ATUALIZADA - Comey admite que vazou memorando por temer mentiras de republicano

Autor: Da Redação,
quinta-feira, 08/06/2017

ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Uma das principais revelações do depoimento do ex-diretor do FBI James Comey ao Senado nesta quinta (8) foi a confissão de que ele tomou a decisão de vazar à imprensa o memorando escrito após o encontro com o presidente Donald Trump em fevereiro.

Segundo Comey, ele achou que divulgar que Trump havia pedido para que ele encerrasse a investigação sobre o ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn forçaria o Departamento da Justiça a colocar um conselheiro especial independente à frente da investigação sobre a Rússia.

O ex-diretor então entregou o memorando a um amigo -o professor da Universidade Columbia Daniel Richman-, que repassou o documento ao "New York Times".

"Eu pedi a ele porque achei que isso [a revelação da conversa sobre Flynn] poderia incentivar a indicação de um conselheiro especial", disse.

Dois dias após a publicação, o Departamento da Justiça nomeou o ex-diretor do FBI Robert Mueller para acompanhar a investigação.

Essa também foi a primeira vez em que Comey disse que Mueller tem todos os memorandos que foram escritos por ele após os encontros com Trump. Questionado se eles seriam prova de obstrução da Justiça, o ex-diretor disse que a avaliação cabe a Mueller.

O advogado pessoal do presidente, Mark Kasowitz, sugeriu que Comey poderia ser investigado por vazar para a imprensa um memorando de conversa na Casa Branca.

Comey disse aos senadores que começou a registrar o teor de seus encontros com Trump porque estava "realmente preocupado que ele poderia mentir sobre a natureza" das conversas.