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ATUALIZADA - Corpo da ex-primeira-dama Marisa Letícia é velado em São Bernardo

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POLíTICA

ATUALIZADA - Corpo da ex-primeira-dama Marisa Letícia é velado em São Bernardo

MARINA DIAS E CÁTIA SEABRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ex-primeira-dama Marisa Letícia foi velada neste sábado (4) no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP), com a presença de seu marido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e integrantes e simpatizantes do PT, como a ex-presidente Dilma Rousseff.

Diante do caixão da mulher, Lula disse que chorou o suficiente para "recuperar a Cantareira", em referência ao sistema de reservatório de água da Grande São Paulo.

"Sou o resultado de uma menina que parecia frágil e segurou a barra para eu ser o que sou", discursou. "Ela cuidou de todo mundo e nunca reclamou da vida", disse o ex-presidente, emocionado.

"Eu vou continuar agradecendo a Marisa até a hora de eu morrer. Espero encontrar com ela com o mesmo vestido vermelho que escolhi pra ela. Porque quem não teve medo de vestir vermelho na vida. Não terá em morte. "

Lula foi o primeiro a chegar, pouco depois das 9h. Nos primeiros minutos da cerimônia, ainda reservada, Frei Betto fez uma oração em homenagem a Marisa para a família e os amigos mais próximos. Do lado de fora, centenas de pessoas formavam uma fila que ocupou o quarteirão do sindicato.

Pouco depois das 10h, o velório foi aberto ao público. Vestindo camisa e blazer preto, Lula ficou ao lado do caixão de Marisa, que estava coberto por uma bandeira do Brasil e outra, do PT.

O ex-presidente abraçou, um por um, todos os que passavam em fila para prestar homenagem a Marisa. Ao lado do petista, revezavam-se seus aliados mais próximos, como o ex-secretário-geral da Presidência da República Gilberto Carvalho e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

Além de parlamentares e governadores petistas, estava presente o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB). O prefeito eleito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), também foi à cerimônia.

Diversas autoridades preferiram prestar solidariedade a Lula no hospital Sírio-Libanês, onde Marisa ficou internada por dez dias após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral). Entre elas, o presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

O presidente cubano Raúl Castro enviou uma coroa de flores. O ex-presidente do Uruguai José Mujica telefonou para Lula.

Ao final do velório, Lula afirmou que Marisa "morreu triste por causa da canalhice e maldade que fizeram contra ela". Na Operação Lava Jato, a ex-primeira-dama era ré junto com Lula em duas ações penais sob responsabilidade do juiz Sergio Moro. Ela também foi mencionada em investigações relacionadas à reforma de um sítio, em Atibaia (SP), usado pela família.

"Quero que os facínoras que fizeram isso contra ela tenham um dia a humildade de pedir desculpas. Se alguém tem medo de ser preso, este que está aqui enterrando esta mulher não tem. Eu tenho a consciência tranquila. Não tenho que provar que sou inocente. Eles que têm que provar que as mentiras que estão contando são verdade. Então, Marisa, descanse em paz porque esse Lulinha paz e amor vai continuar brigando muito por sua honra", disse o ex-presidente.

A cerimônia terminou pouco antes das 16h. O corpo de Marisa foi cremado.

DIÁLOGO

Durante o velório, diversos petistas tentaram minimizar a conversa entre Lula e Temer, na noite de quinta-feira (2), e avaliaram que o encontro não pode ser considerado um gesto político, mas sim de solidariedade.

"É precipitado achar que isso [encontro entre Temer e Lula] vai acarretar em entendimento na política. Vamos bater duríssimo na reforma da Previdência e ainda consideramos Temer um presidente ilegítimo", declarou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

O líder do PT na Câmara, deputado federal Carlos Zarattini (SP) disse que a visita de Temer foi "um gesto de solidariedade bem recebido por Lula", mas que "não reflete possibilidade de apoio às reformas" propostas pelo governo do peemedebista, como a trabalhista e a da Previdência.

Ex-ministra do governo de Dilma, Ideli Salvatti (PT-SC) ecoou o senador e o deputado e disse que a visita de FHC "foi a retribuição de um gesto", enquanto a comitiva de Temer -composta por diversos ministros e senadores- "foi uma afronta".

Ex-presidente da Câmara de São Paulo, Antônio Donato afirmou que "não dá para tirar uma interpretação política de um gesto de solidariedade".

Além deles, estiveram presentes no velório o presidente do PT, Rui Falcão, o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho (PT), o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares, ambos condenados pelo mensalão.

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