Apucarana

Sérgio do Cristma diz que desconhece aproximação de Pegorer com PSDB

Da Redação ·
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fonte: TN Online
Sérgio do Cristma diz que desconhece aproximação de Pegorer com PSDB
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Radicado em Apucarana há quase 50 anos, o pré-candidato a prefeito Sérgio Bolonhezi, o Sérgio do Cristma (PSDB), foi um garoto de origem modesta antes de se tornar empresário. Na infância, catou papel nas ruas e trabalhou como engraxate. Já na juventude, serviu ao Exército em Brasília, chegou a ser ciclista profissional, formou-se em Gestão Pública e ingressou na Polícia Rodoviária, até prosperar com um negócio familiar, há 18 anos.
 
O trabalho social desenvolvido no município, em especial no Movimento Cristo Te Ama (Cristma), o tornou conhecido em Apucarana e o estimulou a entrar na política partidária. O fruto deste passo, como ele mesmo relata, foi a vitória como o segundo vereador mais bem votado nas eleições de 2004. Agora, prestes a disputar a Prefeitura, Sérgio se mostra confiante para buscar a realização de mudanças que, segundo o tucano, são essenciais para melhorar a qualidade de vida da população.
 
Pré-candidato entrevistado pela Tribuna nesta semana, Sérgio é enfático ao defender a candidatura própria do PSDB nestas eleições. Ele garante que não aceitaria ser vice de João Carlos de Oliveira, o atual prefeito, caso houvesse união entre PMDB e os tucanos. Apesar de não desmerecer o apoio do ex-prefeito Valter Pegorer, que declarou neste ano não pretender concorrer ao pleito e esteve presente no encontro local do PSDB, o empresário também sustenta desconhecer uma aproximação do ex-padre junto ao seu partido. Confira na íntegra a entrevista:
 
Tribuna do Norte - A presença do ex-prefeito Valter Pegorer no encontro do PSDB repercutiu muito nos últimos dias. O senhor sabia da presença dele? O que tem a dizer sobre isso?
 
Sérgio do Cristma - Fiquei sabendo na hora em que o vi. Ele (Pegorer) foi convidado pelo Rossoni (Valdir Rossoni, presidente da Câmara). Foi feita uma reunião em Curitiba e o convidaram. Como era um encontro suprapartidário, não achei estranho porque existiam vários outros partidos, participando desse evento. É um encontro que o PSDB faz em todo o Paraná, então é aberto a todos os partidos, a todas lideranças políticas, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e pré-candidatos dos vários partidos que compõem a base do governador. 
 
TN – O senhor não acha estranho Rossoni e Richa terem conversado com Pegorer e o senhor não ser informado sobre isso? Como avalia essa situação?
 
Sérgio - Olha, na verdade, eles são amigos. O Valter até ajudou o Beto Richa aqui em 2002. O Valter ocupa hoje uma segunda suplência como deputado, tem família lá em Curitiba, então eu não achei estranho. Acho que eu não posso ficar controlando a vida das pessoas, a agenda das pessoas.
 
TN- Existe uma aproximação entre o padre e o PSDB?
 
Sérgio - No meu conhecimento, não. Eu nunca ouvi nem vi nenhuma linha de que o Valter estaria me apoiando nessa eleição.
 
TN – Mas o senhor tem intenção de ter o apoio dele nestas eleições? Aceitaria esse apoio?
 
Sérgio - A verdade é o seguinte: pelo que eu sei o Valter não participará das próximas eleições como candidato. Ele tem os eleitores dele, então já que ele não é candidato, os eleitores dele vão decidir para onde vão migrar. E também se o PMDB tem candidatura própria em Apucarana, por questões de fidelidade partidária, poderia ser um pouco complicado ele apoiar o PSDB. Se eles (os partidos) não estiverem no mesmo bloco, fica difícil.  
TN – Mesmo assim, o senhor não descarta nem desmerece o apoio dele?
Sérgio - Olha, o candidato precisa de votos. Aqueles que quiserem votar e acreditar no nosso projeto, desde que não imponham condições, desde que eu não tenha que jogar na lata do lixo todos os meus princípios e convicções, todos os votos são muito bem-vindos. Agora, quanto ao apoio, vai depender, claro, da questão de coligações. 
 
TN - E sobre a desistência do Mirynho em concorrer como vice na sua chapa? Como o senhor analisa isso?
 
Sérgio - Recebi com naturalidade, eu estava até viajando quando soube. O Mirynho é uma boa pessoa, é um companheiro, tem toda a liberdade de buscar o espaço dele também. Mas isso não descarta que a gente possa estar junto ali na frente. As portas sempre vão estar abertas para o Mirynho. 
 
TN – O senhor disse que após a decisão do Mirynho abriu-se uma nova frente. Que alianças estão sendo discutidas?
 
Sérgio - O PSDB está aberto para conversações. Estamos conversando com vários partidos. Temos 60 dias ainda para fazer essa composição, muita coisa pode mudar.
 
TN – O senhor prefere não falar em nomes de partidos por enquanto?
 
Sérgio – É melhorar esperar um pouco mais. Todos os partidos vão decidir realmente nas convenções com quem eles vão. De repente, você acha que o partido está com você, como aconteceu com o Mirynho, e depois há uma mudança. Tudo isso é legítimo, faz parte do processo eleitoral, do regime democrático. Ninguém pode ser forçado a nada no processo eleitoral. A gente tem que ter liberdade para fazer nossas escolhas, nossas opções. 
 
