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Paulo Cruz
Paulo Cruz

Sistema regional de inovação

Os Sistemas Locais de Inovação – SLI– são tomados como facilitadores da identificação de elementos regionais, relevantes ao processo do desenvolvimento empresarial, da inovação e difusão. Os SLI não concentram seus focos em tecnologias ou indústrias específicas, mas interessam-se por uma multiplicidade de atividades empresariais industriais no interior de um país ou região específica, bem como em instituições de suporte a inovação e sua difusão.

O sistema local de inovação abrange uma significativa diversidade de processos históricos e de desenhos político-institucionais, culturais, educacionais e geográficos, presentes em municípios, ou regiões metropolitanas. Estas características reforçam os aspectos regionais dos sistemas de inovação. Como é nas regiões e municípios que os eventos empresarias, em maior medida ocorrem, a geração da capacidade inovativa se dá por meio da confluência de fatores sociais, institucionais e culturais particulares aos ambientes em que os atores econômicos estão inseridos. 

Compõe-se o sistema regional de inovação - com maior ou menor grau de desenvolvimento - destacando três importantes dimensões institucionais: sistemas de financiamento, de aprendizado e a cultura produtiva presente. O setor financeiro opera, com seu mercado de capital organizado e sua capacidade de fornecer crédito. Um sistema de crédito que responda aos anseios da comunidade empresarial tem relevância estratégica na geração de inovação das empresas. Outro fator estratégico complementar seria a cooperação entre empresas, para a geração da inovação por meio de relações formais ou informais para compras e vendas de bens ou serviços, utilizando-se dos centros de treinamento e formação, das universidades ou centros de pesquisa, participando de câmaras de comércio em conjunto e inter-relacionando-se com os governos locais.

Esta singularidade, presente nos Sistemas Locais de Inovação, caracteriza-se por meio de elementos como: organização das empresas e seus sistemas de P&D; a natureza da relação entre empresas; o sistema educacional e de treinamento; a existência e eficácia de políticas setoriais; as relações entre universidades ou centros de pesquisa e o sistema produtivo; a atuação dos governos local e regional como no caso das associações municipais; a infraestrutura em transporte e comunicação local regional; e, a existência de um sistema de financiamento contínuo para a produção e a inovação. Estas são questões que bem ajustadas e administradas fazem a diferença no desenvolvimento regional.

Ressalta-se o conceito de ambientes inovadores – inovative millieux – que, embora possa se manifestar em condições territoriais e produtivas bastante diversas, tende a se configurar como importante meio para a ampliação da competitividade das empresas. Isto é, naquele espaço local ou regional as empresas e os agentes locais podem alcançar forte inter-relação organizacional que permite a eles concorrerem e vencerem outras regiões, diante de sua primorosa organização local e regional. Esses ambientes podem ser especializados ou multifuncionais, industriais ou turísticos, rurais ou urbanos e de apurada ou tradicional tecnologia. O ponto principal, contudo, é a existência da coesão e confiança entre os agentes, com poder de articular um conjunto de relações sociais, capazes de promover a coordenação dos agentes presentes, potencializando positivos resultados no conjunto de suas atividades econômicas.

Seguindo esta abordagem, ganha destaque a necessidade de articulação de políticas estimulativas para a inovação entre os agentes inseridos nos sistemas produtivos, particularmente os de Micro, Pequenas e Médias Empresas, incentivando ligações sinérgicas entre eles, desenvolvendo benefícios de proximidade e ação conjunta a fim de se estimular a inteligência, competência e eficiência coletiva local e regional. Ressalta-se a importância de se estabelecer ligações entre as instâncias externas, articulando a formação de redes de relacionamento para sistemáticos contatos mercadológicos e tecnológicos entre empresas e outras instituições comprometidas com a produção e difusão do conhecimento tecnológico.

Assim, os territórios vão além da simples base física para indivíduos e empresas, envolvendo uma teia de relações sociais que estabelecem regras formais e informais, que promovem a confiança entre os atores presentes, valorizando o ambiente de atuação. As empresas são consideradas organizações heterogêneas que estão a todo tempo aprendendo, inovando e evoluindo, e os conhecimentos externos e os fluxos de informação circulante entre empresas e atores assumem significativa importância na configuração competitiva das empresas dentro de suas instâncias locais ou regionais. São nas instâncias locais e regionais que as empresas geram novas configurações e criam sinergias, junto aos demais atores para ganhos de competição tecnológica e mercadológica.

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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