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POLíTICA

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GABRIEL MASCARENHAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro José Eduardo Cardozo (Advocacia-Geral da União) afirmou que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) "militava" em seu gabinete para pedir que o Ministério da Justiça interferisse na Operação Lava Jato.
A declaração foi dada durante a transmissão de cargo de ministro da Justiça para o procurador Wellington Cesar Lima e Silva, novo comandante da pasta. Horas antes, viera a público o acordo de delação premiada firmado por Delcídio com a Procuradoria-Geral da República. O ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidirá se homologa ou não a delação do petista.
De acordo com a revista "IstoÉ", o senador petista acusou Lula, Dilma e o próprio Cardozo de tentarem influenciar nos rumos da Lava Jato.
Cardozo, que deixou a pasta para assumir a AGU, afirmou que o parlamentar do Mato Grosso do Sul vivia em seu gabinete.
"Ele vinha quase diariamente tratar de vários assuntos. Dizia para eu tomar providências sobre a Lava Jato: 'temos que ver o que está ocorrendo. Réus estão sendo pressionados a fazerem delação. Tem que falar com o Janot, com Teori'. E eu respondia: 'Delcídio, representa (oficialmente), meu filho'. Depois eu vi que ele estava é defendendo sua sobrevivência", acusou Cardozo.
Argumentando que sequer pode dizer que são verdadeiras as notícias sobre a delação, o agora titular da AGU voltou a sustentar que o senador não tem credibilidade. Classificou os depoimentos como "um conjunto de mentiras" contra o governo e, principalmente, contra a presidente Dilma Rousseff.
De acordo com os documentos publicados pela revista, o senador também diz que Dilma usou sua influência para evitar a punição de empreiteiros, ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Em seu relato, Delcídio cita outros senadores e deputados, tanto da base aliada quando da oposição. Segundo a publicação, o ex-líder do governo no Senado revelou que Dilma tentou três vezes interferir na Lava Jato, com a ajuda de Cardozo.
"É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de tentar promover a soltura de réus presos no curso da referida operação", afirmou.
O senador diz, conforme a publicação semanal, que a terceira investida de Dilma contra a operação foi a escolha de Navarro para o STJ. "Tal nomeação seria relevante para o governo", pois o nomeado cuidaria dos "habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ", conta Delcídio.
Entre os beneficiados estaria Marcelo Odebrecht, dono da empreiteira que leva seu sobrenome e que sempre teve livre trânsito nos governos petistas.
Navarro, de fato, votou pela soltura do empresário, mas acabou derrotado por 4 a 1 pelos demais ministros. Cardozo argumenta que Delcídio montou suas declarações a partir dos fatos, já que o julgamento ocorrera antes de ele prestar os depoimentos.
"Na análise do habeas corpus, três dos cinco ministros foram nomeados pelo governo e dois votaram contra o habeas corpus. Por que [se quiséssemos influenciar] iríamos negociar apenas com um magistrado, já que outros também foram nomeados por esse governo? Isso não para em pé", afirmou.
Cardozo lembra ainda que o próprio Marcelo Navarro e o presidente do STJ, Francisco Falcão, outro citado por Delcídio, poderiam ter concedido a liberdade a empreiteiros, em decisões monocráticas, mas não o fizeram.
Ele disse ainda que não faz sentido a versão, contida na delação, de que a presidente Dilma pediu a Delcídio para conversar com Navarro a respeito do futuro dos empresários que, em tese, o governo gostaria de ver libertados.
"Por que a presidente pediria a um senador, que não tem relação alguma com a carreira do Judiciário, para checar votos de ministros, se era eu quem fazia as entrevistas dos candidatos a ministros?", questionou.
O ministro negou ainda que tenha viajado a Santa Catarina para se encontrar com o ministro do STJ Newton Trissoto para discutir a situação de réus presos pela Lava Jato, conforme o senador disse aos procuradores, segundo a "IstoÉ".
Para Cardozo, o correligionário mentiu na delação -"se é que houve delação", diz o ministro- em retaliação ao PT e ao governo. "A imprensa noticiou vários recados de Delcídio, dizendo que estava incomodado com o fato de o governo não atuar para libertá-lo", justificou o chefe da AGU.
PASADENA
Ele comentou ainda a acusação de que o ex-líder do governo, segundo a "IstoÉ", contou a Ministério Público que Dilma tinha amplo conhecimento do negócio envolvendo a compra da refinaria Pasadena, no Texas, pela Petrobras.
A aquisição ocorreu em 2006, com superfaturamento de cerca de R$ 790 milhões. À época, Dilma presidia o Conselho de Administração da Petrobras. Já na presidência da República, ela argumentou ter votado a favor da compra porque foi induzida a erro, por um relatório incompleto.
"Sobre Pasadena, ele (Delcídio) não acrescentou nada de novo", opinou o ministro.
A publicação semanal aponta também que o senador petista acusou a CPI dos Bingos de ter sido encerrada para proteger a presidente Dilma.
"A CPI vai de julho de 2005 a junho de 2006. A presidente havia assumido há cerca de uma semana a Casa Civil. Tem lógica intervir para beneficiar a presidente Dilma, que havia assumido a Casa Civil há uma semana?", indagou.

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