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Geddel discutiu com Cunha taxa de juros da Caixa para BRVias, diz PF

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POLíTICA

Geddel discutiu com Cunha taxa de juros da Caixa para BRVias, diz PF

LETÍCIA CASADO E WALTER NUNES

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-ministro Geddel Viera Lima (Secretaria de Governo) discutiu com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Operação Lava Jato, as condições das taxas de juros para um empréstimo do FI-FGTS da Caixa Econômica Federal para a BRVias em 2012, segundo relatório da PF na Operação Cui Bono? ("A quem beneficia?", em latim), deflagrada nesta sexta (13). O valor do empréstimo era de R$ 300 milhões.

Geddel foi vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2013. Cunha não ocupava cargo na instituição, mas mantinha influência sobre alguns diretores do banco.

Segundo a PF, Cunha liderou um esquema que envolveu Geddel e outras duas pessoas para angariar propina das empresas que seriam beneficiadas pelo esquema.

O grupo contaria com Fabio Cleto, que ocupava outra vice-presidência na Caixa, e com o doleiro Lúcio Funaro, também preso pela Lava Jato. Cleto é delator do esquema na operação.

"Essas palavras de Geddel para Eduardo Cunha sacramentam a atuação conjunta do quarteto Geddel, Cunha, Funaro e Cleto, e por isso Geddel reporta a Eduardo Cunha a avaliação de risco da BRVias no início das negociações e à época da mensagem, sendo justamente no mesmo patamar de 4% conversado entre Funaro e Cleto", escreveu a PF no relatório.

Em mensagem de Geddel para Cunha, o ex-ministro diz que a empresa recebeu avaliação de risco pior do que quando a Caixa começou a negociar com a companhia. Isso, portanto, elevaria a taxa de juros a ser paga pelo empréstimo.

Geddel disse então que poderia conseguir viabilizar uma taxa de juros um pouco menor se a empresa topasse fechar o negócio rapidamente e que ela já receberia o dinheiro na segunda-feira seguinte.

Geddel enviou a seguinte mensagem a Cunha no dia 17 de maio de 2012: "Pra seu conhecimento Qdo começamos a negociar com a BR,o parâmetro de risco era B, o que viabilizava uma taxa de + 2.2 [CDI + 2,2%]. Ao sair a avaliação do risco a empresa foi enquadrada como C,o que fez com que a taxa vai a 4.4 [CDI + 4,4%]. Nosso amigo rolou a operação dele com o BB [Banco do Brasil], fala-se a uma taxa de 3.5. Como assumi com vc.,operação esta aprovada. A empresa sera procurada pela Caixa para saber se mantem interesse na operação e qual taxa ta disposta a suportar. Minha aposta é que o FI [FI-FGTS] não saira antes de 15 de junho. Creio também que taxa de 3 a 3.3 consigo bancar,com o risco C. Passo-lhe a informação para que converse mostre seu interesse etc e tal. Se eles toparem segunda feira recursos estarão disponíveis. Duvidas me ligue".

Três dias antes dessa conversa, o doleiro Funaro mandou mensagem a Fabio Cleto dizendo que "está dando merda na operação deles".

Segundo o relatório da PF, Geddel se comprometeu a conseguir uma taxa de juros mais baixa em um empréstimo da vice-presidência comandada por ele para a BRVias e pediu a Cunha que fizessem a intermediação do negócio com a companhia.

De acordo com os investigadores, esse "empréstimo-ponte" seria uma operação junto à Caixa até que a BRVias conseguisse fechar outro financiamento com recursos do FI-FGTS, fundo que oferece dinheiro a prazos mais longos e com taxas menores.

Funaro cita ainda uma taxa de juros muito próxima da informada por Geddel na mensagem a Cunha.

"Assim, resta claro que Geddel estaria envolvido com Eduardo Cunha, Funaro e Fabio Cleto de modo a obter vantagens indevidas para a liberação de recursos em favor da empresa BRVias", diz a PF no relatório.

Uma semana depois, em 24 de maio de 2012, Cunha enviou a seguinte mensagem a Cleto, segundo os investigadores: "Vc para mim se ta pegando algo na br vias la ainda que maluco la falando". Cleto respondeu "ok".

Em 11 de junho Cunha é informado por Cleto de que o empréstimo para a BRVias havia sido liberado. O ex-deputado então pergunta quando receberá o dinheiro porque precisa saber dessa informação, diz o relatório. Segundo os investigadores, a informação era importante "a fim de que o doleiro Funaro pudesse fazer a cobrança da parte que lhes caberia".

Três dias depois Cleto confirma a Cunha e depois a Funaro que todo dinheiro tinha, enfim, ido para a conta da BRVias. "Valor integral foi creditado hoje para o cliente", diz a mensagem. Cunha responde com "ok".

A PF conclui a análise daquele trecho da investigação dizendo que as trocas de mensagens provam que o grupo liderado por Eduardo Cunha e Lúcio Funaro negociava créditos da CEF diretamente com as empresas.

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