Apucarana

Diarista substitui empregada doméstica

Da Redação ·
 O TRABALHADOR doméstico Luís Donizete de Jesus Pereira optou pela profissão há três anos: “Tenho um salário razoável sem tanta cobrança
fonte: André Henrique Veronez, da Tribuna do Norte - Diário do Paraná
O TRABALHADOR doméstico Luís Donizete de Jesus Pereira optou pela profissão há três anos: “Tenho um salário razoável sem tanta cobrança


Personagem indispensável para o bom funcionamento de uma casa, o trabalhador doméstico está presente desde os primórdios da história humana. Responsáveis por limpar, lavar, passar, cozinhar, cuidar do jardim e da segurança da casa, entre outras demandas domésticas, o perfil deste profissional se transformou nos últimos anos. Apesar da extensão de alguns direitos trabalhistas para a categoria, como férias, 13º salário e benefícios previdenciários, um número cada vez maior de trabalhadores têm trocado o trabalho mensal pelo diário. Entre os atrativos estão remuneração maior e flexibilidade de horário. Reflexo disso, a empregada doméstica tradicional, que passa anos a fio trabalhando todos os dias para a mesma família, é artigo cada vez mais raro no mercado de trabalho.

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A advogada Graciela Vituri, de Apucarana, por exemplo, está à procura de uma profissional desde março, mas não consegue contratar ninguém qualificado para a vaga. As principais exigências são boas referências e escolaridade básica para conseguir anotar os recados telefônicos. “Já tenho uma empregada que está comigo há 10 anos, mas ela não saber escrever. Preciso de alguém para ajudá-la nas atividades domésticas e que consiga anotar os recados”, diz.

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De acordo com Graciela, as profissionais estão dando preferência para diárias, o que não seria interessante para ela no momento. “Necessito que essa pessoa que ajude constantemente a organizar a casa, que faça as compras e cuida da minha filha, de cinco anos, no final da tarde, quando volta do colégio”, relata.

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“Acho que não estou exigindo demais, mas está muito difícil conseguir contratar uma boa profissional”, afirma. Além da flexibilidade do horário e da remuneração obtidas com o trabalho de diarista, a advogada acredita que muitas mulheres não querem mais a profissão por causa do preconceito e desvalorização da profissão. “Eu pago o salário da categoria, mas parece que isso não tem sido atrativo”, opina, referindo-se ao salário mínimo regional do Paraná, reajustado recentemente para R$ 811,80.


A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos de Apucarana e Região, Odete Maria de Jesus, confirma que, nos últimos anos, houve uma migração do trabalhador doméstico. “Hoje a preferência deles é pela diária”, afirma ela. Apesar da diarista perder em termos de proteção trabalhista, uma vez que geralmente esse trabalho é sem registro em carteira, ela ganha em termos de remuneração. O valor de uma diária em Apucarana hoje varia de R$ 50 até R$ 70. Trabalhando pela remuneração mínima em 25 dias por mês, o trabalhador doméstico tem um rendimento mensal de R$ 1.250.