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Temer avalia que escolha de Fachin causa menos problema ao governo

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POLíTICA

Temer avalia que escolha de Fachin causa menos problema ao governo

GUSTAVO URIBE E VALDO CRUZ

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Michel Temer avaliou nesta quinta-feira (2) que a escolha do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin como novo relator da Operação Lava Jato traz menos problemas ao governo federal.

O peemedebista recebeu no final da manhã, no gabinete presidencial, a informação sobre o resultado do sorteio na Suprema Corte. A avaliação é de que, diante do cenário atual, foi a escolha mais acertada.

O receio da equipe do presidente era de que os processos ficassem a cargo de um ministro avaliado por ela como "menos maleável" e "mais imprevisível", como Ricardo Lewandowski ou Celso de Mello.

O Palácio do Planalto também considera que a escolha de Gilmar Mendes ou Dias Toffoli poderia causar dor de cabeça ao governo federal em médio prazo.

Nas palavras de um auxiliar presidencial, por ambos serem próximos ao Palácio do Planalto, qualquer decisão favorável a ministros ou peemedebistas poderia ser interpretada como uma espécie de interferência do governo federal.

Em conversas reservadas, no início da semana, Temer vinha defendendo o nome de Fachin como a melhor saída diante da morte do ministro Teori Zavascki. Em viagem a Brasília na segunda-feira (30), após agenda em Pernambuco, o presidente tratou do tema com assessores e auxiliares.

O Palácio do Planalto avalia que Fachin é um nome aberto ao diálogo,mais discreto e de opiniões mais maleáveis, diferentemente de Lewandowski ou Mello, mas que ao mesmo tempo transmite uma imagem de independência e seriedade.

A escolha de Fachin também diminui a pressão para que o presidente indique para a Suprema Corte um nome discreto e apartidário, uma vez que ele não integrará o grupo responsável pela análise dos processos da Operação Lava Jato.

Ainda assim, Temer tem repetido que pretende escolher alguém com perfil técnico, já que o novo ministro analisará os processos relativos à Operação Lava Jato quando eles forem levados ao plenário da Suprema Corte.

Nos bastidores, Temer já reconhece que, independentemente de quem escolher, acabará desagradando algum setor social. Ele tem ponderado, contudo, a necessidade de não se indispor nem com Poder Judiciário, sobretudo a Suprema Corte, nem com a opinião pública.

Por isso, ele se reunirá no final de semana com a presidente Cármen Lúcia e conversará com os ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello para anunciar um nome na próxima semana, quando estiver definida a composição da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que sabatinará o novo ministro.

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25/03/2017 - 09h04