Polêmica do colégio militar agora está no Heitor Furtado

Autor: Da Redação,
segunda-feira, 14/02/2022
Polêmica do colégio militar agora está no Heitor Furtado

A polêmica sobre a mudança de colégios tradicionais para um modelo cívico-militar agora já envolve uma segunda escola de Apucarana. Depois de toda a confusão estabelecida envolvendo a comunidade escolar do Colégio Polivalente, agora o caso envolve também a alunos, pais de alunos, professores e direção do Colégio Estadual Heitor Cavalcanti de Alencar Furtado, que fica no Núcleo Habitacional João Paulo I. O colégio tem 580 alunos.

Pais de alunos foram chamados para uma reunião com a direção do Colégio na noite desta segunda-feira (14), com início às 19h. O diretor do Núcleo Regional de Educação, Wladimir Barbosa da Silva explicou que a reunião seria para tratar de alguns assuntos escolares, entre os quais, o projeto do colégio cívico-militar em parceria com o governo federal, nos mesmos moldes da proposta apresentada à comunidade do Polivalente, na semana passada.

“Se os pais aprovarem a proposta nessa reunião, aí sim haverá uma consulta pública aberta à toda a comunidade escolar, na próxima quinta-feira (17) à noite”, disse o professor. No entanto, já a partir da experiência obtida no colégio Polivalente, Wladimir Barbosa diz que, se houver consulta pública, a manifestação da comunidade escolar será mediante voto impresso e não mais por aclamação, como ocorreu no Polivalente.

Na tarde desta segunda-feira (14), parte da comunidade escolar do Colégio Heitor Furtado também já se mobilizava, pelas redes sociais, para fazer uma manifestação contrária ao projeto cívico-militar, na frente da escola, no mesmo horário em se ocorreria a reunião com os pais.

Um dos participantes desse grupo, Jean Marcos de Assunção e Oliveira, disse que a proposta não faz sentido. “O que esses pais contrários ao projeto estão argumentando é que o Colégio já é bom, tem um dos melhores IDEB do Núcleo”, diz. E completa o raciocínio: “Se já é bom, para que mudar?”. Inclusive sobre a reunião marcada para essa noite, Jean informa que a única pauta que consta no bilhete entregue aos pais é o projeto cívico-militar. “Não tem nenhum outro assunto em pauta dessa reunião”, reitera.

POLIVALENTE

Enquanto a comunidade escolar do Heitor Furtado começa a se movimentar sobre a proposta de mudança para o modelo cívico-militar, o Polivalente está longe de superar a polêmica gerada com a forma como a proposta chegou e foi avaliada.

De um lado, professores e alunos, reforçados por pais e responsáveis de alunos, contrários ao projeto cívico-militar, articulam uma manifestação para esta terça-feira (15), com o objetivo de reiterar a rejeição à proposta. De outro lado, um grupo de pais e responsáveis foi nesta segunda-feira ao Ministério Público, onde entregou um abaixo-assinado e um documento em que relatam uma série de falhas que teria ocorrido na consulta pública, realizada na semana passada, que resultou na rejeição à mudança do colégio para o modelo cívico-militar. Esse grupo é favorável à mudança no colégio.

Como se recorda, a proposta de mudança do colégio surgiu na segunda-feira passada (07) e a comunidade deveria se manifestar sobre o projeto até quinta-feira (10), quando seria realizada a consulta pública. Sem muitas informações e alegando falta de tempo para conhecer melhor o projeto e até experiências já existentes no Estado, a comunidade se manifestou contrária ao projeto.

Mas a votação foi apertada. Feita por aclamação, foram apresentados 274 votos contrários à mudança e 230 votos favoráveis, uma diferença de apenas 44 votos.

Um grupo de pais favoráveis à mudança passou a contestar o resultado da consulta. Segundo eles, o processo teria sido manipulado por professores contrários ao projeto. Segundo esse grupo, várias pessoas que não poderiam ter votado participaram do processo. Por isso, o grupo foi, ainda na semana passada, ao NRE pedir o cancelamento do resultado da consulta para o chamamento de nova consulta e também apresentou o documento no Ministério Público.

“Optamos por fazer esse documento e apresentá-lo ao Ministério Público, orientados por advogados. Assim, o caso andaria mais rapidamente”, disse um dos representantes do grupo, Juviniano Fideles de Moura. Ele informa que por isso o grupo optou, por hora, em não entrar com um mandado de segurança, conforme anunciado na quinta-feira passada. “Mas se por esse caminho não conseguirmos, vamos entrar com o pedido de mandado”.

Juviniano informou que a promotora que atendeu o grupo acolheu a documentação apresentada e teria informado que irá fazer um pedido de esclarecimentos ao Núcleo Regional de Educação e à direção do Colégio Polivalente.