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PF e Ministério da Transparência deflagram operação no Maranhão

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POLíTICA

PF e Ministério da Transparência deflagram operação no Maranhão

- Atualizado em 06/10/2016 11:54

MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal e o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle deflagraram na manhã desta quinta-feira (6) duas fases simultâneas da Operação Sermão dos Peixes, que apura desvio de recursos públicos federais destinados ao SUS (Sistema Único de Saúde) no Maranhão.

Na primeira fase, em novembro do ano passado, policiais federais levaram Ricardo Murad, cunhado da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) e ex-secretário de Estado da Saúde, para prestar depoimento sob coerção.

Nesta quinta, cerca de 60 policiais federais estão cumprindo 32 mandados judiciais, sendo três de prisão preventiva, 12 de condução coercitiva e 17 de busca e apreensão. Também devem apreender uma aeronave.

A operação foi deflagrada em cinco municípios -São Luís, Imperatriz, Araguaína (MA), Palmas e Arenópolis (TO).

As duas novas fases têm objetivos distintos. A segunda, chamada Abscôndito ("escondido"), apura a destruição e ocultação de provas, incluindo a venda suspeita de uma aeronave após um possível vazamento da primeira fase da operação, ocorrida em 17 de novembro de 2015.

Inicialmente, a operação ocorreria três dias depois, mas foi antecipada justamente devido aos indícios de vazamento de informações.

A investigação da PF começou em 2010, quando Roseana governava o Estado, e Murad terceirizou a "gestão da rede de saúde pública estadual, ao passar a atividade para entes privados". A terceirização, feita por meio de duas Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), tinha como intenção, para a PF, "fugir dos controles da lei de licitação".

Já a terceira fase se chama Voadores (em alusão à técnica empregada de desviar recursos por meio de cheques) e apurou o desvio de cerca de R$ 36 milhões por meio do desconto de cheques e posterior depósito nas contas de pessoas físicas e jurídicas vinculadas aos envolvidos, incluindo saques de contas de hospitais, de acordo com a PF.

Os envolvidos serão indiciados pelos crimes de embaraço à investigação de infração penal que envolva organização criminosa, peculato e lavagem de capitais.

Após a deflagração da primeira fase da operação, Murad postou numa rede social um texto em que afirma que o Maranhão tem "uma rede de assistência à saúde de primeiro mundo.

"Sempre me coloquei antes mesmo da operação à disposição da Justiça, MPF e PF e continuo no mesmo propósito porque tenho o dever de defender a nossa obra que, pela primeira vez, deu a todos os maranhenses oportunidades de ter uma rede de assistência à saúde de primeiro mundo", escreveu Murad.

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