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Paulo Cruz
Paulo Cruz

Redes de Empresas Como Instrumento de Eficiência Coletiva

É importante avaliar em que medida as práticas gerenciais adotadas pelos membros das aglomerações produtivas que tendem a abrigar redes de empresas - refletidas numa maior ou menor abertura para relacionamentos externos - afetam as possibilidades de interação mútua com outros agentes, considerando que no ambiente competitivo atual os vínculos interfirmas ocupam um importante espaço.

O conceito de rede é muito utilizado na discussão de problemas econômicos, compreendendo um modelo genérico de organização das atividades econômicas. Concretiza-se em três setores: o aprimoramento crescente de um sistema de comunicação que conecta e interage diferentes agentes econômicos; as mudanças significativas na logística de organização das atividades econômicas e a intensificação dos processos de interação social entre aqueles agentes. Pode-se dizer que o próprio sistema econômico se constitui uma rede complexa de relações entre agentes com fortes reflexos em administração institucional, teoria das organizações internacionais, comércio internacional, economia regional, organização industrial e inovação, além de desenvolvimento.

Em se tratando do nível de redes de empresas, deve-se considerar: o alcance de sua produção, comercialização, área de alcance da rede, relacionamento desta com outras - o que se pode oferecer em termos de cooperação entre redes. Aqui, a infraestrutura das redes de comunicação tem forte influência na operação das redes de empresas, no aparato construído de inovação e tecnologia, na sua logística interna, sinergias técnicas, qualidade de seus produtos, posição do nível tecnológico em relação ao setor, autonomia da aglomeração produtiva em relação ao suprimento externo de insumos, entre outros.

Quanto aos fluxos internos, contratos são celebrados com maior ou menor formalidade, dependendo da densidade das transações em um determinado horizonte de tempo. No interior das empresas, as transações são de caráter sistemático, envolvendo ativos específicos gerados a partir da competência tecnológica ali existente. É importante detalhar um mapa das transações identificando o grau de centralização e observando em que medida isto impacta sobre o grau de hierarquização da aglomeração produtiva.


Quanto aos ativos 'intangíveis', ou seja, as informações e conhecimentos que circulam no interior das aglomerações produtivas, supõe-se que exista ali um pool de informações socializadas pelo interior da aglomeração produtiva, transformadas em códigos de linguagem e canais de comunicação, com o intuito de dar vazão ao fluxo de informações que se processa. Podem ser: mercadológicas, tecnológicas, relacionadas a serviços técnicos, etc. Pode haver complexidade e então é preciso identificar o tipo de conhecimento embutido nas informações transmitidas, porque existe uma multiplicidade de tipos de informações: sobre o concorrente, sobre novos produtos, interação entre redes, princípios técnicos, científicos etc.

Existe ainda o conhecimento 'tácito' ou 'não codificado' próprio do fazer do dia-a-dia, idiossincrático à habilidade do trabalhador. Isto é, nós sabemos mais do que podemos explicar. Trata-se de um conhecimento internalizado, subjetivo e heurístico que não é facilmente transmitido, é aprendido através de exemplos práticos. Com experiência e prática, os trabalhadores acumulam saber a respeito de seu ofício específico, além de as aglomerações produtivas avançarem em suas capacidades sociais de formação de competências tecnológicas e mercadológicas. Nesse sentido, pode-se avaliar se as informações que circulam no interior da aglomeração produtiva são livres a todos os membros ou se existem limites de circulação dessas informações. Os códigos e suas características técnicas podem ser avaliados para aprimoramentos.

Dentro do esquema de coordenação e atuação das aglomerações produtivas, as empresas podem se organizar por meio de processos de cooperação técnico-produtiva. Entre elas, coordenação coletiva de ações e cooperação tecnológica buscam conjuntamente a inovação, trocando experiências sobre a divisão do trabalho entre empresas, visando ganhos técnico-produtivos em economias de escala e escopo, minimizando custos. Observa-se a estrutura de governança e seus ganhos de eficiência coletiva mediante as alterações do ambiente.

Por fim, buscando a integração tecnológica, dá-se ênfase ao aprendizado entre os membros da rede – integrantes da aglomeração produtiva – de tal forma que as novas ações engendrem novos impulsos de geração e difusão de inovações. As conquistas de determinada rede decorrem da força de cooperação de seus agentes, o empresário exerce uma mediação específica sobre essas redes e entre elas, o que vai além de sua organização de produção, ele sabe que seu sucesso depende da cooperação, mais do que da concorrência, ele precisa incentivar a integração e a expansão dos aprendizados. Numa aglomeração produtiva, o empresário é, antes de tudo, um membro da comunidade-rede e parte de uma equipe. Todos juntos na busca de eficiência coletiva produtiva, mercadológica e tecnológica.

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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