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Paulo Cruz
Paulo Cruz

Aglomerações Empresariais em Países em Desenvolvimento

Contrariamente às economias europeias e americanas, ainda é pequeno o número de estudos empíricos nessa área de pesquisa nos demais continentes. Demonstrações quantitativas e qualitativas encontram-se ainda em estágio inicial de pesquisa, com achados incompletos e não conclusivos. Estudos apontam para um amplo desenvolvimento de aglomerações empresariais em países da América Latina, Ásia e África com adiantado desenvolvimento em termos de concentração de fornecedores especializados e entidades de apoio, com intensidade menor no continente africano.

As aglomerações empresariais nos muitos países menos desenvolvidos são organizadas por meio de relações verticais, onde grandes firmas coordenam a divisão do trabalho nas pequenas, por meio de permutações contínuas destas. Complementam-se umas às outras, com trocas de informação e ferramentas, até com a colaboração estreita entre os agentes. Na forma horizontal, a rivalidade é maior, a densidade da cooperação é menor. Os laços sócio-culturais que valorizam o aprendizado passado de geração para geração, quando foram estudados, elevam o desempenho econômico e facilitam a colaboração entre os agentes do arranjo empresarial produtivo. As redes sociais e suas entidades, efetivamente, têm influenciado decisivamente as relações econômicas dentro das aglomerações empresariais, o que pode impor ou quebrar barreiras facilitando a criação de sinergia entre os agentes do arranjo empresarial produtivo.

A eficiência coletiva tende a ser criada com a melhoria das relações entre os agentes produtivos no interior das aglomerações empresariais, à medida que os atores integrantes dessas aglomerações vão amadurecendo, em suas relações comerciais, quando as empresas menores tendem a seguir as maiores tomando-as como exemplo. Os fatores culturais e de tradição da região em produzir determinados tipos de produtos, também podem favorecer muito na construção da eficiência coletiva de uma aglomeração empresarial. As políticas públicas podem incentivar o dinamismo de boas práticas produtivas e comerciais e, auxiliar como agentes indutores no processo de desenvolvimento regional.

Uma das características das aglomerações empresariais em países em desenvolvimento é que existe mão-de-obra de sobra. Implica que a competição não se dê nem por inovação, nem por melhoria de qualidade, mas sim por baixos preços e salários. O contrário ocorreu na Coréia do Sul, onde se observaram sinais de inovação e aperfeiçoamento tecnológico contínuo. Diferenciais de boas práticas de relações produtivas empresariais ajudam a explicar como algumas pequenas empresas conseguem penetrar em mercados exigentes, e crescer. O que faz as aglomerações empresariais crescerem é que algumas empresas intensificam e aperfeiçoam suas relações comerciais produtivas, com forte qualidade em seus produtos, e investem no aperfeiçoamento das relações cooperativas entre si, com fornecedores e instituições de apoio.

Diversos problemas comuns podem estar presentes nas empresas inseridas nas aglomerações produtivas dos países em desenvolvimento, tais como: Carência de pessoal qualificado; dificuldades de relações externas com tecnologias e mercados exigentes; baixa disponibilidade de investimentos; restrição de recursos financeiros; baixa economia de escala; incapacidades para beneficiarem-se das medidas do governo; baixa existência de fornecedores de insumos e componentes, além da dificuldade de importação e problemas relacionados ao equacionamento do crescimento da empresa. As dificuldades podem ser vencidas quando as empresas se unem e aperfeiçoam suas relações, por meio de um modelo ganha – ganha, entre todos os agentes: empresas produtoras e fornecedoras e o poder público junto com as entidades de coordenação em ação.

 

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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