Apucarana

Entrega de conjunto habitacional atrasa e revolta apucaranenses

Da Redação ·
Entrega de conjunto habitacional atrasa e revolta apucaranenses
fonte: Sérgio Rodrigo - da Tribuna do Norte - Diário do Paraná
Entrega de conjunto habitacional atrasa e revolta apucaranenses

Mutuários da Caixa Econômica Federal (CEF) que financiaram apartamentos do residencial Dom Ângelo, pelo programa habitacional Minha Casa Minha Vida, estão indignados com o atraso na entrega dos imóveis, prevista em contrato para acontecer em março.
O condomínio com 144 apartamentos fica na rua Denhei Kanashiro, ao lado do campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Além do atraso, os futuros moradores reclamam que não conseguem obter um posicionamento oficial por parte da construtora responsável pela obra, a Piacentini, de Curitiba.

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Com o prazo estourado em quase seis meses, os mutuários estão passando por situações difíceis. É o caso da desempregada Letícia Maciel, 23 anos. Ela, seu marido e o bebê de 20 dias, estão há dois meses morando de favor na casa de conhecidos enquanto aguardam a entrega do imóvel.

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Eles dividem espaço com o casal dono da casa e mais dois filhos em um imóvel de dois quartos. Letícia é da Bahia. Seu marido estava trabalhando em Apucarana e se inscreveu no financiamento. Com a obra pronta e a perspectiva de ocupar o apartamento, ela mudou para a cidade.

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“Graças a Deus que fomos acolhidos por esta família, caso contrário não sei onde estaria”, diz. Ela está no período pós-parto e é obrigada a dormir num colchão no chão com o bebê. “Não há espaço para montar o berço dela, que junto com meus móveis está amontoado em um quartinho nos fundos da casa”, relata a Letícia Maciel.


Outra que tem um recém-nascido é a professora Cíntia Silva, 38. Ela é locatária de um imóvel que já deveria ter sido entregue para a imobiliária. “O proprietário quer reformar a casa e eu não posso sair. Estou com os móveis desmontados, só esperando o dia da mudança Minha filha está dormindo no carrinho. Com o apartamento pronto, não posso morar nele e continuo pagando aluguel mais o financiamento”, reclama Silva.

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A analista financeira Cristiane Mortean, 42, tem dois filhos adolescentes e está em situação parecida, com o adicional de que a casa que aluga está sendo reformada com ela dentro. “Em janeiro venceu meu contrato, briguei com a imobiliária para não renovar porque me mudaria em março. Neste prazo vendi meus móveis, porque não caberiam no apartamento e a construtora garantiu que nos entregaria o prédio em abril. Agora estou com roupas e panelas todas encaixotadas”, relata.


Os mutuários pagam o financiamento desde a assinatura do contrato, em 2009, com parcelas entre R$ 300 e R$ 400.
A reportagem ligou ontem para o escritório da Construtora Piacentini em Apucarana e foi informada que o representante da empresa que poderia dar entrevistas sobre a obra não estava. O número de telefone celular dele não foi informado e ninguém retornou as ligações.