Picciani faz ofensiva para que ministros participem de eleição do PMDB

Autor: Da Redação,
segunda-feira, 15/02/2016

GUSTAVO URIBE E DÉBORA ÁLVARES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Na tentativa de garantir sua reeleição, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ), iniciou ofensiva para contar com os votos dos ministros Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) na eleição interna marcada para quarta-feira (17) que definirá a liderança da bancada peemedebista até o ano que vem.
Nesta segunda-feira (15), o deputado federal buscará os dois ministros para questioná-los sobre a disponibilidade de deixarem as respectivas pastas por um dia e retomarem seus mandatos na Câmara dos Deputados para participarem do pleito parlamentar.
Perguntado se deixará o comando da pasta para participar da eleição interna, Castro não excluiu a possibilidade e disse não haver "nenhuma decisão" sobre o tema. "Não discutimos com ninguém em profundidade sobre o assunto", disse.
O peemedebista é o candidato favorito do Palácio do Planalto para vencer a eleição interna, mas a presidente Dilma Rousseff tem demonstrado resistência em permitir a saída de Castro neste momento, quando o país enfrenta um surto de microcefalia.
O receio é de que a saída do ministro, nem que seja por apenas um dia, passe a mensagem de que o governo federal tem priorizado a eleição de um aliado na Câmara dos Deputados ao combate ao vírus da zika, apontado como o responsável pelos casos de microcefalia.
O Palácio do Planalto também tem a preocupação de que a participação dos ministros demonstre o envolvimento direto do governo federal na eleição interna e prejudique a tentativa de aproximação com Hugo Motta (PMDB-PB), adversário de Picciani.
Com a possibilidade de derrota do atual líder, os ministros Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Edinho Silva (Comunicação Social) se reuniram com Motta no início do ano, na tentativa de garantir uma interlocução com ele caso saia vitorioso.
No aceno mais explícitos nesses encontros, Motta se comprometeu a, caso eleito, não indicar para a comissão especial do impeachment apenas deputados favoráveis ao afastamento da presidente.
A candidatura do deputado é vista como resultado da articulação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para impedir a recondução de Picciani ao cargo.