As apostas na reta final

Enquanto o candidato do PL ao governo do Paraná, senador Sérgio Moro, aposta em liquidar a eleição já no primeiro turno, domingo, dia 4 de outubro, seus principais adversários, Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD), trabalham com a convicção de que haverá segundo turno. E travam entre eles uma disputa particular para ver quem vai enfrentar Moro no segundo turno. Pela pesquisa da Paraná Pesquisas, divulgada nesta segunda-feira, Moro teria 50,1% dos votos válidos, o que lhe garantiria a vitória no primeiro turno. Requião Filho e Sandro Alex, por sua vez, estão tecnicamente empatados em segundo lugar. Se houver segundo turno, a tendência é que o candidato do governador Ratinho Junior, Sandro Alex, seja o adversário de Moro. A mobilização da máquina pública somada à dos prefeitos que têm gratidão por Ratinho fazem crer que Sandro Alex vai mesmo enfrentar Moro em eventual segundo turno, quando é uma nova eleição e tudo pode acontecer. Até mesmo uma virada, hoje considerada improvável por analistas políticos. Mas em eleição nada é definitivo. Quem não se lembra da eleição para o governo do Paraná em 1990? O então candidato a governador José Carlos Martinez terminou o primeiro turno com vantagem sobre Roberto Requião. Na primeira pesquisa do segundo turno, Martinez abriu mais de 20 pontos percentuais sobre Requião. Mas na campanha houve um fato novo, o caso Ferreirinha, que mudou tudo, e Requião acabou eleito governador. Martinez tinha uma eleição ganha, não soube administrar a campanha no segundo turno e levou uma virada histórica, seja pelo caso Ferreirinha, seja por falta de estratégia política. O fato é que perdeu. Não existe eleição ganha na véspera, nem perdida.
A briga pelo 2º turno
Pelos números da Paraná Pesquisas, se houver um segundo turno na eleição para o governo do Estado, tanto pode colocar na disputa com o senador Sérgio Moro o candidato do PDT, Requião Filho, como o candidato do governador Ratinho, Sandro Alex, do PSD. Pela pesquisa, Requião Filho tem 23,6% contra 21,5% de Sandro. Estão empatados dentro da margem de erro do instituto, que é de 2,8 pontos percentuais. Semana muito decisiva.
A liderança de Moro
Ainda de acordo com a Paraná Pesquisas, o candidato ao governo do PL, senador Sérgio Moro, lidera com folga a disputa até aqui pelo Palácio Iguaçu. Ele tem na pesquisa 46,2% dos votos no cenário estimulado. Na pesquisa espontânea, Moro lidera com 33,4% contra 14,2% de Requião e 13% de Sandro. Na percepção de vitória, independente do candidato escolhido pelo entrevistado, 52,7% apontam Sérgio Moro como vencedor da eleição.
Aposta nos indecisos
Segundo ainda o instituto Paraná Pesquisas, os indecisos podem tanto decidir a eleição no primeiro turno como também levá-la para o segundo turno. Aparentemente são poucos, apenas 3,7% do eleitorado, mas o suficiente para decidir se a eleição se encerra neste dia 4 de outubro ou vai até o dia 25. A Paraná Pesquisas ouviu 1.280 eleitores em 60 municípios do Estado, entre 25 e 27 de setembro, e a pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral.
Indecisão no Senado
Faltando exatos seis dias para as eleições de 4 de outubro, ainda é impossível dizer quem vai ocupar as duas vagas de senador no Paraná, eleição em turno único. Pelo menos quatro candidatos são considerados fortes pelas pesquisas até aqui divulgadas: Deltan Dallagnol (Novo), Alexandre Curi (Republicanos), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT). Corre por fora ainda a jornalista Cristina Graeml (PSD).
O apoio dos prefeitos
O candidato ao Senado pelo Republicanos, deputado estadual Alexandre Curi, tem o apoio incondicional da grande maioria dos prefeitos do Estado. Mesmo os prefeitos que apoiam o senador Sérgio Moro ao governo não escondem a preferência por Curi no Senado, o que pode lhe garantir uma das cadeiras. Já Filipe Barros e Gleisi Hoffmann apostam no voto ideológico. Filipe é de direita, Gleisi é da esquerda. Tudo imprevisível.
ELEITOR AINDA INDIFERENTE
Mesmo estando a poucos dias das eleições, o que se nota é um eleitorado totalmente alheio ao processo eleitoral. A não ser as pessoas que de uma forma ou outra estão envolvidas na eleição, o povo mesmo, ao que parece, vai comparecer às urnas por pura obrigação, já que o voto no Brasil não é facultativo. O que os observadores políticos dizem que as pesquisas não estão captando são os eleitores que vão votar nulo e branco, inclusive nas eleições majoritárias. Em eleições passadas, o número de brancos e nulos era mais voltado para as eleições de deputado estadual e deputado federal. Neste pleito, no entanto, o voto nulo e branco para o Senado, governador e Presidente da República pode surpreender se comparado ao de eleições anteriores. O povo estaria descrente da política e dos políticos, segundo esses analistas. É conferir a abertura das urnas para ver se é isso mesmo.
Vapt Vupt
* Só a partir deste final de semana começou a aparecer em Apucarana algum material de campanha exclusivo do candidato ao governo Sandro Alex, do PSD. São alguns wind banners, de formato pequeno, que tremulam pelo centro da cidade. É o único material de campanha dele na cidade.
* Muitos carros têm surgido em Apucarana com adesivos do candidato a deputado federal Neto, do partido Novo. Da mesma forma, têm aparecido dezenas e dezenas de wind banners dele e muitos cabos eleitorais espalhados pela cidade. São voluntários? Ou são pagos a peso de ouro?
* Se a Justiça Eleitoral agir com rigor na prestação de contas dos candidatos, muito caixa dois vai aparecer com certeza. Tem candidato despejando dinheiro a rodo, pagando tudo por fora. Nada documentado. É abuso do poder econômico. É tipo compra de mandato eletivo.
* O apresentador e empresário Ratinho, pai do governador Ratinho Junior, não tem medido esforços em participar de carreatas pelo Paraná afora em favor da campanha de Sandro Alex. Ele esbanja otimismo em relação ao que poderá sair das urnas neste domingo, 4 de outubro.
