O Paraná fecha o mês dedicado às mulheres com uma série de ações voltadas ao atendimento das paranaenses, especialmente às vítimas de violência doméstica. O governador Carlos Massa Ratinho Junior sancionou nesta segunda-feira (31) a lei que institui o Programa Recomeço , que prevê o pagamento de um auxílio às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. O anúncio foi feito na abertura do Encontro Estadual Cuida Mais Paraná, em Curitiba.
Por meio do programa, o Auxílio Social Mulher Paranaense oferecerá um suporte financeiro equivalente a 50% do salário-mínimo nacional para mulheres em situação de vulnerabilidade, permitindo que reconstruam suas vidas com segurança e autonomia. O texto também estabelece ações integradas com empresas privadas e a sociedade civil, ampliando as oportunidades para as beneficiárias.
LEIA MAIS: 313 cidades do Paraná entram em alerta de tempestade“É um amparo para muitas mulheres que sofrem violência dentro de casa e que não têm dinheiro para sair de casa, por depender financeiramente do agressor. Então nós vamos dar uma renda mínima para que essas mulheres possam recomeçar suas vidas com liberdade financeira para poderem tocar suas vidas”, afirmou o governador.
Com a sanção da lei, o texto agora será regulamentado via Decreto Estadual para início da concessão do auxílio. Para receber o auxílio, a mulher deve atender a alguns requisitos: ter se afastado da residência ou mudado de município por risco iminente de morte ou grave ameaça, possuir medida protetiva de urgência em vigor, estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica e residir no Paraná.
As prioridades serão concedidas às vítimas de tentativa de feminicídio ou homicídio, àquelas que tenham sofrido lesão corporal grave ou gravíssima, gestantes, lactantes, mães de crianças de zero a seis anos ou responsáveis por dependentes com deficiência, além de mulheres idosas ou com deficiência. A concessão do auxílio será individual e intransferível, sem impacto na composição da renda familiar para acesso a outros benefícios sociais estaduais e federais.
A Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi) será a responsável pela execução do programa e concessão do auxílio, em parceria com órgãos municipais. O benefício será concedido a mulheres em situação de violência doméstica e/ou familiar que apresentem risco elevado, conforme avaliação feita por meio do Formulário Nacional de Avaliação de Risco.
“Queremos que as mulheres sejam protagonistas de suas histórias, possam prosperar e o programa Recomeço permite que ela rompa vínculos com o agressor e possa iniciar uma vida em um ambiente seguro”, refletiu a secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Leandre Dal Ponte.
Segundo ela, o programa também prevê a construção de acolhimentos regionalizados para o atendimento de mulheres vítimas de violência, além de parceria com empresas que poderão aderir ao programa e receberão subvenção financeira como forma de incentivo para contratar essas mulheres.
Na avaliação da desembargadora do Tribunal de Justiça, Priscilla Placha Sá, a medida amplia e fortalece uma rede de proteção formada por todos os poderes e sociedade civil. “Esse valor é muito importante porque os estudos mostram que o que acaba por manter a mulher em situação de violência é a dependência financeira, um caso complexo e esse auxílio visa a autonomia”, disse.
TRABALHO EM REDE – Para garantir que as mulheres tenham acesso ao programa Recomeço, o Governo do Estado contará com uma parceria com a Defensoria Pública do Paraná, por meio do projeto Ampara - Atendimento à Mulher Paranaense, também lançado durante o evento.
O serviço oferecerá atendimento online e gratuito para mulheres em situação de violência doméstica e familiar no Estado. O Ampara conta com uma equipe multidisciplinar composta exclusivamente por mulheres, garantindo sigilo, segurança da informação e acolhimento especializado.A previsão é de que o Ampara seja uma das portas de entrada para que a mulher vítima de violência acesse o auxílio do programa Recomeço.
“O Ampara nasce para ampliar o alcance do trabalho da Defensoria Pública, usando a inovação e a tecnologia para disponibilizar serviços para a população. A plataforma utilizada pelo programa será usada como porta de entrada para o Recomeço, pois a mulher vítima de violência que chegar através da Defensoria e se enquadrar nos critérios do Recomeço, já será direcionada para já ter acesso ao auxílio”, detalhou o defensor-público-geral do Paraná, Matheus Munhoz.
O programa da Defensoria Pública auxilia as vítimas na solicitação de medidas protetivas de urgência, acompanhar medidas já em vigor, receber suporte de psicólogas e assistentes sociais, realizar chamadas de vídeo para escuta especializada, denunciar casos de violência obstétrica e violência contra mulheres indígenas, além de obter informações sobre locais de atendimento presencial. A primeira-dama do Estado, Luciana Saito Massa, é madrinha do Ampara e vai ajudar a disseminar o serviço em todos os municípios do Paraná.
DRAUZIO VARELlA
O médico oncologista, cientista e escritor Drauzio Varella, um dos principais nomes da saúde pública no País, abriu a programação com uma palestra sobre “Cuidado, Equidade e Reconhecimento: Desafios e Caminhos para o Fortalecimento das Mulheres, Idosos e Políticas Públicas Inclusivas”.
Durante quase uma hora, Drauzio abordou aspectos da vida humana desde a infância até a velhice, sobretudo neste momento em que ocorre uma mudança na pirâmide etária. “Éramos um País jovem, com muitas crianças e poucas pessoas mais velhas, onde a expectativa de vida era curta. Ainda peguei o tempo em que poucos chegavam aos 60 anos. Hoje mudou tudo. Você não encontra uma família que não tem alguém mais velho, às vezes com muita idade, precisando de acolhimento e atenção, e nós não estamos preparados para isso”, afirmou.
Hoje a expectativa de vida no Brasil é de 76,4 anos. Mas, segundo o cientista, esses números podem ser ainda maiores, com mulheres vivendo, em média, 93 anos, enquanto que os homens possuem uma média um pouco menor, de 88 anos.
Ele também ressaltou o papel das mulheres, que têm se transformado ao longo da história, ampliando sua participação na sociedade. Entretanto, existem diversos desafios a serem superados.