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'Aposta kamikaze' de Alckmin, Doria funciona e fortalece governador para 2018

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POLíTICA

'Aposta kamikaze' de Alckmin, Doria funciona e fortalece governador para 2018

- Atualizado em 02/10/2016 23:40

DANIELA LIMA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A vitória acachapante de João Doria (PSDB) no primeiro turno da disputa pela Prefeitura de São Paulo amplia a projeção do governador Geraldo Alckmin como líder nacional do PSDB e acirra a disputa tácita que ele trava internamente com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pelo posto de presidenciável tucano nas eleições de 2018.

Alckmin bancou a candidatura de Doria a contragosto de praticamente toda a cúpula nacional do PSDB. O governador deu suporte ao seu afilhado político quando os principais caciques da sigla -Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aloysio Nunes e o próprio Aécio- torceram o nariz para ele.

A tática, classificada como "kamikaze" pelos colegas de partido, deu certo e, agora, o governador colhe o reconhecimento. "Foi uma vitória muito expressiva e o Alckmin teve uma parte preponderante nisso, pelo menos como 'plataforma de lançamento' do Doria", diz o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Aliados de Aécio Neves também reconhecem a projeção que Doria dará a Alckmin, mas minimizam o impacto dessa vitória sobre o quadro de 2018. "O PSDB como um todo saiu muito forte dessas eleições", avalia o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), um dos principais interlocutores de Aécio.

"A vitória do João Doria foi fantástica, mas é um erro que se comete muito frequentemente achar que a eleição municipal é uma prévia do que será a presidencial. A história mostra isso", ele diz.

Ocorre que o próprio Doria, durante a campanha, vinculou abertamente sua vitória à projeção de Alckmin para a Presidência.

O governador desconversa, mas tem deixado evidente seu apetite pelas próximas eleições nacionais. "Eleição tem um componente de escolha e um componente de oportunidade", disse Alckmin à reportagem em conversa na última sexta-feira (30), antevéspera da vitória de Doria.

Ele pregou uma reforma política que reduza o número de partidos do cenário nacional e delegou a missão ao presidente Michel Temer.

"Hoje temos 35 partidos. Essa fragmentação é uma das causas da ingovernabilidade", afirmou.

Alckmin defendeu ainda que o sistema de prévias, que foi adotado na disputa paulistana, seja uma regra na vida partidária. "Quanto mais você abre, menos você erra. Se o candidato não passar pela prévia, acabou. Essa disputa, em si, já é um teste da sua capacidade de agregar."

A tese faz sentido, principalmente agora que Alckmin terá duas das máquinas estatais mais poderosas do país à sua disposição: o governo do Estado e a capital paulista.

Isso sem contar as chances que tem de ver aliados conquistarem, no segundo turno, cidades importantes da região metropolitana, como São Bernardo do Campo.

Enquanto isso, Aécio tem o mandato de senador e busca recobrar o controle majoritário em Minas Gerais -seu candidato em Belo Horizonte, João Leite (PSDB), passou para o segundo turno.

SERRA

O sucesso de Doria em São Paulo também desestabiliza um terceiro elemento no tabuleiro tucano, o ministro José Serra (Relações Exteriores).

Amigo do rival de Doria nas prévias, Serra se afastou da campanha paulistana e chegou a avalizar a aliança que resultou em uma candidatura rival, de Marta Suplicy (PMDB) e o vice Andrea Matarazzo (PSD).

"O governador já era um candidato em potencial, um nome consagrado no partido", diz o deputado Silvio Torres (PSDB-SP), aliado de Alckmin.

"Na verdade, a vitória do João o obriga agora a ter um protagonismo maior. Mas o rumo não muda, a prioridade é terminar bem o governo, superar a crise."

Ele aposta que o próprio Doria fará gestos para aproximar Serra de seu grupo. "Ele é agregador", diz Torres sobre o prefeito eleito.

Por enquanto, a ordem no PSDB é esperar a poeira baixar até que o cenário "fique mais claro". Os tucanos não falam abertamente, mas aguardam não só o desempenho do governo Michel Temer, como também o desenrolar da Operação Lava Jato.

Há menções em delações a Aécio e também a pagamentos de propina por obras do Metrô em São Paulo. Cenário que tornou "cautela" uma palavra de ordem na legenda.

"Claro que Alckmin sai fortalecido. O PSDB inteiro sai mais forte no Estado. Isso é um trunfo para uma candidatura paulista, mas todos sabem que o importante é chegar vivo e bem em 2018", resume Aloysio Nunes.

RAIO-X

Nome Completo

João Agripino da Costa Doria Junior

Nascimento

16.dez.1957 (58 anos), em São Paulo (SP)

Ocupação

Empresário

Estado Civil

Casado

Formação

Comunicação Social - Faap (Fundação Armando Álvares Penteado (1980)

Partido

PSDB

Vice

Bruno Covas (PSDB)

Patrimônio Declarado Ao TSE

R$ 179,8 milhões

NA CAMPANHA COM DÓRIA

Com mais tempo de TV, tucano disparou

29.fev

Em prévias do PSDB pela corrida à prefeitura, Doria e o vereador Andrea Matarazzo lideram e passam para o segundo turno

18.mar

Matarazzo anuncia desfiliação do PSDB e desiste das prévias. Ele acusa Alckmin de usar a máquina do Estado para beneficiar Doria

29.mar

Matarazzo se filia ao PSD

20.jul

Ainda em pré-campanha, o tucano promete privatizar faixas de ônibus, parques e o estádio do Pacaembu

20.jul

Doria confirma Bruno Covas como vice. O deputado é neto do ex-governador Mario Covas, um dos fundadores do PSDB

24.jul

Sob acusação de líderes do próprio partido de abuso de poder econômico, Doria lança sua candidatura em aliança com 10 partidos. FHC, Serra e Aécio não comparecem

25.jul

Andrea Matarazzo fecha aliança com o PMDB e se torna candidato a vice de Marta

18.ago

Em dos primeiros tropeços, Doria promete reduzir secretarias voltadas a mulheres, negros, pessoas com deficiência, juventude e LGBT -mas as duas últimas já não existiam

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