Facebook Img Logo
  1. Banner
Paulo Cruz
Paulo Cruz

Aglomerações Empresariais e Diferenciação de Tamanho

A estrutura das aglomerações empresariais, no que diz respeito ao tamanho, vem mudando ao longo do tempo. O Vale do Rio dos Sinos/RS era formado por pequenas empresas, no entanto, a elevação das grandes firmas ultrapassou seu pico. A princípio, parece que as mudanças de mercado favorecem as pequenas firmas, especialmente quanto à habilidade das empresas em reagir com lotes menores e prazos de entrega mais curtos. As grandes empresas devem-se reestruturar internamente para não perderem a velocidade da competitividade. A vantagem das grandes firmas pode estar na habilidade em serem proativas, com melhorias de qualidade, P&D e inovações contínuas das rotinas, incluindo a colaboração com fornecedores.

Em grande medida, o problema das pequenas empresas é que elas não têm força na parceria com fornecedores e raramente iniciam mudanças ao longo da cadeia de valor adicionado. No entanto, observa-se que conquistas das grandes empresas individuais chaves, como qualidade e pontualidade dos fornecedores - por força das externalidades positivas -, tendem ao longo do tempo a se estender também às pequenas empresas das aglomerações empresariais.

As externalidades positivas de cooperação entre empresas ajudam a explicar como algumas pequenas empresas conseguem penetrar em mercados distantes e crescer. O que faz as aglomerações empresariais crescerem é que algumas empresas acreditam nas externalidades positivas e investem em relações cooperativas entre si, com fornecedores e instituições de apoio, cooperação e coordenação.

Estudos de aglomerações empresariais consideram a proximidade entre produtores, os usuários de componentes, a cooperação local e o enraizamento social das transações econômicas como pontos chave do sucesso. É o mercado que avança por meio de planejamento e oportunidades construídas diuturnamente mediante eficiente coordenação. No âmbito dinâmico, leva-se em conta sobretudo as ligações externas, bem como a relação entre os agentes comerciantes, a fim de complementarem o entendimento de como as aglomerações empresariais tomam corpo e se desenvolvem.

Entender a organização interna de uma aglomeração empresarial pode não ser suficiente para entender sua trajetória. Alguns estudos de aglomerações empresariais, como a do Vale do Rio do Sinos/RS têm enfocado esta visão - combinando análises empresariais industriais com cadeias de mercadorias. A primeira visa a indústria local e seu funcionamento; a segunda, produtos específicos do mercado final desde à origem da matéria prima.

Esta forma de pesquisa requer o rastreamento de conexões globais, distinguindo os diversos agentes que atuam em diferentes elos de segmentos de cada setor empresarial, ou segmentos produtivos de cadeias. As cadeias de mercadorias guiadas por produtores, distinguem-se das guiadas por compradores, úteis na identificação da trajetória das aglomerações empresariais industriais e de serviços.

Responder a novas oportunidades e crises exige uma mudança de marcha - tanto de grandes como de pequenas empresas - da eficiência coletiva passiva à ativa. Enquanto a passiva se baseia em ineficiência e inflexibilidade visando atingir o crescimento pela via da mão de obra barata e dos baixos padrões trabalhistas, elaborando produtos de reduzida qualidade, a exemplo do início das cadeias chinesas; a ativa se concentra em forte economia inovativa, dinamismo, velocidade do aprendizado e evoluída imitação para inovação contínua. Parte-se da versatilidade ativa e não da maleabilidade passiva para alcançar a flexibilidade e vencer crises crônicas de desenvolvimento.

Ao longo do tempo, as relações sócio-culturais, precisam se enraizar e não se reduzir. A partir daí, os novos laços estarão baseados em investimento consciente nas relações entre as empresas. Os parceiros de negócios não necessariamente têm que mudar, mas é o fundamento da confiança que precisa avançar para novos patamares. As conquistas são o ponto chave para os novos passos e integração contínua para um aparato de economia empresarial inovativa. O relacionamento profissional aprimorado entre os agentes, acompanhado de melhorias de expertise da mão de obra, pode ser essa a transição que distingue aglomerações empresariais maiores ou com forte potencial de crescimento, das menores ou em declínio.

O portal TNOnline.com.br não se responsabiliza pelos comentários, opiniões, depoimentos, mensagens ou qualquer outro tipo de conteúdo.
Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber