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Itumbiara vota com Exército nas ruas e luto por candidato

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POLíTICA

Itumbiara vota com Exército nas ruas e luto por candidato

- Atualizado em 02/10/2016 12:00

RUBENS VALENTE, ENVIADO ESPECIAL

ITUMBIARA, GO (FOLHAPRESS) - Com o reforço de 200 homens do Exército para o policiamento de rua, mobilizados a pedido da Justiça Eleitoral, a cidade de Itumbiara (GO), onde o candidato favorito nas pesquisas foi assassinado com tiro na quarta-feira (28), deu início a uma votação emotiva na manhã deste domingo (2).

A coligação que apoiava José Gomes (PTB) e agora apoia seu substituto, o deputado estadual José Antônio (PTB), anunciou que não haverá comemoração em caso de vitória, apenas um pronunciamento ou entrevista no início da noite. Alguns eleitores e apoiadores de Gomes, incluindo o prefeito, Chico Balla (PTB), usavam na lapela um laço preto em sinal de luto.

Os filhos do candidato assassinado, José e Artur Gomes, acompanharam o voto do candidato José Antônio nesta manhã no colégio Diocesano, no centro da cidade. Os três usavam camisetas do time de futebol Itumbiara Esporte Clube, no qual o ex-prefeito e deputado federal por duas vezes, morto aos 58 anos, era presidente de honra, apaixonado pelo clube e seu principal incentivador.

Por razões técnicas, as urnas eletrônicas não puderam ser atualizadas a tempo e continuaram mostrando foto e nome de Zé Gomes. Os votos foram carreados para José Antônio. A Justiça Eleitoral mandou veicular inúmeras chamadas em emissoras de rádio e TV para esclarecer os eleitores sobre as novas regras.

"Não é fácil segurar a emoção ao ver a foto do nosso prefeito Zé Gomes na urna", disse Antônio.

José Gomes Filho, 30, médico em Goiânia (GO), com os olhos marejados, era abraçado e cumprimentado por moradores. Neste sábado (1º), a Polícia Civil divulgou nota para dizer que há indícios de que o assassino de Gomes, o servidor municipal Gilberto Ferreira do Amaral, 53, pode ter tido um "transtorno psicótico devido ao uso de álcool".

O filho de Gomes disse que prefere aguardar o final da investigação. "A cada momento surgem novas coisas. Na verdade, vamos esperar os fatos. Não estamos com pressa. O que foi, foi. A gente vai esperar até o final das coisas", disse Gomes Filho.

Outro candidato a prefeito que votava na mesma seção de Antônio, o bancário César Pereira Alves (PDT), 46, o Cezinha, apoiado pela coligação PDT-PSOL-PRB, disse que ficou "triste e abalado" com a morte de Gomes, mas que o crime gerou "um novo quadro político" na cidade.

"O jogo mudou, agora a gente acredita, a expectativa é que a gente tenha conquistado a simpatia e a confiança do eleitorado para um projeto de mudança e inovação. Mudaram os candidatos, mudou o cenário", disse Cezinha.

O principal adversário da coligação de Antônio, o empresário e deputado estadual Álvaro Guimarães (PR), 68, votará à tarde.

SEM CLIMA

O candidato José Antônio (PTB) disse que a cidade "está totalmente sem clima para comemorações" e que em caso de vitória na disputa haverá "apenas um pronunciamento". Segundo ele, o momento para marcar a vitória seria uma missa de sétimo dia, marcada para quarta-feira (5) na catedral da cidade, "em memória do nosso eterno prefeito Zé Gomes".

Gugu Nader (PSB), que era candidato a vice de Zé Gomes e permaneceu na chapa de Antônio, estava na camionete ao lado do candidato quando os disparos começaram. Nader diz achar que o afastamento de Gilberto Amaral para tratar suposto problema com álcool "é apenas uma desculpa".

"Ele tirou licença para apoiar uma candidatura adversária. Nunca teve isso, ninguém falou isso que ele tinha problemas. Ele premeditou: se fosse preso, diria que tinha problemas mentais. Foi um crime totalmente político", disse Nader. Para o candidato a vice, Amaral "era um homem fraco que foi motivado pelas palavras de ódio proferidas contra nós durante toda a campanha".

"Eu era o primeiro da carroceria da caminhonete. Fui o único que viu tudo do começo ao fim. O alvo não era apenas o Zé Gomes, mas todos nós. Tanto que houve vários tiros, a cabine recebeu tiro, o motorista recebeu. Isso foi um crime totalmente político, totalmente direcionado às pessoas da camionete, e teve um tiro que infelizmente atingiu o braço do Zé Gomes e passou pelo corpo todo. Foi uma saraivada de tiros", disse Nader.

O prefeito Chico Balla disse à Folha desconhecer que Amaral estivesse licenciado por problemas de saúde. A primeira versão oficial que ele disse ter recebido de seus subordinados na Saúde é que Amaral havia se licenciado para trabalhar na campanha do candidato a vereador Rogério Menezes (PR).

Balla disse que soube pela imprensa da nota da Polícia Civil que fala em possíveis transtornos psicóticos. "Eu soube pela imprensa, não tenho essa informação diretamente. O prefeito não recebe um dossiê de cada funcionário, a Saúde tem 2 mil funcionários".

Na sexta-feira (30), o candidato Rogério Menezes havia dito à Folha que Amaral atuava "como voluntário" na sua campanha. O candidato disse desconhecer que Amaral tivesse qualquer problema psicológico ou abusasse de álcool.

Para garantir a segurança dos candidatos e dos eleitores, a Polícia Militar aumentou seu efetivo em cerca de 150 homens na cidade, que tem cerca de 100 mil habitantes, ao sul de Goiás. O efetivo se junto aos homens transferidos pelo Exército.

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