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A financeirização e as crises econômicas

Da Redação ·
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fonte: Pixabay

Constata-se o processo de financeirização e alguns pontos de um momento de crise, e se detalha como tende ser o processo de crise. Um ponto importante a destacar no processo de financeirização. Aqui cabe a pergunta, como seria a economia empresarial sem o processo de crédito? O que ocorreria? A tendência seria a de que, todos segurariam a moeda, ela seria mesmo neutra à moda neoclássica e não haveria processo? Ou o processo de formação de riquezas estaria muito penalizado, estancado, em grande dificuldade? Porque se precisaria de maior período de tempo e de grande volume de dinheiro para construir e formar-se uma riqueza.

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Com o crédito, o que ocorre é que, as ações estruturais do processo capitalista se desenrolam mais rapidamente e o processo avança nas muitas instâncias que o capitalismo consegue alcançar, formando grandes esteiras de capital, com pequenas, médias e grandes riquezas. Note-se que o processo de crédito é, então, o grande lastreador do processo empresarial capitalista e da criação de riquezas e dos avanços das maiores economias do mundo. É por isso, que a ascensão dos juros, em muito desagrada ao capital empresarial produtivo, porque trava um segmento importante de criação de riquezas, mas alegra aos integrantes do capital financeiro que, sem regulação e livre mobilidade de capitais, podem lucrar mais e de forma rápida.

No mundo real, quando as economias conseguem equilibrar, crédito com expansão da produção, com a expansão do emprego e com a expansão do consumo, conseguem debelar as crises e gerar grandes riquezas e grandes fortunas, avançando com seu Produto Interno Bruto. São muito bem entendidas, essas especificidades, de como o crédito é importante para a expansão das economias, da financeirização do processo capitalista como um todo. Retorna-se às citações das crises anteriores, e quando o processo de crédito pode ser prejudicial ao sistema? Constate-se que aqui se trata dos três agentes principais do sistema, os quais seriam: o sistema financeiro bancário que é um só, o sistema público e o Sistema Empresarial Produtivo.

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Cada um desses sistemas, possui sua importância para a saudável atuação de todo o processo de criação, geração e distribuição de riquezas. O problema está quando o sistema de crédito sai do controle. Em grande medida, este controle do sistema de crédito é o que permite às economias como um todo, manterem-se em equilíbrio para que as crises de acumulação, ou de falta de crescimento não se processem. Registre-se que na crise de 29, a corrida desenfreada por papéis fictícios da bolsa levou à geração de uma grande crise; na crise de 2008, a corrida desenfreada por troca de bens imóveis, por recursos para aplicação na Bolsa, ou para a obtenção de recursos de consumo, foi o ápice para a geração da dita crise.

A quem compete, entretanto, promover a regulação do sistema? Se por um lado tem-se um sistema de poder público, com políticas e políticos componentes - cada um na sua esfera de poder - por outro lado tem-se um sistema financeiro ou capitalista, ou de criação de capitais que tem por si só com a expansão do crédito, uma vida própria e enraizamento de criação e geração de riquezas. O grande problema está, quando essa criação e geração de riquezas, não passam pela produção, quando o dinheiro simplesmente gera mais dinheiro. Na verdade, a produção não aparece para as suas contribuições, para com as obrigações do país, é a extrapolação dessa modalidade que empurra as economias para a crise.

Por outro lado, nós temos fortemente entrelaçados, o sistema financeiro e os poderes públicos constituídos de cada nação, ou de cada economia. O grande exemplo aqui é que nos Estados Unidos o responsável pela Secretaria do Tesouro americano é sempre alguém ligado ao sistema financeiro. O presidente do Banco Central americano, além de estar ligado ao poder público constituído pela lei americana, está também ligado ao sistema financeiro. O que ocorre é que há quase uma captura do sistema financeiro, ou seja, do poder público pelo sistema financeiro. Um exemplo bem claro disso também aparece na crise de 2008, quando, impulsionada pela corrida desmedida de financiamento de bens imóveis, deixou milhares de pessoas sem teto, ou seja, sem a propriedade do imóvel. Com a falência do banco Lehman Brothers, essas pessoas deixaram seus bens, ou os tiveram remanejados para outras instituições, ou perderam boa parte de suas riquezas, ou tiveram seus imóveis leiloados.

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Por outro lado, quais seriam as ações que poderiam ser tomadas naquele momento de crise, quando nem o congresso americano nem o presidente sabiam o que fazer, dadas as tamanhas proporções dos danos no processo. A solução veio em três páginas escritas, pelo presidente do Banco Central americano e pelo Secretário do Tesouro. A proposta era: reativar esses valores de ativos podres reconstituindo o sistema financeiro, por meio de refinanciamento das dívidas bancárias, com recursos repassados ao sistema financeiro, para novamente reativar as ligações estremecidas. Por outro lado, verificando-se a crise da Grécia, segue-se nesta mesma linha da solução da crise americana. O que foi feito? Juntaram-se o banco europeu e o sistema monetário internacional e promoveram um rearranjo, com a injeção de grande volume de recursos no Banco Central grego que repassou valores e recursos para o sistema financeiro, composto por bancos franceses e alemães, atuantes naquele país, para que pudessem ser reestruturados.

Qual seria a saída, logicamente, já que ninguém quer travar o sistema e nem as condições e poderes políticos, ou uma organização tão poderosa que possa fazê-lo. Como se ressaltou, desde o início, não é salutar para nenhuma das partes do grande sistema, executar um travamento em alguma dessas partes, seja em relação ao poder público, seja em relação ao sistema financeiro, em suma, em relação ao sistema empresarial produtivo, com suas especificidades em cada uma das economias. O que interessa aqui é verificar como o sistema financeiro - os três sistemas - é importante para o andamento do processo econômico, a fim de que ele avance com crescimento sem penalizar nenhuma das partes.

Em geral, fala-se muito em gerar, ou criar leis que possam impor barreiras ao avanço desmedido. No processo de financeirização. Entretanto, nenhuma economia sozinha poderia articular esse processo, muito menos algumas das economias menos desenvolvidas. Teria de haver uma ação das grandes economias, para colocar ajustes que pudessem estabelecer uma igualdade, sem abusos entre as partes, valorizando em última instância, o avanço de todas as economias com ênfase para as economias menos desenvolvidas.