Apucarana

VS aponta série de irregularidades no Hospital da Providência e veta “alvará”

Da Redação ·
VS aponta série de irregularidades no Hospital da Providência e veta “alvará”
fonte: Falta de licença sanitária pode levar à interdição do hospital | Foto: Sérgio Rodrigo
VS aponta série de irregularidades no Hospital da Providência e veta “alvará”

O resultado da vistoria feita pela Vigilância Sanitária e pelo Ministério Público (MP) no Hospital da Providência, em Apucarana, não poderia ter sido pior. A Tribuna teve acesso ao relatório de 19 páginas, que foi finalizado ontem pelos órgãos. O documento é taxativo: o hospital “não apresenta nesta data condições para a liberação da licença sanitária”. A licença atual vence no próximo domingo (31). Sem a permissão, o hospital funcionaria em situação irregular e pode ser interditado pela Vigilância Sanitária.

Ao todo, foram contabilizados 80 itens problemáticos no Providência e outros 53 no Materno Infantil. A vistoria foi realizada entre os dias 5 e 7 deste mês, e contou com representantes das vigilâncias sanitárias Municipal e Estadual, além do Ministério Público através do promotor Vilmar Fonseca, que foi quem solicitou a vistoria, através de um ofício.
“Haverá uma reunião entre o Ministério Público e a Vigilância Sanitária provavelmente na próxima segunda-feira (01), em que definiremos os problemas que devem ter solução imediata, a médio e a longo prazo. Também haverá outra reunião com a direção do hospital, em data a ser marcada”, explica o promotor.

Fonseca afirma que o poder público deve ser rígido com o único hospital da cidade, para garantir que o atendimento à população seja o melhor possível. “Espero que a Vigilância Sanitária respeite a conclusão do laudo e não emita a licença sanitária ao hospital enquanto a instituição não realizar as adequações mais urgentes e o planejamento das modificações a médio e longo prazo. Se o hospital funcionar à revelia, o Ministério Público vai se insurgir”.

O promotor também ressalta a necessidade do Hospital Nossa Senhora das Graças, que administra o Providência, em investir na unidade apucaranense. “Caso a instituição mantenedora não apresentar um planejamento de investimentos no Providência, o Ministério Público irá se insurgir fortemente para que seja garantida a qualidade nos procedimentos do hospital”.

Os médicos defendem a mudança na maneira como a instituição é gerida. “Desde a vistoria e a nossa reivindicação [ver box], a situação do hospital evoluiu muito pouco. Por exemplo, após a saída do diretor administrativo, ninguém entrou no lugar. A administração do hospital está parada”, afirma Ribamar Maroneze, médico que compõe o Conselho Médico da instituição.

A reportagem da Tribuna entrou em contato com o Hospital da Providência para comentar o resultado da avaliação, mas a direção da instituição não foi encontrada.

PROBLEMAS
De acordo com o documento,o Providência não possui um protocolo de investigação de surto e registro de medidas adotadas com relação a infecções hospitalares. Também não foi apresentado laudo de manutenção dos equipamentos de saúde, nem rotina de limpeza das instalações.

O documento afirma não haver controle biológico do processo de esterilização a cada carga de material implantável, como próteses. Recomenda-se que o controle biológico seja feito diariamente. Também de acordo com o documento, o setor de endoscopia não apresenta áreas específicas para lavagem, secagem e desinfecção dos aparelhos.

O hospital também não possui alguns dados no registro de entrada do leite humano, como temperatura, data e horário de chegada. No setor de oncologia, vários problemas foram apontados, como a não apresentação de laudos técnicos e registro de pacientes.

Foram identificados ainda problemas estruturais, como janelas sem proteção (o que pode fazer com que entre insetos e poeira em ambientes esterilizados) e áreas inadequadas, além de equipamentos impróprios, como torneiras sem as especificações necessárias.

No Materno Infantil, o mobiliário e os equipamentos não se encontram em bom estado de conservação e boas condições de higiene. No Centro Obstétrico, a mobília possui corrosão, além do chamado kit de reanimação estar incompleto.

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