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Paulo Cruz
Paulo Cruz

As Empresas e a Criação de Competências

A presença das empresas em aglomerações empresariais locais e regionais - que praticam a cooperação - permite a essas empresas atravessar melhor as fases de dificuldade. As micro e pequenas tendem a possuir maior agilidade e flexibilidade em épocas de crise. Em função de uma extensa heterogeneidade e de uma pulverização de maior presença delas nas atividades econômicas, salienta-se a importância de uma política pública de apoio, principalmente no campo científico e tecnológico. As empresas podem ser dependentes, como no caso da subcontratação e da colaboração para busca de objetivos comuns e, independentes, quando se enfrentam pelo comportamento da competição e da demanda.


Existem as empresas de mercados competitivos onde a concorrência se dá via preço, baseada na competição dos baixos custos, menores salários e fraca inovação. As empresas de alta tecnologia estão inseridas em estruturas industriais dinâmicas e num caráter inovador em software e microeletrônica onde as mudanças tecnológicas se processam numa velocidade maior. Entre as empresas com modelos de coordenação, há uma empresa mãe ou um grupo de empresas líderes - normalmente médias e grandes - que comandam o processo das relações hierarquizadas, e as empresas de modelo comunitário e solidário possuem forte presença de sinergia entre elas. Em todos esses modelos, as ações conjuntas e coordenadas permitem-lhes ganhos e vantagens competitivas, pois, de outra forma, não seria possível a uma única firma atingir o sucesso competitivo, agindo isoladamente. Isto é uma forma de organização da produção que tem nas relações inter-firmas sua principal força de dinamismo, alcançando especialização flexível. É a busca de geração de uma eficiência coletiva que pode ser induzida por planejamento e cooperação entre empresas locais e regionais.

As empresas, entretanto, independentemente de seu porte, podem desenvolver-se, por meio da cooperação, construindo vantagens competitivas, dando corpo à eficiência coletiva manifestada nas aglomerações empresariais locais e regionais. As empresas também criam um sentimento de pertencimento ao local, ao grupo no qual atuam em cooperação, a tal ponto que é o nome do local e do grupo que está em jogo. O grupo tem forte relação com sua cadeia de produção quando produtores e fornecedores locais/regionais se intercambiam em matérias primas e produtos semi-acabados, envolvendo também a logística de distribuição. Logo, as parcerias, por meio de contratos formais e informais, passam a envolver diversas empresas locais e regionais na busca de melhorias competitivas.

A eficiência coletiva vai sendo construída com o tempo, alicerçando o processo competitivo empresarial e fortalecendo a identidade local/regional, seja do bairro, da cidade, da região metropolitana de Apucarana, Londrina e Maringá e do estado paranaense. Esse sentimento de pertencimento vem com o tempo e com as conquistas e adversidades vencidas. A eficiência coletiva se configura como vantagens competitivas para as empresas, derivando de externalidades locais e regionais, e de ações conjuntas, promovidas pelas empresas presentes em aglomerações empresariais locais e regionais, atuando em diversas atividades econômicas de um mesmo setor ou de setores afins.

A eficiência coletiva se realiza com a consolidação das aglomerações empresariais locais e regionais, engendrada pela concentração setorial, de localização, ambiente macroeconômico, evolução dos setores produtivos e movimentos sincronizados de produtos acabados e semi acabados dentro das cadeias produtivas, ou ex-ante e ex-post, locais/regionais, ou ainda a montante e a jusante. São fornecedores e subcontratados, compradores e traders - agências de apoio ao comércio exterior - onde se tem um fluxo de serviços de apoio, envolvendo logística de transportes, portos e aeroportos, tudo relativamente próximo, à disposição das aglomerações empresariais locais e regionais, assentados em iniciativas de planejamentos, cooperação e ação entre empresas e com o apoio do poder público.

Todos juntos atuam na busca da cooperação para a construção da eficiência coletiva e melhoria competitiva das empresas, das cidades, da região metropolitana e do estado. O problema das empresas, não é serem pequenas, mas sim por estarem isoladas. A construção de uma identidade coletiva, por meio de planejamento e ações conjuntas em cooperação com agentes privados e públicos, pode explicar o boom e o dinamismo econômico de muitas regiões que cresceram e se desenvolveram e são exemplos para o mundo.

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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