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Paulo Cruz
Paulo Cruz

Empresas e Arranjos Produtivos Locais

Arranjos Produtivos Locais (APLs), Clusters, ou Distritos Industriais, são concentrações de empresas, geograficamente por força da localização espacial; ou setorialmente por força da especialização setorial, principalmente empresas de micro, pequeno e médio porte. A produção tende a ocorrer verticalmente desintegrada - devido à especialização das empresas em diferentes fases do processo produtivo. - As empresas são receptoras e ao mesmo tempo fornecedoras e, simultaneamente, são cooperativas e competitivas entre si. Nesse modelo, empresas e instituições, mediante coordenação podem agir em cooperação, por meio de contratos formais e informais. Essas empresas desenvolvem parcerias, ou porque estão próximas territorialmente, ou porque são de um mesmo setor, ou de setores afins. É a redução de custos e a proximidade entre elas que facilitam a cooperação, isso lhes traz vantagens competitivas mercadológicas e tecnológicas.


Esse modelo vem sendo utilizado como um instrumento para organizar a atividade de fomento ao crescimento econômico, promovida por meio de concentrações geográficas, ou vias políticas recentes concebidas para estimular clusters, do ponto de vista em que cria as condições instrumentais para o crescimento e desenvolvimento. Valem a tal ponto, que a partir da década de 70 muitos estudiosos viam neste modelo, um poderoso instrumento de fomento do crescimento e desenvolvimento. Nesse contexto estão o exemplo japonês de economias de aglomerados que permitiu respostas rápidas às crises econômicas; o exemplo da indústria calçadista italiana e o do Sistema Motte, com a indústria têxtil francesa, face à competição das grandes empresas.

É a relação de intercâmbio dos agentes no interior do arranjo que garante uma posição de vanguarda perante os demais agentes que estão fora do arranjo. Garante a tal ponto que o APL apresenta alto potencial de vantagens de redução de custo, ganhos de qualidade, de escala e escopo com avanços tecnológicos e organizacionais advindos desse conjunto de atores. Configura-se como um potencial e uma barreira a entrada para os agentes que estão fora dele. Assim, a medida que se aperfeiçoa o processo cooperativo, aumenta o sistema de barreiras e aumenta as vantagens do ponto de vista das externalidades positivas, impulsionando o nível tecnológico e mudando a configuração apoiada no aprendizado.

A conformação dos diversos tipos de APLs, respondendo pelos nomes de polos ou arranjos cooperativos, que se configura como um distrito industrial embrionário é um aglomerado industrial, setorial ou geográfico, à medida que aperfeiçoa seu processo de coordenação e desenvolve a configuração de um APL/Cluster com inserção de serviços e aperfeiçoamento de cooperação e informações no arranjo. Promove sinergia entre os atores, alcançando a consolidação de Distrito Industrial, na medida em que solidifica um fluxo de informações no interior do arranjo, fortemente amparada na promoção de competição cooperativa. Ressalta-se que: todo distrito industrial é um cluster, mas que nem todo cluster é um distrito industrial. É a eficiência coletiva que faz a diferença, convivendo com fraca, média ou forte dispersão regional. Os Distritos Industriais consolidados estão à frente em inovação e tecnologia, com poder de criar e recriar produtos de fronteira, além de serem mercadologicamente mais competitivos. APLs e Clusters seguem os Distritos Industriais consolidados.

O objetivo é o fortalecimento de sua competitividade industrial, estes avanços dependem muito do tipo de arranjo. Há aqueles que são voltados para alta tecnologia, como o caso da indústria química, de software, farmacêutica, onde a inovação incremental não é tão importante, como no caso de indústrias de tecnologia madura, onde as inovações não se dão por saltos, mas por incremento. São inovações que se vão somando, um pequeno passo aqui, outro pequeno passo ali. São pequenas inovações que garantem o diferencial, como na indústria de bonés, de móveis, calçadista e automobilística.

Organizações em APLs/Clusters serão tanto mais fortalecidas, quanto mais alcançarem uma coesão entre seus atores em torno do fato de vencerem os gargalos do processo produtivo, ampliando e integrando seu conjunto de competências e conhecimentos, respaldados pela perfeita sincronia da informação entre os agentes. Em um APL/Cluster industrial, localizado ou setorial, com especialização e forte competição cooperativa, a resistência à entrada só vai ser quebrada, quando um agente dispuser de tecnologia maior, ou igual aos dos integrantes daquele arranjo e possa oferecer algo que venha somar forças no processo de competitividade do arranjo. As empresas compram e vendem de parceiros locais/regionais, umas aprendem com as outras, participam de treinamentos, criam novidades e juntas se fortalecem no mercado.

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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