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Partido de Marina Silva responde a intelectuais que se desfiliaram

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POLíTICA

Partido de Marina Silva responde a intelectuais que se desfiliaram

- Atualizado em 05/10/2016 22:27

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em resposta a oito intelectuais que se desfiliaram da Rede Sustentabilidade alegando "vazio de posicionamentos políticos" e dependência política à ex-senadora Marina Silva, o partido emitiu nota em que cita posicionamentos contrários à redução da maioridade penal e à proposta que dá ao Congresso a palavra final sobre a demarcação de territórios indígenas, entre outros temas.

O texto da Rede foi enviado pelo partido nesta quarta-feira (5) e cita a carta divulgada pelos desfiliados na segunda (3), que acusava a legenda de se esquivar dos temas centrais da política nacional exceto em relação ao apoio do impeachment. De acordo com os signatários, a sociedade "não sabe o que pensa a Rede, nem consegue situá-la no espectro político-ideológico".

Ainda segundo os intelectuais que deixaram o partido, coube à vontade de Marina a decisão de apoiar o impeachment. Em resposta, a Rede sustenta que houve, em reunião com mais de 50 pessoas que durou dois dias, oportunidade "de expor suas convicções antes que uma decisão coletiva fosse tomada".

"O grupo desrespeita seus companheiros que se empenharam durante aquele fim de semana em um debate sério e responsável. Desqualificam, também, lideranças como Heloísa Helena, Molon, Randolfe e muitas outras que estiveram presentes na discussão", diz a resposta.

A carta emitida na segunda era assinada pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares, pela professora universitária Miriam Krenzinger, pelo sociólogo Marcos Rolim, pelo ambientalista Liszt Vieira, pelo economista Tite Borges, pela advogada Carla Rodrigues Duarte, pela porta-voz da Rede no Rio Grande do Sul Sonia Bernardes e pelo veterinário Eduardo Antunes Dias.

Leia a íntegra da nota:

"A REDE manterá seu curso pela construção de um partido participativo e autônomo

Ao anunciar a decisão de se desfiliar da Rede Sustentabilidade, um grupo de ex-militantes, em carta aberta ao Elo Nacional, atribuiu o seu afastamento à falta de posicionamento da REDE, dependência exclusiva de Marina Silva e à aproximação com o campo conservador. Indo além, credita a decisão coletiva da direção exclusivamente a Marina que, supostamente, teria feito prevalecer sua posição individual favorável ao processo do impeachment.

Respeitamos plenamente o direito deste grupo de ter uma leitura própria da realidade e reconhecemos suas valiosas qualidades, mas nos sentimos na obrigação de contraditar as alegações que apresentam como motivo de sua saída da REDE.

1- Diante da cultura reducionista da velha polarização, entendemos as dificuldades de alguns com o fato de a REDE não se alinhar automaticamente a um dos lados da polarização que o sistema político tenta impor à sociedade. Assim, a posição favorável ao impeachment, por conta da compreensão de que houve a prática de crime de responsabilidade, é transformada equivocadamente em 'mergulho da REDE em direção ao passado' ou aliança ao 'movimento que entregou o poder ao PMDB'. Esquecem, porém, que quem escolheu o PMDB para ocupar a linha sucessória da presidência do Brasil foi a aliança feita pela própria ex-presidente Dilma e seu partido. No entanto, não é concedido o direito à REDE de se posicionar autonomamente e construir seu próprio caminho com base em suas próprias razões. O partido é sempre apresentado, ou mesmo acusado, de seguir um dos lados da polarização.

