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Paulo Cruz
Paulo Cruz

​ Políticas de Desenvolvimento Econômico Direcionadas

Os programas e projetos de crescimento e desenvolvimento econômico local/regional tendem a ser controversos politicamente, principalmente quando a indução governamental por meio de empresas individuais, pode ser tomada pelo lado liberal como a articulação de uma ação corporativa; e, pelo lado conservador como uma interferência governamental ao setor privado. Questões ideológicas extremadas para um lado ou para o outro podem aguçar oposições cidadãs ao crescimento e desenvolvimento econômico; e, acabam por funcionar como uma barreira para a construção de uma eficiência coletiva das políticas de desenvolvimento econômico local/regional.


Em programas e projetos de desenvolvimento econômico locais/regionais tendem a ser difícil ao governo apoiar empresas individuais, em função de que o sinal verde a essa ou aquela empresa obriga a racionalização de dizer não aos pedidos de apoio de outras empresas. Gestores locais governamentais precisam encorajar os atores locais, mediante um concenso de escolhas planejadas e bem calculadas, quanto aos objetivos das políticas de desenvolvimento econômico local/regional. As metas e propostas constantes de programas e projetos devem fornecer uma base para decidir quais esforços e intensidades na direção do crescimento e desenvolvimento econômico local/regional devem ser aplicados.

Subsídios públicos destinados ao desenvolvimento econômico em geral, tendem a ser racionalizados através de novos empregos e benefícios gerados pela dinamização econômica derivada desses empregos. Benefícios fiscais podem ampliar a receita fiscal nos ciclos seguintes, aumentar a receita tributária e contrabalançar a despesa pública. Benefícios de empregos ocorrem quando novos destes resultam em colocações para pessoas que de outra forma estariam desocupadas. Benefícios de empregos também ocorrem quando permitem aos trabalhadores acessar aqueles com melhores salários.

Políticas de desenvolvimento econômico local regional têm maior probabilidade de aumentar o número total de economia local, quando essas políticas auxiliam as novas empresas ou as expansões de negócios de ‘base exportadora’ da economia local ou tende a substituir as ‘importações’ locais. Neste contexto, ‘exportações’ de bens ou serviços vendidos fora da esfera local/regional, por exemplo, para residentes ou empresas do exterior. As ‘Importações’ referem-se a bens ou serviços adquiridos por residentes ou empresas locais regionais, mas que são produzidos fora da esfera local/regional. Logo, as exportacões são fatores positivos, porque levam a economia local/regional a produzir mais, ampliando empregos e benefícios; e, as importações são altamente benéficas quando insumos e produtos semiacabados são trazidos, retransformados e revendidos ao exterior ampliando o volume de renda local/regional. Essa é uma prática comum dos países desenvolvidos, importam a matéria prima, ou semielaboradas e depois exportam vendendo mais caros e agregando renda às suas economias.

As políticas de desenvolvimento econômico local/regional são para incentivar a expansão de negócios já estabelecidos ou não – podem ser segmentos extratégicos – cujo aumento de vendas, pode aumentar as exportações locais, substituir as importações ou incrementá-las, especialmente para segmentos tecnológicos extratégicos, logo essas vendas aumentadas devem vir de vendas de empresas locais, principalmente as extratégicas. O aumento de vendas em empresas locais assistidas, pode contrabalançar as vendas reduzidas em outras empresas locais, mas assegurar o volume de emprego dos segmentos locais/regionais. O aumento total em empregos locais/regionais tende a ajudar empresas de base exportadora ou que trabalham com segmentos de viés de substituição de importações e, tende a ser maior do que o aumento de empregos em empresas assistidas, quando os efeitos multiplicadores intensificam seu transbordamento nas esferas locais/regionais.

A expansão de negócios extratégicos pode trazer insumos de outras empresas, com valorização das empresas locais/regionais. Isso é importante porque a expansão das empresas assistidas e seus fornecedores locais/regionais, têm força para impulsionar substanciais aumentos na renda do trabalhador e, parte dessa receita gerada tende a ser gasta em varejistas locais/regionais. Essa sistemática, em grande medida, pode impulsionar o volume de compras dos varegistas locais/regionais e ensiná-los a ampliar seu padrão tecnológico. Isso é um aparato poderoso de organização de políticas desenvolvimentistas com foco no local/regional.

Os efeitos multiplicadores, de expraiamento dos benefícios de políticas desenvolvimentistas, tendem a ser ampliados diante de circunstâncias tais como: se a esfera local/regional tende a ser maior, comparativamente às demais regiões vizinhas, facilitando a demanda do fornecedor ou varegista local/regional; quando as empresas integrantes dessas políticas locais/regionais de fomento compuserem redes fortes de fornecedores locais, principalmente empresas de cunho extratégico com atuação mercadológica de longa data; e, quando os trabalhadores dos negócios empresariais envolvidos são pagos com salários crescentes, com fortes possibilidades de aumento da demanda de varejo local/regional. O tamanho, ou a medida dos efeitos multiplicadores positivos em produção, consumo e renda pode ser estimado por meio de dados via modelos econométricos.

Os gestores de governos locais regionais devem estar antenados quanto aos programas e projetos de políticas públicas com possibilidades de ampliação dos multiplicadores, possibilitando graus superiores a 1,5 em níveis de empregos criados, tanto pelos setores fornecedores quanto pelos varejistas, devido a um trabalho criado em empresas assistidas. Para os multiplicadores superiores alcançarem ou ultrapassarem um grau 2, exige-se que as empresas assistidas tenham ligações em redes de fornecedores locais excepcionalmente fortes, além de trabalhadores altamente treinados e remunerados com salários crescentes ciclo a ciclo. Planejar, executar, avaliar e replanejar, esse é o grande segredo do processo de crescimento e desenvolvimento local/regional.

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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