Eleitorado feminino apto a votar é maioria em Apucarana; saiba mais

Autor: Da Redação,
segunda-feira, 08/08/2022
O número de eleitores que vão utilizar nomes sociais (transexuais e transgêneros), por outro lado, quadruplicou

O perfil dos eleitores aptos a votar em outubro em Apucarana e Arapongas revela um eleitorado formado por uma maioria de mulheres e com baixa escolaridade nos dois municípios. O levantamento foi elaborado pela Tribuna com base em dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em Apucarana, as mulheres respondem por 54% dos votantes (50.870) contra 46% (43.751) dos homens. Percentualmente, são os mesmos índices da última eleição presidencial há quatro anos. 

O número de eleitores que vão utilizar nomes sociais (transexuais e transgêneros), por outro lado, quadruplicou. Eram apenas quatro em 2008 e agora somam 20. 

Em relação à faixa etária, os eleitores estão mais experientes nesta votação. O maior número de votantes está na faixa etária entre 45 e 59 anos (26,02%), seguida de 25-34 anos (19,57%), 35-44 anos (19,47%) e 60-69 anos (13,08%). Os jovens são minoria: 16 anos (0,32%), 17 anos (0,56%), 18-20 anos (3,73%) e 21-24 anos (7%). 

Os idosos somam uma fatia importante também dos eleitores. Os votantes entre 70-79 anos somam 7,4% e acima de 80 anos outros 2,84%. 

Por outro lado, a escolaridade em Apucarana é baixa. Apenas 13,05% têm ensino superior completo e 7,35% incompleto. A maioria tem apenas o ensino médio concluído, somando 26,74%. É grande o número de votantes com pouca escolaridade: ensino fundamental incompleto (23,6%); ensino médio incompleto (14,32%), ensino fundamental completo (7,93%), lê e escreve (4,07%) e analfabeto (2,88%). 

Os casados somam (46%), enquanto solteiros 43%. Os demais são divorciados, viúvos ou separados. Há quatro anos, os casados somavam 48% na cidade.

ARAPONGAS 

Em Arapongas, o panorama é muito parecido. As mulheres representam 53% do eleitorado (44.147) contra 47% dos homens (38.543). São 15 votantes com nome social nesta eleição. 

A faixa etária com mais eleitores é também entre 45 a 59 anos (27,2%), seguida de 35-44 anos (20,1%) e 25-34 anos (19,2%). 

A formação escolar também é baixa. São 13,8% com curso superior completo e 6,8% com superior incompleto. A maioria – 30,11% - tem ensino médio completo. Outros 23,14% têm ensino fundamental incompleto; 12,13% ensino médio incompleto; 3,65% leem e escrevem; e  1,37% analfabetos.

Os casados em Arapongas somam 49% contra 39% de solteiros. Os demais são divorciados, separados ou viúvos. Em 2018, o número de casados somava 52% na cidade.

Situação econômica pode decidir o voto

O professor de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Cenci, afirma que nesta votação, mais importante do que o perfil do eleitorado, é a situação econômica do País. “Sempre digo que o supermercado é quem decide uma eleição presidencial”, afirma o cientista político, fazendo referência ao aumento de preços e do custo de vida da população. 

Para Elve Cenci, a eleição de 2018 foi “atípica” e agora em 2022  voltará a ser “tradicional”. “A eleição de 2018 juntou uma série de coisas, desde a crise econômica, a Lava Jato (operação que mirou a corrupção nos governos petistas) até o desgaste do PT, com muitos anos no poder. Isso gerou uma fórmula perfeita para a ascensão de Bolsonaro (Jair Bolsonaro, eleito presidente em 2018 e que busca a reeleição em 2022), que encabeçou o discurso antissistema e a pauta anticorrupção”, afirma. Esse contexto trouxe à tona o eleitorado conservador, que continua militando nesta eleição, mas sem tanta influência, na sua opinião. 

“Esse perfil conservador tem 30% dos votos. É fiel, assim como Lula e o PT tem outros 30%. O que vai decidir, na minha opinião, voltará a ser de novo o debate da pauta econômica, da inflação, do salário, renda, o desemprego...”, afirma. Tanto é, segundo Elve Cenci, que o presidente Jair Bolsonaro tem acelerado neste ano eleitoral algumas políticas econômicas e sociais. “O que determina eleição se chama supermercado. Não tem pauta de costumes ou de valores que possa gerar um impacto maior do que essa questão econômica”, avalia.

Texto, Fernando Klein