ATUALIZADA - Turquia ordena prisão de 35 jornalistas

Autor: Da Redação,
quinta-feira, 10/08/2017

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça turca expediu, nesta quinta-feira (10), mandados de prisão contra 35 profissionais da imprensa no âmbito de uma investigação sobre seus vínculos com o suspeito de planejar a tentativa de golpe de 2016 no país, o clérigo Fetullah Gülen, autoexilado nos EUA, informou a agência de notícias pró-governo Anatolia.

Nove pessoas, incluindo ex-colaboradores, ou funcionários atuais de veículos de comunicação turcos, foram detidos, relatou a Anatolia, acrescentando que essas pessoas estão sendo procuradas por "pertencimento a uma organização terrorista".

A polícia continuava nesta quinta as operações para deter as outras 26 pessoas.

Burak Ekici, um dos chefes de redação do jornal de oposição "Birgun", anunciou sua própria detenção por meio de uma rede social. Segundo ele, a polícia apreendeu seu telefone e seu computador.

As organizações de defesa da liberdade de imprensa denunciam, regularmente, os ataques por parte das autoridades turcas, especialmente depois da tentativa de golpe de julho do ano passado.

Nesses 12 meses desde o levante frustrado, 55 mil pessoas foram presas e 140 mil funcionários públicos foram demitidos, incluindo militares, professores e juízes, por suposta relação com o movimento civil Hizmet, liderado por Gülen.

Além do expurgo no Executivo, líderes de partidos da oposição também estiveram entre os presos. O cerco atingiu também a imprensa, levando ao fechamento de 149 meios de comunicação e à detenção de 269 jornalistas.

Em um ranking de 2017 sobre a liberdade de imprensa elaborado pela organização Repórteres sem Fronteiras, a Turquia ocupa o 155º lugar de uma lista de 180 países.

A Turquia se mantém em estado de emergência desde a intentona.

O movimento também serviu para que o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, impulsionasse um plebiscito, em abril deste ano, para aumentar seus poderes -Erdogan venceu por margem apertada.

Para dois partidos da oposição, o governo turco perdeu a oportunidade de unir o país. O líder do Partido Republicano do Povo, Kemal Kilicdaroglu, criticou as investigações e o fato de o governo continuar em emergência.

O vice-presidente do Partido Democrático do Povo, aliado da minoria curda, afirmou que o expurgo atingiu pessoas contrárias ao golpe e opositores políticos.

Quando a tentativa de golpe fez um ano, Erdogan disse que os acusados do levante deveriam usar nas cortes uniformes laranjas iguais aos prisioneiros da base americana de Guantánamo.

A declaração aludia a um dos presos na intentona, que foi a um tribunal com uma camiseta com a palavra "hero" (herói, em inglês).