colônia. Este ano em especial serão homenageados ainda pioneiros de outras etnias, como ucranianos, italianos e poloneses, que também contribuíram para o desenvolvimento de Apucarana.

Para Satio Kayukawa, presidente da Acea, a festa se mantém firme na sua proposta de preservar a tradição. “A festa reúne pessoas de 15 a 80 anos. No entanto, os mais jovens comparecem por força das famílias. Essa é a forma de tentar aproximar os nossos filhos dos pioneiros, ensinando que a cultura não pode ser esquecida, mas precisa ser valorizada”, assinala.

Kayukawa diz que a preservação da cultura com uma festa que mantém um formato familiar tem atraído visitantes de várias partes do País, especialmente de origem japonesa. Segundo ele, esse é um dos motivos que a festa mantém o mesmo formato. “Não queremos tornar a festa uma feira comercial. Ela é familiar. Um exemplo disso é que a renda obtida com a venda antecipada dos ingressos é toda revertida para entidades filantrópicas”, completa.

O orgulho de mostrar suas raízes tem reunido há quase duas décadas muitos filhos de pioneiros, que têm passado para as novas gerações a importância da festa. Célia Yoshii, 67 anos, participa dos preparativos da festa desde o primeiro evento. “Comecei junto com os associados da Acea. Hoje, os trabalhos são realizados pelos descendentes de meia idade. A minha preocupação agora é que os jovens continuem dando sequência neste trabalho”, diz.

NOVA GERAÇÃO - Tatiana e Gustavo Ida, de 9 e 7 anos, respectivamente, têm participado dos preparativos da festa dos últimos anos para acompanhar os pais. Tatiana com sua habilidade no origami ajuda a tarefa tradicional dos mais velhos em confeccionar o enfeite da festa. Ela admite que sente orgulho de mostrar o seu trabalho, que também é divulgado junto aos amigos de escola. “Eles querem saber como se faz. Com isso, mostro um pouco da minha cultura”, conta.

O irmão ainda brinca, enquanto os demais preparam a festa, mas também confirma que gosta de todos os detalhes do evento. “Tudo fica muito bonito na Acea. Além da decoração, também gosto da dança, que mostra um pouco da tradição dos meus avós”, conta.

continua após publicidade