A vida é como uma casa alugada
Uma reflexão sobre a brevidade dos dias, a ilusão do apego material e a urgência de valorizar as conexões humanas

Por um tempo, recebemos as chaves e acreditamos que tudo aquilo nos pertence.
Abrimos as janelas, arrumamos os cômodos, escolhemos as cores das paredes, os acessórios de decoração. Enfim, decoramos cada canto com nossos sonhos.
Guardamos lembranças nas gavetas, fazemos planos para o futuro. Vivemos como donos de tudo, embora sejamos apenas visitas nesse mundo.
A vida não nos pertence, hoje estamos aqui, amanhã ninguém sabe.
Fazemos planos para o futuro distante, sem saber se acordaremos para viver o próximo dia.
Adiamos abraços, conversas na varanda, pedido de perdão, sem saber se haverá outra oportunidade.
Mas o tempo não espera; quando percebemos, levou consigo nossa infância, transformou nossa juventude em saudades.
LEIA MAIS: Quando o céu fala à humanidade
Os passos, que eram ágeis e longos, tornaram-se lentos.
A saúde, aos poucos, vai embora.
Os amigos também mudaram: alguns permaneceram, outros partiram, deixando apenas recordações.
Os filhos cresceram e seguiram seus próprios caminhos.
Os pais envelheceram. As cadeiras ao redor da mesa diminuíram.
Algumas pessoas deixaram de chegar, e outras ficaram só na lembrança.
Gastamos tanto tempo perseguindo aquilo que não iremos levar!!
Quando a vida bater à nossa porta para buscar as chaves, não haverá dinheiro capaz de comprar o tempo.
Aí iremos compreender que estamos em uma casa alugada, que logo iremos deixar as chaves.
Talvez a verdadeira riqueza nunca tenha estado nas coisas materiais. Mas escondida nas coisas mais simples: num abraço carinhoso, na mão segurando durante um momento difícil, na chegada de uma pessoa querida, no perdão para alguém que nos fez mal.
E é óbvio que coisas materiais fazem parte do ciclo da humanidade, mas o legado que deixamos do aprendizado do bem é eterno.
Por isso, devemos aprender a amar as pessoas queridas e dizer o quanto são importantes, enquanto elas ainda podem ouvir.
Hoje estamos aqui; amanhã, ninguém sabe.
Tudo passa: a juventude, a beleza, o dinheiro, a posição e as conquistas.
Mas o amor verdadeiro encontra uma maneira de permanecer para sempre.
Porque a casa é alugada, o tempo é emprestado, a única coisa é o amor que oferecemos, que devemos aprender a oferecer.
