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Palocci era interlocutor de Lula para tratar de doações, diz Emílio Odebrecht

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POLíTICA

Palocci era interlocutor de Lula para tratar de doações, diz Emílio Odebrecht

ESTELITA HASS CARAZZAI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Em novo depoimento à Justiça nesta segunda-feira (5), o empresário Emílio Odebrecht, presidente do conselho de administração do grupo Odebrecht, afirmou que o ex-ministro Antonio Palocci era o interlocutor preferencial do ex-presidente Lula para tratar de doações ao PT.

Segundo ele, não se falava em valores ou procedimentos nas conversas com o petista -acusado de se beneficiar de pagamentos ilegais feitos pela Odebrecht.

"Existia uma relação cerimoniosa. Ele indicava a pessoa dele, eu indicava a minha", declarou Emílio, em depoimento numa das ações contra Lula na Justiça Federal do Paraná.

Lula, porém, solicitava contribuições para o PT, segundo o empresário, e sempre indicava um interlocutor para tratar do tema. Na maioria das vezes, era Palocci.

Palocci é apontado pelo Ministério Público Federal como dono de uma "conta-corrente" de propinas junto à Odebrecht, representada em uma planilha de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da companhia, intitulada "Posição Programa Especial Italiano".

Segundo a Procuradoria, o dinheiro vinha de obras da Petrobras, e era pago em doações oficiais, caixa dois ou em vantagens específicas -nesse caso, um terreno que seria destinado ao Instituto Lula.

"Uma ou duas vezes, ele indicou o Guido Mantega", afirmou Emílio. Mantega era tratado na planilha como "pós-Itália", segundo a acusação.

ESTICAR OS PAGAMENTOS

Emílio Odebrecht, 72, disse que não entrava nos detalhes dos pagamentos e contrapartidas com Lula.

Afirmou, porém, que fazia três orientações a seus executivos: 1) parcelar as propinas no maior prazo possível; 2) negociar desconto nos valores; e 3) dar isonomia de tratamento a outros partidos e políticos, para "evitar ciúmes".

A ideia de estender os pagamentos ao longo de meses, segundo ele, era uma forma de "hedge" -ou seja, de reduzir os riscos da empreiteira em levar calote do governo, já que ela ainda teria parcelas de doações a pagar ao PT.

"Tem um contrato; amanhã ou depois um ministro prende um pagamento... Aí eu tenho direito de chegar e o partido fica naturalmente sob pressão. Isso a gente fazia geral", declarou.

Apesar de mencionar os contratos, Emílio afirmou não saber se havia contrapartidas específicas em relação ao pagamento das doações solicitadas por Lula.

"É possível que tenha alguma coisa vinculada. Mas não tenho condições de afirmar. Não era eu que negociava", disse.

TERRENO DO INSTITUTO LULA

Além de Emílio, outros dois executivos da Odebrecht depuseram nesta segunda (5): Alexandrino Alencar, responsável pelo relacionamento com políticos, e João Alberto Lovera, que atuou na compra de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula.

O terreno é o principal alvo da ação a que o ex-presidente responde na Justiça do Paraná. Segundo o Ministério Público, parte das propinas pagas pela Odebrecht em contratos da Petrobras foi destinada para a aquisição do imóvel, na zona sul de São Paulo.

Lovera, que aderiu ao acordo de leniência da Odebrecht e se somou aos demais delatores da empreiteira, confirmou que Lula chegou a visitar o terreno, em 2011.

"Foram o Paulo [Okamotto, presidente do Instituto Lula], o ex-presidente Lula, a dona Marisa e mais uma quarta pessoa. Ficaram uns 40 minutos e foram embora", afirmou.

O instituto desistiu do imóvel por não considerá-lo adequado, e acabou se instalando na atual sede, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

OUTRO LADO

A defesa do ex-ministro Palocci informou que ele tratava de doações de campanha com a Odebrecht, dentro do prazo estipulado pela lei eleitoral -e sem vinculá-las a obras específicas, o que não caracterizaria propina.

Em nota, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, afirmou que os depoimentos demonstram "o caráter irreal da acusação", já que o imóvel jamais foi solicitado ou recebido pelo ex-presidente.

A defesa tentou suspender a audiência pela manhã, argumentando que houve a juntada de noivos documentos da delação da Odebrecht, mas o pedido não foi analisado a tempo pelo TRF (Tribunal Regional Federal).

O ex-ministro Guido Mantega nega ter solicitado ou negociado vantagens indevidas em nome do PT.

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