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Paulo Cruz
Paulo Cruz

Sistema Nacional de Inovação

O desenvolvimento econômico resulta de ações conjuntas de segmentos da sociedade, uma vez que a incorporação de inovações por parte das empresas depende de uma série de relações externas - provedoras de conhecimento científico, técnico e organizacional - advinda tanto da parte das organizações quanto das instituições governamentais e não governamentais. Ocorre quando há um processo em que crescimento e inovação estimulam-se mutuamente. As instituições governamentais destacam-se por suas contribuições através dos sistemas educacionais e científicos, é o sistema educacional que supre o mercado de mão de obra qualificada. Esta relevância das diversas instituições para o processo de desenvolvimento econômico ficou conhecida como sistema nacional de inovação onde modificações nesses arranjos, impactam na performance inovativa das empresas.

Esse modelo de busca de desenvolver um sistema nacional de inovação por meio da evolução técnica foi amplamente explorado pela economia japonesa, em sua reconstrução pós-Segunda Guerra Mundial. A estrutura de produção e o aparato institucional são as dimensões que, juntas, dão corpo ao sistema de inovação e melhoria competitiva das empresas, amparadas no tripé: inovação tecnológica, aprendizado - com destaque ao interativo - e aparato institucional os quais promovem o processo interativo, inovativo.


O processo de interação ocorre desde o interior das empresas, de diferentes indivíduos ou departamentos, de empresas e consumidores e, de empresas e instituições públicas e privadas. A mais importante forma de aprendizado está no processo interativo que pavimenta o caminho para um seguro desenvolvimento sistêmico, fortemente colado à estrutura econômica e institucional, resultando em inovações e no crescimento da competitividade das empresas. As empresas têm trilhado esse caminho interativo por meio da valorização da intensidade das relações entre elas.

Em empresas transnacionais, a intensificação das relações entre matriz e subsidiárias tende a possibilitar continuamente um fluxo de tecnologia, representando uma forma virtuosa de difusão ao longo da cadeia produtiva das diversas atividades econômicas. Essa convivência, por meio das relações de interação de empresas subsidiárias e nacionais, tende a transformar a estrutura de mercado à medida que as relações de interação avançam deixando claras suas diferenças, principalmente em relação a aportes de capitais, por meio do investimento direto estrangeiro e de distintas bases tecnológicas.

A importância das empresas multinacionais é inegável na difusão de inovações, já que essas corporações têm condições de realizarem transferências de equipamentos especializados, coordenarem programas de treinamento e organizarem os processos de aprendizagem. Essas empresas ainda reúnem capacidade para realizar acordos de cooperação tecnológica em diversas partes do mundo. A tendência que essas iniciativas produzam resultados positivos está fortemente colada a mudanças institucionais que possibilitem a autonomia tecnológica dos países que recebem as multinacionais, permitindo a adaptação dos processos de mudança.
As transferências de tecnologia entre países não ocorrem, entretanto, de maneira fácil; pelo contrário, as tecnologias são bastante vinculadas a seus países de origem, já que se fundamentam em habilidades, capacidades e conhecimentos acumulados ao longo do tempo. Os países não diferem apenas no volume das inovações tecnológicas, mas também nos métodos pelos quais estas são incorporadas à sua composição de produção setorial. Na economia inovativa moderna, três fatores principais ganham destaque: a utilização do conhecimento como força produtiva, a realização de pesquisa industrial continuada e a disseminação das inovações entre empresas de todo porte.

Assim, o caráter sistêmico do processo de inovação e difusão manifesta-se como resultado da forma como os múltiplos agentes interagem, onde as empresas raramente inovam de forma isolada. A interdependência do Sistema de Inovação, portanto, não deve ser entendida como uma sequência linear, mas como uma cadeia complexa de relacionamentos, formando um sistema. Aqui aparecem como colaboradores importantes instituições públicas e privadas como: as Universidades, institutos de pesquisa, o SEBRAE, SENAI, a FIEP, as Associações Comercias locais, o governo estadual e os governos locais, entre outras.

Três pilares principais, reafirmam a importância dos Sistemas Nacionais de Inovação: i) as vantagens competitivas tendem a vir de estruturas industriais específicas resultantes da especialização das empresas, que lhes permitem sucesso econômico, mediante efeitos indutores de experiências históricas somadas; ii) o conhecimento tecnológico tende a ser gerado por meio do aprendizado interativo, ganhando formas de capacitações distribuídas entre os diferentes agentes econômicos e que, através da interação, permitem que o mesmo possa ser utilizado; e, iii) o comportamento inovador está amparado em instituições e regras de jogo, legalmente estabelecidas e em costumes redutores de incerteza, dirigindo diferentes comportamentos a resultados econômicos positivos.

Mediante esse conjunto de discussões, o ponto chave está na inovação tecnológica, como fenômeno onipresente na economia moderna. Está presente a todo tempo, em todos os setores da economia, por meio dos processos de aprendizagem em curso. Pesquisa e exploração das rotinas das atividades econômicas resultam em novos produtos e processos, novas técnicas, formas de organização e novos mercados. É o impulso continuado da competitividade das empresas amparado no sistema nacional de inovação que pela interação beneficia a todos.

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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