TN - O senhor considera que o PSDB está isolado na cidade, afinal, PPS e DEM se afastaram e o PMDB lançará pré-candidatura própria?
 
Sérgio – Não. Avalio que o PSDB está muito bem posicionado, primeiro porque terá uma pré-candidatura própria com vários partidos. O governador Beto Richa venceu as eleições em Apucarana com 50 mil votos contra 25 mil e é desejo do governador que os partidos que fazem parte da base aliada estejam juntos nesse projeto nas próximas eleições. Esta composição dos partidos que vão fazer parte da base do PSDB também vai ser costurada em instância superior. Estou muito tranquilo com referência à nossa pré-candidatura. Não é fruto de uma vaidade pessoal, é resultado de uma confiança da população, que, inclusive, conferiu na ultima eleição quase 20 mil votos para nós. Temos um projeto para que toda a população seja contemplada com uma gestão eficiente, inteligente, planejada e com resultados.
 
TN - Se o governador trabalhasse por uma união entre o PMDB e o PSDB, tendo o João como pré-candidato a prefeito, e o senhor como vice, aceitaria?
 
Sérgio - Não, porque já pavimentamos esse caminho (o de concorrer à Majoritária) e também porque o PMDB estava contra o governador na eleição passada. Inclusive, o atual prefeito coordenou uma campanha de oposição. Então, não faria sentido nenhum apoiar aquele que estava contra nós. E também, tem mais um detalhe: eu não posso apoiar o atual prefeito porque não concordo com a forma que a cidade está sendo administrada. Se eu aceitasse ser vice dele, isso indicaria que eu estou apoiando o projeto dele. E eu vejo que as coisas não estão boas para a cidade de Apucarana. Estão brincando com a inteligência da população. 
 
TN – Em sua opinião, quais são os maiores problemas que a administração vem enfrentando?
 
Sérgio - Hoje, a gente tem problemas em todas as áreas. A saúde, em Apucarana, está na UTI. Faltam médicos, remédios, tem que ser humanizado o atendimento à população. Dizem que tem dinheiro em caixa e porque que esse dinheiro não é investido em contratação de mais médicos, compra de remédios, melhorar as condições de trabalho dos próprios profissionais da saúde? Abriram o UPA e fecharam o PAM, colocaram o UPA em um bairro residencial, poderia ser na Avenida Central do Paraná. Falta planejamento, em todas as áreas. A educação vai mal, tem que ter plano de carreira, cargos e salários para os professores, dar oportunidade de qualificação para os profissionais da educação, ter condições dignas de trabalho. O ensino não tem que ser só em tempo integral, tem que ser um ensino integral em tempo integral. Tem que valorizar os professores, começando pela remuneração. Se você quer uma educação de qualidade, tem que começar valorizando aqueles que são responsáveis pela educação. Mas pelo jeito, em Apucarana, educação não é prioridade porque fecharam inclusive a Faced.
 
TN - E na área da industrialização, o que o senhor acha que pode ser feito?
 
Sérgio - Geração de emprego é outra falha muito grande. Tem que ter mais parques industriais com infraestrutura adequada. Apucarana parou no tempo na geração de emprego, na arrecadação tributária. Precisam encontrar alternativas para buscar empregos, não só trazer empresas. Apucarana não foi preparada para receber grandes empresas. O braço forte do Governo do Estado é muito importante para o desenvolvimento da nossa cidade. Por isso, uma das nossas lutas vai ser a pista dupla, iniciando por Apucarana. As grandes empresas estão se instalando nos Campos Gerais, porque lá já existe essa infraestrutura. 
 
TN – Como resolver o problema do asfalto?
Sérgio - A questão do asfalto, o prefeito quando se elegeu disse que entregaria a cidade inteira asfaltada no primeiro ano. Hoje, temos quase 90 quilômetros de ruas sem asfalto e boa parte da malha viária está detonada. Há de se mexer urgentemente com o sistema viário da cidade. Apucarana arrecada de R$ 8 milhões a R$ 9 milhões só de IPVA por ano. O João já arrecadou em torno de R$ 30 milhões só com IPVA, dinheiro que deve ser investido em malha viária e com esse dinheiro levar o asfalto até os bairros. Só com o dinheiro do IPVA daria fazer tudo isso e mexer no sistema viário. Precisaria se repensar completamente a cidade. A falta de planejamento é tão grande que fizeram a Praça Rui Barbosa, tiveram que mexer nas vagas de trânsito, faltou iluminação e bancos. Na Praça do Redondo, o projeto foi feito por um arquiteto de Curitiba. Eu defendo que na gestão pública, deve haver cargos técnicos e valorização de funcionários de carreira, os efetivos. Entra prefeito e sai prefeito, eles estão lá. Também é preciso diminuir bruscamente os cargos de confiança. Na verdade, boa parte da arrecadação do município é gasta com esses cargos. 
 
TN – E como o senhor avalia o quadro de atual pré-candidaturas em Apucarana?
 
Sérgio - Eu sou a favor de mais candidaturas, isso oxigena a disputa. Apesar de que, em Apucarana, o que acontece são os adversários querendo eliminar concorrentes. Existem pessoas que para continuar esse marasmo na cidade, preferem que haja poucas candidaturas, aí é mais fácil manipular. A população acaba não tendo opções para votar. A eleição passada foi uma prova disso. Tendo bastantes candidatos, a população tem a oportunidade de escolher o melhor, não o menos ruim. Não podemos escolher adversário, eu não escolho adversários. Eu escolho companheiros para caminhar junto.