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Tabela de empreiteira indica repasses de R$ 2 mi a filho de ministro do TCU

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POLíTICA

Tabela de empreiteira indica repasses de R$ 2 mi a filho de ministro do TCU

MÁRCIO FALCÃO, RUBENS VALENTE E AGUIRRE TALENTO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Apontado como chefe do "clube" das empreiteiras que fraudou licitações da Petrobras, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, entregou aos investigadores da Operação Lava Jato uma tabela indicando pagamentos de R$ 2,2 milhões ao advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Aroldo Cedraz.
A tabela intitulada "ThiagoBSB" mostra 24 repasses de R$ 50 mil, entre junho de 2012 e setembro de 2014, além de um pagamento de R$ 1 milhão em 13 de fevereiro de 2014. Os valores aparecem ao lado dos nomes Thiago/Luciano.
Segundo Pessoa, Luciano é o primo do advogado, Luciano Araújo, tesoureiro do Solidariedade -Tiago Cedraz é bastante ligado ao partido, tendo sido o advogado responsável pela sua criação.
O empreiteiro, um dos principais delatores da Operação Lava Jato, entregou ainda registros que apontam 151 entradas de Tiago em unidades da UTC entre 2012 e 2014 e 80 de Luciano entre 2013 e 2014.
As informações constam de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga se houve irregularidades na licitação de Angra 3.
Além de Tiago, são alvos do inquérito o ministro do TCU Raimundo Carreiro, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Romero Jucá (PMDB-RR).
Em sua delação premiada, Pessoa afirmou que que pagava R$ 50 mil por mês a Tiago desde 2012.
Contou ainda ter desembolsado R$ 1 milhão para Tiago ajudar na liberação do processo licitatório de Angra 3, analisado pelo TCU por indícios de irregularidades. Uma das suspeitas é que o R$ 1 milhão teria sido repassado a Raimundo Carrero.
EM ESPÉCIE
Tiago Cedraz compareceu à Polícia Federal em outubro de 2015, mas entregou esclarecimentos por escrito, e o delegado responsável acabou adiando seu depoimento.
À PF, Luciano Araújo admitiu que o Solidariedade recebeu recursos em espécie de Pessoa, além de doações eleitorais de R$ 1,2 milhão, em 2014, registradas na Justiça Eleitoral.
"Que o partido ainda em formação chegou a receber valores da UTC acreditando que isto se deu em razão da proximidade do presidente do partido, deputado Paulo Pereira (SD-SP) [o Paulinho da Força], com Ricardo Pessoa da UTC, que esses valores, por opção da empresa, [...] eram entregues ao partido em espécie, aproximadamente a cada 45 dias", disse Araújo, em depoimento.
Ele disse que recebeu, em cinco oportunidades, na sede da UTC, repasses de R$ 20 mil a R$ 40 mil.
Araújo disse ainda que foi designado por Paulinho da Força para receber os valores e que Tiago Cedraz tinha conhecimento disso.
Ele confirmou que foi sócio do primo na Euroconsult, que tinha como objeto a elaboração de projetos multinacionais e não tinha empregados. Ele citou que a empresa teve contrato com a Doplemayer e que os serviços eram terceirizados.
Após as declarações de Araújo, em novembro de 2015, Pessoa prestou novo depoimento aos investigadores e reafirmou que contratou Tiago Cedraz "em razão de o mesmo apresentar ao declarante informações privilegiadas, por antecipadas, notadamente registros da área técnica do TCU".
O empreiteiro negou a fala de Araújo de que os repasses mensais de R$ 50 mil eram pagos em benefício do Solidariedade.
Pessoa voltou a explicar a contratação do filho do presidente do TCU. "Tiago Cedraz disse que tinha contato com Raimundo Carrero e por meio dele iria resolver o julgamento acerca das impropriedades ditas como existentes no contrato de Angra 3".
E-mails repassados por Pessoa também mostram proximidade e discussão de projetos com o escritório de Cedraz.
OUTRO LADO
A assessoria de Tiago Cedraz disse ainda que não houve pagamentos ao advogado e que ele já demonstrou isso no processo.
O escritório Cedraz Advogados tem afirmado que nunca patrocinou nenhum caso da UTC perante o TCU. Quanto a Angra 3, por força da confidencialidade entre cliente e advogado, diz apenas que, no caso em que atuou, o cliente não figurou como parte no TCU.
"O escritório Cedraz Advogados sempre pauta sua atuação pelo rigoroso cumprimento da legislação vigente, resultando inclusive na observância dos devidos impedimentos. O escritório colocou-se à disposição das autoridades para fornecer as informações necessárias à correta compreensão dos fatos. O escritório processará o Sr. Ricardo Pessoa, civil e criminalmente, pelas mentiras lançadas no bojo de uma delação premiada forjada para atenuar ilícitos confessados", diz nota.
A reportagem não localizou até o fim da tarde desta quinta (4) a defesa dos demais mencionados.

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