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Crivella pede perdão por de livro em ue critica Igreja Católica, religiões africanas e homossexuais

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POLíTICA

Crivella pede perdão por de livro em ue critica Igreja Católica, religiões africanas e homossexuais

- Atualizado em 16/10/2016 18:45

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O candidato à Prefeitura do Rio pelo PRB, senador Marcello Crivella, pediu perdão caso tenha ofendido católicos, espíritas, evangélicos e homossexuais em trechos de livro que publicou nos anos 1990 a respeito do período em que viveu como missionário na África.

Reportagem publicada neste domingo (16) pelo jornal "O Globo" registra trechos do livro Evangelizando a África, escrito pelo bispo licenciado da Igreja Universal.

Na publicação, publicada inicialmente em inglês, em 1999, e lançada em português no Brasil em 2002, Crivella diz que a Igreja Católica e outras religiões cristãs "pregam doutrinas demoníacas".

Ele afirma que a Igreja Católica "tem pregado para seus inocentes seguidores a adoração aos ídolos e a veneração a Maria como sendo uma deusa protetora".

Quatro anos antes da publicação em inglês, o então bispo da Igreja Universal Von Helde chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um programa da TV Record.

Crivella expõe sua opinião também sobre espiritismo e hinduísmo.

Sobre as igrejas de matrizes africanas, Crivella diz que abrigam "espíritos imundos" e que praticam o sacrifício de crianças.

Em uma passagem diz que "as tradições africanas permitem toda sorte de comportamento imoral, até mesmo com crianças de colo".

Segundo a reportagem, práticas como o sacrifício de animais são classificadas no livro como "ritual satânico que "deve ser evitado".

Ele diz que o trabalho de sacerdotes de religiões africanas "se tornou um grande negócio na África, porque é motivado pelo maldito amor ao dinheiro".

A reportagem do periódico carioca registra que na introdução da edição brasileira, os sacerdotes africanos são considerados "feiticeiros e bruxos, conhecidos no Brasil como pais, mães e filhos-de-santo".

Ele diz que no hinduísmo, o sacrifício de crianças é feito como forma de obtenção de riquezas.

Crivella responsabiliza demônios por condutas como vícios, adultério e opção pela homossexualidade.

Segundo a reportagem no livro, Crivella diz que gays não devem ser tratados com descriminação, mas diz que "são vítimas desse terrível mal, vivendo sem paz e numa condição lamentável pelo ser humano".

Ele afirma que esses "espíritos" podem ser transmitidos para gerações seguintes.

"O pai viciado e adúltero provavelmente passará o mesmo espírito para o seu filho", diz. "E quando ele morre, o espírito se manifesta no seu filho que prontamente negligencia sua esposa e seus filhos para prosseguir nessa conduta maligna."

As posições de Crivella expressas na reportagem foram criticadas pelo adversário de Crivella na disputa à Prefeitura do Rio, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), na redes sociais e durante evento de campanha.

"Crivella revela em seu livro quem é o verdadeiro candidato à Prefeitura do Rio. Mostra todo o seu preconceito. Nós queremos uma cidade com mais tolerância, menos preconceito e que tenha espaço para todos os grupos e religiões", disse.

OUTRO LADO

Procurada pela reportagem, a campanha de Crivella enviou nota divulgada em resposta à reportagem.

Segundo Crivella, o "o livro foi escrito há décadas em inglês e Zulu quando eu vivia na África num ambiente de guerras, superstição e feitiçaria".

"As poucas referências ao catolicismo foram equivocadas e extremistas feitas por um jovem missionário, cujo zelo imaturo da fé levou a cometer esse lamentável erro. Isso infelizmente ocorre", disse.

Crivella diz, na nota, que ama "os católicos, espíritas, evangélicos e a todos."

"Se alguma vez os ofendi, peço perdão. O mesmo em relação à homossexualidade."

O candidato afirmou que o livro foi escrito em período que, infelizmente, vivia na "imaturidade da fé, mas sinceramente pensando em ajudar".

Ele afirmou que era movido "pela convicção equivocada de um dogma religioso, ofendemos sem intenção a quem amamos".

Disse que em seus 15 anos como senador foi um "intransigente defensor da tolerância, da liberdade, da dignidade da pessoa humana".

"Erros cometidos no passado, há muito corrigidos pela maturidade do presente, só confirmam o que disse antes: sou candidato a prefeito, não a perfeito. Perfeito só Deus!"

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