Para salvar Cunha, PTB troca integrante no Conselho de Ética

Autor: Da Redação,
segunda-feira, 15/02/2016

DÉBORA ÁLVARES E RANIER BRAGON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O PTB, liderado por Jovair Arantes (GO) -aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)-, trocou seu representante no Conselho de Ética da Casa, onde é julgado o processo de cassação do mandato do peemedebista.
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que chegou a disputar a presidência do Conselho apoiado por Cunha no início de 2015, foi substituído por Nilton Capixaba (PTB-RO).
Na justificativa de sua renúncia ao Conselho, Arnaldo alegou que foi um pedido do líder de seu partido. Os integrantes do colegiado são eleitos para mandatos de dois anos e, ao contrário das demais comissões da Casa, não podem ser substituídos a qualquer tempo pelos líderes.
À reportagem, o deputado explicou ter cedido a cadeira para não perder nenhuma outra vaga em comissões permanentes.
Questionado sobre o que teria motivado o pedido de Jovair, o parlamentar afirmou: "Ele [líder] não me falou nada, só me pediu a vaga, mas a dedução é lógica. Até porque, ano passado, fui sondado previamente sobre se manteria o voto e eu disse que manteria".
Arnaldo Faria de Sá foi um dos 11 integrantes do Conselho de Ética que votou favorável ao relatório de Marcos Rogério (PDT-RO) pela admissibilidade do processo de cassação de Cunha. O placar apertado, 11 a 9, pode mudar com a troca de cadeiras.
O líder do PTB, Jovair Arantes, nega interferência de Eduardo Cunha ou qualquer relação do assunto com o fato de Arnaldo Faria de Sá ter se posicionado contrário à Cunha.
"Ele votou e vota em tudo do jeito que quis e quer. Não fiz nenhuma censura a ele", afirmou o deputado, que completou ainda: "Em uma bancada de 25 deputados, não dá para um deputado ficar em todas as comissões. O PTB terá vaga ou em Seguridade Social ou em Trabalho, que são áreas com as quais ele [Arnaldo] sonha. Preferiu ficar com as comissões permanentes".
O novo membro do Conselho de Ética, Newton Capixaba, já foi alvo de um processo de cassação no colegiado em 2006 por acusação de envolvimento na chamada "máfia dos sanguessugas", como ficou conhecido o escândalo de compra de ambulâncias superfaturadas com emendas parlamentares.