PSDB irá tratar caso de FHC como drama pessoal

Autor: Da Redação,
quinta-feira, 18/02/2016

MARIANA HAUBERT
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - As denúncias feitas pela jornalista Miriam Dutra de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria usado a empresa Brasif S.A. Exportação e Importação para enviar dinheiro ao exterior para mantê-la com o filho Tomás na Europa serão tratadas pelo PSDB como um assunto pessoal e um drama particular do tucano.
Em entrevista à Folha de S.Paulo nesta quarta (17), Miriam revelou detalhes de sua relação extraconjugal com o ex-presidente da República, a quem ela atribuiu a paternidade de seu filho.
Segundo o líder do partido no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), o caso é estritamente pessoal. "Todos sabem do reconhecimento que ele faz do filho, que ele mantém o filho e as contas no exterior, de forma legal", disse.
O senador afirmou que o partido não irá tomar nenhuma iniciativa para sair em defesa do ex-presidente neste momento mas que se provocações forem feitas por adversários políticos, os tucanos reagirão. "Nunca misturamos assuntos pessoais de nossos adversários no embate político. Mas se houver provocação, estamos prontos para fazer a disputa com qualquer arma", afirmou.
De acordo com Lima, diversos parlamentares do PSDB entraram em contato com FHC nesta quinta para prestar-lhe solidariedade. Aos correligionários, o ex-presidente confirmou que paga as contas de Tomás mesmo que dois testes de DNA realizados em 2009 tenham dado negativo.
"Fernando Henrique reconheceu o filho apesar dos exames de DNA negativos, tanto que Tomás o chama de pai. Ele manteve o pagamento das despesas do filho através de contas legais e declaradas. Trata-se de trazer para o ambiente de crise uma questão pessoal", disse.
Ainda segundo Lima, FHC negou aos colegas que os recursos fossem da Brasif e garantiu que o dinheiro enviado é seu. O senador disse também que Tomás teria ligado para Fernando Henrique nesta quinta.
O tucano afirmou ainda que esta é a primeira vez que um assunto pessoal é tratado dessa forma pela imprensa. "Mesmo no caso de Rosemary Noronha, o assunto sempre foi tratado como sendo ela uma amiga íntima de Lula, nunca dessa forma, desse nível", afirmou.
"É no mínimo estranho ela falar justo agora, depois de 35 anos de silêncio, no momento em que o país vive as atuais circunstâncias. Mas isso se revela com o tempo, nada fica escondido", completou.