Apucarana

Apucaranenses aderem à Marcha das Vadias

Da Redação ·
Poliana Nadim, 18 anos, Luana Cristina de Oliveira, 19, e Anamélia Carolina Humeniuk Lopes, 23, participam hoje da “Marcha das Vadias” em Londrina
fonte: Tribuna do Norte
Poliana Nadim, 18 anos, Luana Cristina de Oliveira, 19, e Anamélia Carolina Humeniuk Lopes, 23, participam hoje da “Marcha das Vadias” em Londrina

Três jovens apucaranenses decidiram romper com o silêncio ilusório que ronda a dita igualdade entre os gêneros. Poliana Nadim, 18 anos, Luana Cristina de Oliveira, 19, e Anamélia Carolina Humeniuk Lopes, 23, participam hoje da “Marcha das Vadias” em Londrina. O trio é também o responsável por articular a ida de outras meninas e, inclusive, meninos ao evento. A expectativa do grupo era levar, ao menos, 15 pessoas ao calçadão de Londrina. A mobilização começa às 12 horas com oficinas e confecções de cartazes.

O empenho à causa, segundo Poliana, também integrante da Marcha Mundial das Mulheres, é a necessidade urgente de desresponsabilizar as mulheres pelas violências sofridas. Ela observa que é muito comum apontar a mulher, que é a vítima, como culpada simplesmente pela sua vestimenta. “O respeito não pode depender da roupa usada. Os pais não têm que proibir sua filha de usar um short ou uma minissaia, mas ensinar o seu filho a não estuprar, ensinar o respeito”, defende.

A estudante de Artes Cênicas observa que a marcha também tem por objetivo denunciar o padrão esmagador de beleza. Anamélia, formada em Psicologia, ressalta que esse conceito de beleza escraviza as mulheres, levando-as, em muitos casos, a desenvolverem transtornos alimentares e psicológicos à custa da insegurança.

Ela classifica este comportamento como tortura psicológica. “A mulher recorre a produtos e serviços para se encaixar a esses padrões patológicos de beleza, que a leva a desenvolver anorexia, bulimia, entre outros distúrbios”, alerta.

Já Luana, estudante de Ciências Sociais, destaca que a ‘Marcha das Vadias’ luta também pela liberdade sexual. “Não temos todas que casar e ter filhos. Não nascemos somente para procriar, não somos bicho. O corpo da mulher também não é um mito, por isso, algumas tiram a blusa. Esta atitude é uma maneira de chocar, de chamar a atenção para a causa”, assinala.

Ela acrescenta que o movimento tem por finalidade modificar o que considerado normal nos dias atuais, mas que não é. “É a tomada da consciência, de ideais diferentes da do senso comum que nos movem a participar, a promover esta mudança de comportamento”, diz, entretanto, com a certeza que tais objetivos demorarão a se concretizar, mas que precisam ser iniciados.

O trio acredita que a marcha chama a atenção das mulheres fazendo com que elas percebam as desigualdades existentes embasadas na diferença de gênero, que é um diferencial, não um fator limitador, não havendo razões, por exemplo, para as mulheres que desempenham as mesmas funções que os homens receber 30% a menos. “O feminismo não está aí para fazer frente ao machismo, mas para lutar pela igualdade entre os gêneros”, afirma Poliana.

HISTÓRICO

A primeira ‘Marcha da Vadias’ aconteceu em abril de 2011 em Toronto, Canadá. O estopim do movimento foi o comentário feito pelo policial Michael Sanguinetti, durante uma palestra sobre segurança no campus da York University, onde o índice de estupros era alarmante. O policial afirmou que uma maneira eficiente de evitar o estupro era as universitárias pararem de se vestir como “sluts” (vadias). O movimento ganhou as ruas de Toronto e logo se espalhou para outros países.


SERVIÇO

Data: 08/06

Horário: 12horas

Local: Em frente às Lojas Pernambucanas, em Londrina

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