Apucarana

Promotor contesta eficácia da farinha multimistura

Da Redação ·
 Promotor contesta eficácia da multimistura
fonte: Arquivo - Delair Garcia Tribuna do Norte - Diário do Paraná
Promotor contesta eficácia da multimistura

O promotor Eduardo Augusto Cabrini, da Promotoria de Proteção do Patrimônio Público de Apucarana, incluiu ontem na ação civil pública, que contesta os contratos da Prefeitura com o Instituto de Promoção Humana do Paraná (Iprohpar), entidade presidida pelo ex-prefeito Valter Pegorer (PMDB), laudos técnicos do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) e da Pastoral da Criança que demonstram a ineficácia da farinha multimistura na alimentação das crianças.

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Segundo afirma o promotor, as informações foram acrescidas para rebater o posicionamento da Prefeitura e do Iprohpar de que a compra dos pães, feita sem licitação, ocorreu porque se tratava de um produto específico de “alto valor nutritivo” que combate a desnutrição e a anemia. “As notas técnicas do Conselho Federal de Nutricionistas e da Pastoral da Criança dizem que a farinha multimistura é elaborada a partir de sub-produtos alimentares e que não possui atributos que possam garantir a riqueza nutricional determinada pelos seus adeptos”, assinala Cabrini, citando o teor do parecer técnico, disponível no site www.cfn.org.br.


Ele observa, inclusive, os riscos da folha de mandioca, que está incluída na fórmula do pão do Iprohpar. “O pó da folha de mandioca é um veneno potente que pode até matar. Isso está escrito no site da própria Pastoral da Criança”, cita Cabrini, assinalando que o site informa que o tratamento da folha de mandioca exige um processo complexo para retirar a parte tóxica, que, na maioria dos casos, não é feito.

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A ação civil pública, que acusa de improbidade admininistrativa o prefeito João Carlos de Oliveira (PMDB), o ex-prefeito Valter Aparecido Pegorer, a gestora do Fundo Municipal de Assistência Social, Regina Amélia Carvalho Rodrigues, atual secretária de Ação Social do município, e o Iprohpar, pede a devolução de quase R$ 5 milhões, entre outras punições, como o afastamento de João Carlos.


PASTORAL - A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, irmã Vera Lúcia Altoé, esteve ontem em Apucarana e confirmou a posição do promotor. “Depois de um estudo feito em Pelotas (RS), foi mostrado que a multimistura não combate a anemia. Por isso, não dá o resultado que precisamos. Hoje, incentivamos a alimentação saudável com frutas e verduras”, disse Vera Lúcia, que comandou ontem em Apucarana um encontro estadual da Pastoral da Criança.