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Paulo Cruz
Paulo Cruz

Aglomerações Empresariais e Melhoria Competitiva

O caminho interativo para a busca da eficiência coletiva empresarial pode ser facilitado, quando o poder público oferece seu auxílio, promovendo as reformas institucionais necessárias ao desenvolvimento por meio de um aparelhamento que valorize as parcerias do poder público/privado, a fim de impulsionar novos investimentos. Vale enfatizar que, atualmente, em face do reconhecimento de que as aglomerações empresariais representam grandes possibilidades - oportunidades - para a melhoria da competitividade econômica coletiva, tanto as políticas de promoção de pequenas e médias empresas quanto as de promoção do desenvolvimento local e regional têm se voltado para elas. As parcerias público/privadas olhando para a melhoria competitiva das aglomerações empresariais, podem ser um promissor caminho para a melhoria competitiva coletiva.


Esse é o exemplo de casos, sobretudo, de países da União Européia. Esse exemplo de parcerias público privadas para a busca de melhoria competitiva empresarial local e regional, foi inicialmente observado em nações como: França, Itália, Alemanha e Reino Unido, entre outras. Na Itália, até início dos anos 80, enquanto pouco progresso econômico era observado no sul pobre (Segunda Itália), o noroeste, tradicionalmente rico (Primeira Itália), se defrontava com uma crise profunda, enquanto o nordeste e o centro mostravam um crescimento rápido, fruto da implementação do planejamento local regional e de parcerias público/privadas. A experiência italiana chamou a atenção internacional sobre ações de indução para a melhoria competitiva das aglomerações empresariais.

As parcerias público/privadas permitiram às empresas ganharem níveis de concorrência para participarem dos mercados internacionais, impulsionando a prosperidade econômica em diversas regiões desses países. Em cerca de 20 anos, as empresas dessas regiões ganharam notoriedade internacional, fruto de especial planejamento regional que passou por forte indução de parcerias público/privadas, alcançando os mais altos degraus da escala regional de renda. Essas regiões passaram a ganhar empregos qualificados, com maior obtenção de renda e maior poder de consumo de sua população, além de chamar a atenção de populações de outras regiões que para lá migraram, em busca de prosperidade, implementando o mercado local. O volume de renda per capita das regiões envolvidas - pelo planejamento regional - alcançaram uma renda per capita muito superior a das demais.

Alguns atributos são comuns para a articulação das aglomerações empresariais como proximidade geográfica, especialização setorial, predominância de pequenas e médias empresas, colaboração estreita entre as firmas, competição entre as empresas - baseada em inovação -, cultura que favoreça a confiança, escolas e universidades com boa formação de quadros técnicos, instituições formadas de auto-ajuda ativas e, governos regionais e municipais, apoiadores do planejamento regional.

Como crescimento e desenvolvimento econômico é um processo que está sempre em formação e ajustes. Observa-se que o momento é propício para iniciar novos processos para novos desafios de desenvolvimento local e regional, fortemente amparado em parcerias público/privadas, acompanhadas pelas instituições de suporte e indução ao desenvolvimento econômico local e regional. O foco principal desse processo é que as empresas não caminham sozinhas, nem isoladas, elas precisam de parcerias para se desenvolverem e avançarem em seu processo competitivo. Sua força vem de economias externas - incidentais - e da ação conjunta deliberada, ambas facilitadas pela formação de parcerias complementares público/privadas, acompanhadas pelas instituições de indução, cooperação e coordenação locais e regionais.

São diversas fases que devem se suceder no planejamento local e regional. Dentro desse processo, muitos ajustes vão acontecendo e é necessário seguir uma certa hierarquia no processo de planejamento e implementação das ações para um novo padrão de desenvolvimento. As dificuldades iniciais estão na hierarquia de "quem faz o quê?". As empresas também vão passando por um período de reestruturação e adaptação para alcançarem o padrão desejado e essa adaptação precisa incluir, no longo prazo, o planejamento de nova mão de obra especializada que vai surgindo, dado que ela vai procurar sempre por setores de maior remuneração e melhores condições regionais de empregabilidade. Assim, o perfil da mão de obra também vai se remodelando e as empresas devem acompanhar o processo que exige cada vez mais eficiência técnica.

A tendência é que algumas empresas passem a produzir mais para o mercado regional e outras, melhor aparelhadas, mais para o mercado internacional, de tal forma que a mão de obra regional, esteja disposta para todos os segmentos produtivos, com um nível de treinamento de alta qualidade. O mais importante é que as microrregiões locais e regionais tenham condição de responder ao ambiente de crise, de forma coletiva, firme e coesa, em que o crescimento dessas aglomerações empresariais seja alimentado - ciclo a ciclo - mediante planejamento de longo prazo e com sistemáticos ajustes para a melhoria competitiva contínua.

 

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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