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Paulo Cruz
Paulo Cruz

Dificuldades das Micro e Pequenas Empresas

As Micro e Pequenas Empresas respondem por 96% do conjunto de empreendedores do país. Da parte das microempresas, as dificuldades são maiores de sobrevivência, pois o empreendedor tem disposição de desenvolver o seu próprio negócio, acredita em seu sonho e quer estar à frente da concorrência e, para isso, busca cada dia novas alternativas para manter-se na fronteira da concorrência de seu setor. As dificuldades, entretanto, estão a todo o momento batendo à sua porta. Em primeiro lugar, são de crédito, mas também podem ser de burocracia, de tecnologia, da operacionalização do próprio negócio devido à dificuldade de encontrar mão-de-obra especializada, adequada ao desenvolvimento de suas atividades, dados os problemas da inexperiência do pessoal do quadro próprio de colaboradores. Ocorre, ainda, quando é uma empresa familiar, enfrentando dificuldades de sucessão e a opinião daqueles que não acreditam no potencial do empreendedor, até que ele mostre a que veio.


Ao longo das duas últimas décadas o micro empresário e as pequenas empresas e o empreendedor de forma geral padeceram com a instabilidade inflacionária. Após 1994, a estabilidade deu novo fôlego aos negócios. Somente estabilidade da moeda, entretanto, não é garantia de sucesso, é necessário, mas não suficiente para crescimento e desenvolvimento econômico. Na última década, a evolução do salário mínimo e da renda das classes C, D e E deram um novo impulso às Micro e Pequenas Empresas. Grande volume de Micro e Pequenas Empresas puderam ser criadas no país - por força da ampliação de renda dessas classes, e esse período teve forte impulso até 2014. Com a crise pós-2015, cerca de 30% das Micro e Pequenas Empresas, ou deixaram de existir ou foram adquiridas por outras, ou alteraram seu plano de negócio para a sobrevivência, modificando seus nichos de produtos para manterem-se no mercado.

Qual é a configuração de porte, contudo, das Empresas? As microempresas possuem até 20 funcionários, as pequenas vão até 50, as médias vão até 500 e, as de grande porte, a partir de 500 funcionários. No setor de alta tecnologia – como as desenvolvedoras de softwares – existe uma diferenciação onde as microempresas vão até 5 funcionários, as pequenas vão até 20, as médias vão até 50 e as grandes a partir de 50 funcionários. O tamanho do faturamento da empresa, no entanto, também pode diferenciá-la do grupo das demais.

O que mais as Micro e Pequenas Empresas precisam é de apoio creditício, visto que o empresário sabe o que fazer, acredita na sua vocação como empreendedor, mas quando vai buscar crédito esbarra em barreiras por seu patrimônio ser pequeno para garantir o volume de crédito de que necessita. Ele não tem um ativo tão alto, quanto os bancos exigem e, além do crédito ser escasso, quando possível, a taxa de juros é a mais alta. Esse é o grande coro de pedido dos micro e pequenos empresários: redução da taxa de juros para investimentos produtivos. É um grande desafio governamental, ampliar essas condições para disseminar o processo de investimentos produtivos pelo país, já que são eles que geram emprego.

Alguns setores receberam benefícios no passado, mas não puderam ampliar seu volume de investimento, pois no momento que os benefícios chegavam, a demanda minguava e, para o empresário investir, precisa haver a demanda. Ele não vai investir sem expectativas positivas que lhe permitam retorno no curto e médio prazo. As dívidas chegam rápido e, no longo prazo, o micro e pequeno empresário já podem estar economicamente mortos. Em larga medida, isso explica porque investimentos de micro e pequenos empresários não conseguem se sustentar no longo prazo, o capital de giro acaba e o crédito não chega.

Outro problema que aflige as Micro e Pequenas Empresas, principalmente aquelas do setor industrial, é que a concorrência chinesa – pós-2000 – passou a impactar fortemente no mercado brasileiro, com baixa, ou reduzida inovação. As Micro e Pequenas Empresas nacionais, perderam competitividade em seus produtos para os similares chineses, e este foi um forte impacto que levou a decadência de milhares de Micro e Pequenas Empresas nacionais. No setor industrial, ainda é necessário algum grau de proteção, visto que a economia de mercado é muito boa, mas para que a mão invisível funcione adequadamente, a mão visível necessita de ajustes, de certo grau de regulação – veja-se o exemplo EUA e China – ou as economias menos desenvolvidas acabam criando espaços apenas para consumo e outras apenas para a produção de produtos de baixo valor agregado.

Esse é motivo, todavia, de amplo debate e que deve fazer parte de novas ações governamentais. Deve-se preparar, entretanto, para saber que tipo de Micro e Pequenas Empresas se quer ter no futuro, seja de que setor e segmento forem. Ao que parece, a tendência ao inovacionismo tende a uma corrida cada vez mais frenética. Diante disso, é preciso aparelhar cada vez mais o capital humano das economias menos desenvolvidas, para que as Micro e Pequenas Empresas tenham condições futuras de fazer frente às grandes economias competitivas.

Pensar agora em que tipo de configuração se quer para o futuro econômico é uma preocupação de todos. Em relação a gestores públicos, empresários, trabalhadores e consumidores, as ações de inovação devem alcançar todos os campos, é o que o futuro tende a exigir cada dia com mais clareza. As economias que se prepararem com foco no inovacionismo tendem a alcançar graus competitivos à frente das demais, apoiando-se nas iniciativas empreendedoras de Micro e Pequenas Empresas. Custos como de energia, transportes e infraestrutura em telecomunicações e, investimentos em capital humano - pesquisa e desenvolvimento - permitem modificações ágeis e podem ser determinantes ao sucesso das Micro e Pequenas Empresas, atuais e futuras.

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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