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Júri condena gêmeos pela morte de Marissol

Da Redação ·
Júri condena gêmeos pela morte de Marissol
fonte: Delair Garcia
Júri condena gêmeos pela morte de Marissol

Os irmãos gêmeos Fabiano Marchi Vieira de Gouvêa e Fabio Marchi Vieira de Gouvêa acusados de assassinar Marisol Lopes Machado, foram condenados nesta madrugada, no Tribunal do Júri, em Arapongas. O julgamento terminou por volta das 3h da madrugada. A jovem de 26 anos, grávida de oito meses, morta em abril de 2004. Os réus foram condenados a responder pelo crime de homicídio qualificado. Fabiano foi sentenciado a 24 anos de prisão por planejar o crime, enquanto Fábio acabou condenado a 19 anos por ter cometido o assassinato. Os irmãos teriam planejado a morte da para receber três seguros de vida contratados em Portugal e aqui no Brasil, no valor de R$700 mil, hoje avaliado em R$2 milhões.

Na acusação estavam os promotores Tiago Oliveira Gerardi, Fernando Augusto Sormani Barbugiani, e o advogado Rudi de Oliveira como auxiliar, e na defesa o advogado João Gomes dos Santos Filho. A juíza da vara criminal, Raphaela Benetti da Cunha iniciou a sessão, por volta das 10h30. Os irmãos foram ao tribunal acompanhados de amigos e familiares. Já familiares e amigos de Marisol compareceram ao julgamento usando camisetas estampadas com a foto da vítima. Foram quase dez anos de espera para que o julgamento ocorresse, e, apesar do clima tenso, não houve nenhum tipo de manifestação de ambas as partes.

Entre 21 pessoas, sete homens foram escolhidos para compor a bancada de jurados. O julgamento começou com o depoimento das testemunhas de acusação. O primeira a ser ouvido foi o delegado, Sérgio Luiz Barroso, responsável pela investigação do caso, na época. Barroso lembra que o crime – ocorrido na noite de sábado, em 3 de abril - foi caracterizado como latrocínio devido as circunstancias encontradas no local. De acordo com ele, Fabiano não estava na casa, pois iria viajar para tentar negociar seu carro em um leilão que aconteceria no domingo, em Maringá. Como álibi, o réu tinha sua cunhada Ana Paula Lopes Machado. Pouco antes de encontrar a esposa morta, Fabiano teria buscado Ana para dormir com Marisol, pois a mulher teria muito medo de ficar sozinha. O suspeito chegou a dizer que roubaram R$7 mil e um videogame, no dia do crime.

No entanto, dois dias depois do fato, houve uma reviravolta no caso. A polícia recebeu uma denúncia anônima informando que Fabiano teria contratado um seguro no valor de R$300 mil. Diante das novas informações, o marido da vítima passou a ser o principal suspeito. Outro detalhe que chamou a atenção do delegado durante as investigações foi o fato de Fabiano não ter informado que possuía mais dois seguros em Portugal, país onde o casal morou antes do ocorrido. A segunda apólice de seguro foi descoberta durante mandado de busca e apreensão na casa do suspeito e a terceira através de informações obtidas em Portugal. “Não entendo porque ele não informou sobre os outros seguros, e principalmente porque ele precisava fazer três”, questiona. As apólices foram feitas dias antes de o casal retornar para o Brasil. O seguro era debitado na contra de Fabio, outro ponto que leva a crer na premeditação do crime. “A conta de Fábio pagava o seguro de Fabiano. Ele estava o tempo todo preocupado se estava sendo pago. Inclusive, no dia da morte da cunhada ele fez uma ligação para saber sobre este pagamento”, informa.

Sérgio destaca que, no dia do crime, vizinhos teriam ouvido Marisol gritar “pare com isso você está louco”. As testemunhas entenderam que se tratava de uma briga de casal.  “O teor da conversa leva a crer que a vítima conhecia o seu agressor”, disse Barroso. Os vizinhos teriam ouvido a mesma voz pedindo socorro após corpo da vítima ser encontrado. “Os dois são irmãos gêmeos. São parecidos em tudo, inclusive na voz”, afirma. O delegado também destacou que, no dia do crime, o bandido não levou joias da vítima, nem eletrodomésticos.

Durante seu depoimento, a irmã da vítima Marieli Lopes Machado relembrou seu trajeto no dia do crime. Ela e o marido foram convidados para jantar na casa de Marisol e Fabiano. Marieli garante que Fabiano não mencionou em nenhum momento a venda do carro, e que também não pediu para que ela ficasse com a irmã. “Se ele sabia que iria viajar porque não pediu para eu ficar com a Marisol”, questiona.

Outra irmã ouvida durante o julgamento foi Ana Paula Lopes Machado, a primeira pessoa a encontrar a vítima. Ana destaca que há certa contradição na versão de Fabiano. Ele garante que roubaram dinheiro da casa, no entanto, poucos dias antes do ocorrido Marisol teria ido até a casa da sogra buscar dinheiro para pagar contas da casa. A vítima estava “inconformada”, pois o dinheiro do casal não ficava com eles. As duas afirmaram que, Fabiano teria agredido a vítima quando o casal morava em Portugal, além de informar que Marisol não tinha um bom relacionamento com Fabio.

O comportamento anormal e frio de Fabiano foi destacado pela acusação, alegando que sua conduta não era de um marido que perdeu sua esposa naquelas circunstâncias. Um dos pontos que gerou discussão no júri foi o questionamento sobre o carro que Fabiano iria trocar no feirão. Segundo a acusação, o veículo estava em nome de outra pessoa, e seria necessário a presença do proprietário para fazer negócio.

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Defesa afirmou inocência

Desde o início dos trabalhos, o advogado João Gomes dos Santos Filho alega inocência dos réus. A defesa disse que as investigações foram deficientes e que não houve interesse em procurar pelo verdadeiro culpado. Mais questionado pela acusação que o irmão, Fabiano Marchi deu explicações sobre a apólice. Ele afirmou, por exemplo, que pretendia trabalhar como caminhoneiro e, para assegurar o bem estar de sua esposa, optou em fazer os seguros sendo ela a principal beneficiada.  “Não estava planejado. Fizemos as apólices sem planejar e voltamos imediatamente. Estou sendo julgado por um crime bárbaro. Acusado de matar minha mulher e filha”. Ele também disse que não sentiu obrigação em revelar ao restante dos familiares.  O réu afirmou que Marisol sabia sobre a venda do carro e que decidiu ir para o leilão após a saída de seus cunhados.

Já Fábio foi contundente ao dizer que tinha uma boa relação com Marisol, no entanto, contradisse o depoimento do irmão ao afirmar que não sabia sobre as apólices, e muito menos o porquê o seguro do casal era debitado em sua conta.

Para o advogado não existem provas contra os seus clientes. "Não podemos criar culpados. Temos que colher elementos de convicção. Não existe nada que concluído contra eles", reiterou.

O advogado disse que um item importante foi ignorado pela investigação. "A moça foi brutalmente assassinada com um golpe de faca. Não foi encontrada uma gota de sangue na pessoa que, segundo a acusação, executou o crime. Esse processo é empírico, vazio de provas". "Tenho convicção na inocência deles", disse.

A sentença foi lida por volta das 2h15. Fabiano acabou condenado com 24 anos e Fábio cumprirá pena de 19 anos. Ambos têm direito de aguardar o julgamento dos recursos em liberdade.