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Cunha conta com ministro do STF para interromper análise de seu julgamento

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POLíTICA

Cunha conta com ministro do STF para interromper análise de seu julgamento

DÉBORA ÁLVARES E MÁRCIO FALCÃO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem dito a aliados que, caso não consiga adiar o julgamento de denúncia contra ele por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, conta com o pedido de vista de um dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para interromper a análise do caso.
O STF marcou para esta quarta-feira (2) o julgamento da acusação da Procuradoria de que Cunha recebeu US$ 5 milhões em propina de contratos navios-sonda da Petrobras. Se a denúncia for acolhida, ele passa a ser réu, respondendo pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
O ministro Teori Zavaski deve decidir nesta terça (1º) se acolhe ou não o pedido da defesa do peemedebista para que o STF adie a análise da denúncia oferecida contra o cliente pela Procuradoria-Geral da República para a próxima semana. Cunha alega que, além de o quórum do Supremo não estar completo essa semana com a ausência do ministro Luiz Fux, é necessário que ocorra o debate de dois recursos apresentados por seus advogados ainda não analisados antes de tratarem a denúncia.
Desde segunda, os advogados de Cunha têm procurado os ministros do STF para entregar um memorial sobre o caso e discutir o inquérito. Nesta terça, o advogado Antonio Fernando de Souza, ex-procurador-geral da República, tem audiências com os ministro Gilmar Mendes, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso.
Cunha tem dito a seus aliados na Câmara que faz parte da estratégia do PT a pressa do STF em seu julgamento. A visão do presidente da Casa é que ao virar réu, as manifestações convocadas pela oposição para o dia 13 de março, a favor do impeachment, contrárias à presidente Dilma Rousseff e o PT, se enfraqueceriam e se voltariam, em partes, para ele.
Essa percepção foi reforçada pelo resultado da pesquisa Datafolha divulgada na segunda que apontou alto índice de rejeição à Cunha entre os entrevistados. Destes, 76% defendem que ele renuncie à Presidência da Câmara, enquanto apenas 12% o querem no cargo.
A expectativa, no Supremo, é de que os ministros aceitem a denúncia, o que levará ao debate de outro pedido feito pela Procuradoria: o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara por uso do cargo para atrapalhar as investigações contra ele.

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