Blog do Guilherme Bomba

Em meio aos ataques políticos, o que é a verdade?

Hoje me sinto tentado a resgatar apenas um ponto essencial das discussões políticas: a verdade; saiba mais

Da Redação ·
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Hoje voltarei um pouco às minhas origens políticas, não digo de partidarismo, mas da Ciência Política que tanto me agrada
fonte: Pixabay- ilustração
Hoje voltarei um pouco às minhas origens políticas, não digo de partidarismo, mas da Ciência Política que tanto me agrada

Hoje voltarei um pouco às minhas origens políticas, não digo de partidarismo, mas da Ciência Política que tanto me agrada. Aos que se recordam, escrevo nesta coluna desde 2017, por um hiato desapareci e retornei falando apenas de educação. Ainda que compreenda que a educação é sempre o cerne da política, hoje me sinto tentado a resgatar apenas um ponto essencial das discussões políticas: a verdade.

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Nascido em Londrina, cresci assistindo um programa policial, coisa que eu jamais deixaria meus filhos assistirem hoje, mas o apresentador tinha uma frase que marcou minha geração: “existem três versões: a da vítima, a do bandido e a verdadeira”. Poderia estar comentando Nietzsche e o relativismo da verdade, mas Carlos Camargo, o apresentador, mencionava que os discursos sobre um fato sempre tinham ao menos três versões e não apontava qual seria a verdadeira.

Em tempos de fake News as coisas parecem ter saído do eixo. Não abordarei aqui posições políticas, não é meu intento, a história me mostrou que certas coisas devem ser evitadas, mas a relativização da verdade para agradar estes ou aqueles, é algo real e presente a cada dia mais em nossas vidas. Um discurso pode ser tirado de seu foco, colocado ante uma música tenebrosa e com ares malignos e, assim, atender a demanda dos que querem distorcê-lo. Sócrates dizia que na busca pela verdade poderíamos cair em erro, enquanto os sofistas relativizavam a verdade. Adivinhe qual seguimos em nossa democracia moderna? A relativização realizada pelos sofistas é muito distante da proposta por Nietzsche, já que para os primeiros haveriam muitas verdades, enquanto para o filósofo alemão está mais ligado ao período e às instituições que a compõem.

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No ceticismo absoluto, era impossível se chegar à verdade, já que a razão é e opera de forma individual e os sentidos (os 5 sentidos mesmo) levavam ao erro – nem tudo que vejo é como vejo, como dizia Pirro. No ceticismo relativo, Protágoras com seu subjetivismo, dizia que conhecemos aquilo que queremos conhecer, a verdade não está no objeto, mas naquele que quer conhecer. O relativismo cético dizia que a verdade depende de seu tempo, afinal, houve uma época em que a Terra era o centro do universo, baseado no dogmatismo, coisa que abordaremos em outros momentos.

No mundo cristão, disse Jesus: “eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Não há nada mais que cristão do que a busca pela verdade, mas ainda assim, não podemos nos esquecer que temos que romper as correntes do obscurantismo para chegar a ela. Não importa qual seja o seu interesse, a verdade não pode ser distorcida para atendê-los. Usamos o medo do outro como ferramenta para fazer a nossa verdade.

Crescemos ouvindo histórias que não eram verdadeiras, mas tinham o objetivo de nos ensinar através de exemplos. Os psicólogos chamam isso de “efeito da verdade ilusória”, afirmações familiares, que ouvimos várias vezes, nos parecendo confiáveis apenas em virtude da repetição, mesmo que ninguém saiba a fonte. O ministro nazista Joseph Goebbels nunca disse que “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”, mas de tanto ouvirmos isso, se tornou também verdade.

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Por fim, não acredite em ninguém, nem mesmo em mim ou em você. As refutações colocam em xeque as visões de mundo de alguém, que seja a sua a primeira delas. Não há notícia sem intenção, não há texto sem interesse. Acho que o meu seja fazer você pensar, mas até isso pode ser mentira, afinal, qual a verdade?

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