2 - Os signatários, agora ex-filiados, desconsideram o pouco tempo de existência da REDE, o grande desafio que enfrentamos para nos estruturarmos minimamente e para participar do processo eleitoral e os inúmeros posicionamentos manifestados pela direção partidária, a exemplo das seguintes notas: contra a redução da maioridade penal (1), sobre a Educação Pública (2), contra manobras para votar Código da Mineração (3), de apoio a professores e servidores no Paraná e defesa do direito de manifestação (4), contra a PEC 215 (5), em defesa da história e dos direitos indígenas (6), em defesa da Democracia (7), pelo direito à manifestação e greve (8), sobre o Marco Civil da Internet (9), sobre a violência policial (10), sobre a liberdade de expressão na internet (11), sobre definições amplas de família (12), sem citar os documentos de análise de conjuntura que tratam das principais questões políticas e econômicas do País, apresentados e discutidos em cada reunião do Elo Nacional, e dos inúmeros documentos discutidos e aprovados em nosso 1º Congresso Nacional.

3- Estamos cientes da necessidade de avançar na criação de fóruns de discussão sobre os temas mais relevantes à vida partidária e ao País, processo apenas iniciado com o "Assembléia REDE" (https://debate.redesustentabilidade.org.br/), uma plataforma de debates on line aberta a todos os filiados, de forma horizontal, e o FAZ (http://faz.redesustentabilidade.org.br/), para incentivar a participação voluntária de filiados e não filiados em ações de ativismo e cidadania. Nossos posicionamentos e reflexões precisam e merecem ser aprofundados - e o serão com o apoio dos militantes que a isso se dispuserem e da Fundação Brasil Sustentável. Esperávamos contar com uma postura mais proativa deste grupo de intelectuais, mas prosseguiremos nesta construção coletiva.

4- O grupo que agora se afasta comete injustiça ao atribuir a decisão de posição sobre o impeachment exclusivamente à vontade da Marina. O Elo Nacional reuniu mais de 50 pessoas durante dois dias, quando todos tiveram ampla liberdade de expor suas convicções antes que uma decisão coletiva fosse tomada. Ao final, ficou clara a posição majoritária favorável ao impeachment. Um reduzido número de dirigentes se colocava contrário a ele e havia uma parcela importante que defendia a abstenção nas votações por considerar que ambos, Presidente e Vice, compartilhavam da mesma responsabilidade. Não há nada mais autoritário que a desqualificação das decisões democráticas quando estas não são convenientes à uma minoria.

5- Mais ainda, o grupo desrespeita seus companheiros que se empenharam durante aquele fim de semana em um debate sério e responsável. Desqualificam, também, lideranças como Heloísa Helena, Molon, Randolfe e muitas outras que estiveram presentes na discussão. Pela dimensão política de cada um é impensável achar que se submeteriam a tal situação. O Elo Nacional também decidiu que as posições discordantes podiam ser manifestadas publicamente - o que foi respeitado com absoluto rigor.

6- O mesmo respeito prevaleceu durante as eleições, em relação à linha política que o grupo que deixa a REDE considerava mais correta para o Estado do Rio de Janeiro, onde aplicou plenamente suas estratégias eleitorais na disputa das eleições municipais. Cada um deve assumir a suas respectivas responsabilidades e os consequentes resultados, para que esse debate sobre identidade e posicionamentos da REDE não pareça ter sido provocado apenas como elemento diversionista.

7- No fundo, é cobrado que a REDE repita dogmas estabelecidos, quando autonomia é entendida como 'ambiguidade e indefinição'. Segundo o desejo dos ex-militantes, à REDE não cabe outra trajetória a não ser apoiar os candidatos que eles consideram, por definição, progressistas, ou integrar uma suposta 'ampla frente democrática e progressista', um nome pomposo para dizer que a REDE tem que se atrelar a um dos lados da polarização e abrir mão de uma avaliação crítica e uma reflexão livre sobre o que significa ser 'progressista'.

8- Respeitamos a decisão desses parceiros de jornada de deixar a REDE, bem como agradecemos suas importantes contribuições durante esse início de caminhada. Esperamos manter com eles um diálogo construtivo para aprofundar o entendimento sobre nossas diferenças e convergências."

Comissão Executiva Nacional - REDE Sustentabilidade

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