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Flagrantes de menores envolvidos no tráfico são frequentes na região

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BALANÇO

Flagrantes de menores envolvidos no tráfico são frequentes na região

Flagrantes de adolescentes envolvidos com uso e tráfico de drogas são frequentes. Um levantamento feito pelo 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM), que atende, além de Apucarana outros onze municípios da região, a pedido da Tribuna, revela que 36% dos flagrantes por tráfico de drogas nos últimos três meses envolvem adolescentes. Neste período, 27 menores foram apreendidos. Já quando o assunto é uso, a incidência é um pouco menor. ]

De janeiro a março, 47 adolescentes foram apreendidos, o que representa 30% do total das situações. Os dados são preocupantes e chamam a atenção para o problema. De acordo com a relações públicas do 10º BPM, tenente Kelly Wistuba de França, cerca de 80% dos casos são registrados em Apucarana. 

Para os conselheiros tutelares, André Reis Avelar e Jean Chemoune Rech, de Apucarana, os números revelam um cenário de desestrutura familiar, evasão escolar e falta de políticas públicas voltadas para atender o público jovem, em especial, o adolescente. Diante da carência de iniciativas e ausência dos pais, os adolescentes são acolhidos pelo tráfico. “A apreensão do adolescente por tráfico revela a ação do traficante, que paga até R$100 por dia, para que ele faça a distribuição de drogas”, observa André. Além de um valor considerável em mãos todos os dias, os conselheiros comentam que o traficante também faz o adolescente se sentir útil. “Ele (traficante) elogia e reconhece a atuação do adolescente, o que não acontece muitas vezes dentro de casa”, avalia Jean.

O distanciamento entre pais e filhos, no entendimento dos conselheiros, facilita o vínculo com o tráfico. “O problema começa na infância, muitas vezes, quando a criança passa o dia longe dos pais. Na adolescência, esse distanciamento fica ainda mais acentuado. E, quando entra em contato com o tráfico, acaba criando uma identidade com o mundo do crime, que pode permanecer por toda vida”, lamenta Jean. Os conselheiros orientam, mesmo diante da rotina de trabalho dos pais, que haja o fortalecimento do vínculo afetivo em casa. Além disso, André e Jean aconselham nunca deixar de impor limites aos filhos, de checar horários e as amizades. Outro ponto destacado pelos profissionais é a responsabilização dos pais, que deve ocorrer independente de estarem ou não casados. 

“É comum a Polícia Civil ter dificuldade de encontrar os pais, precisando acionar o Conselho Tutelar para fazer essa busca. Isso já demonstra a ausência dos pais”, argumenta André. De acordo com os conselheiros, a reincidência também é comum entre os adolescentes. 

“Eles sabem que não vão ficar internados, porque faltam vagas, e, por isso, voltam a cometer crimes. O crime de tráfico, conforme o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), é caso de internação, o que não ocorre. Isso dá a sensação de impunidade. Então, é preciso fazer com que as medidas previstas no Eca sejam cumpridas”, reforça Jean. Os conselheiros chamam a atenção para as próprias medidas aplicadas em Apucarana. 

“A alta reincidência mostra que as medidas aplicadas não estão tendo efeito e precisam ser melhor acompanhadas”, sugere. Não só o cumprimento precisa ser melhorado, segundo os conselheiros, mas também a oferta de opções atrativas tanto no campo do entretenimento, cultura, esporte, quanto da educação e capacitação profissional. “O que temos hoje em dia, em Apucarana, não é suficiente para atender a demanda. O Centro da Juventude não consegue atender a todos os adolescentes e também não é acessível aos jovens de todas as regiões do município”, avaliam. Serviços também são ofertados por outras instituições, mas, de acordo com os profissionais, existe uma carência, que precisa ser suprida para que o adolescente não entre para o crime ou consiga sair. 

“O adolescente precisa de atrativos e o problema é que não há políticas públicas suficientes, em especial por parte do Estado”, frisa André, com o aval de Jean. PM incentiva denúncia anônima Na avaliação da relações públicas do 10º BPM, tenente Kelly Wistuba de França, os flagrantes de tráfico e uso de drogas ocorrem geralmente mediante abordagem policial, blitz e denúncia anônima. “A Polícia Militar tem feito abordagens constantes com o objetivo de repreender o tráfico de drogas”, diz. 

A tenente observa que a participação de adolescentes tem aumentado. “Infelizmente, é uma realidade. O tráfico proporciona a entrada de dinheiro rápido, além do adolescente, em alguns casos, trabalhar para alimentar o vício, o que também faz aumentar a reincidência no crime”, diz. A oficial comenta que muitas apreensões são feitas durante operações e blitz de trânsito. “Por isso, nós pedimos que evitem informar os locais de blitz, porque a informação não chegará apenas a quem esteja com a documentação irregular, que não é o alvo da polícia, mas a criminosos”, observa.

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