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'É um terço SP, um terço nacional e um terço Aécio', diz delator sobre Furnas

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POLíTICA

'É um terço SP, um terço nacional e um terço Aécio', diz delator sobre Furnas

JULIANA COISSI
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O lobista Fernando Moura, ligado ao PT, afirmou em depoimento ao juiz Sergio Moro que Furnas era uma estatal controlada pelo hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG), cujo indicado para a diretoria foi escolhido por ele e aceito pelo governo Lula, e que o esquema de propina se assemelhava ao instalado na Petrobras. "É um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio."
A declaração foi feita em resposta a questionamento do Ministério Público Federal, durante novo depoimento prestado ao juiz em Curitiba, nesta quarta-feira (3).
A defesa pediu que Moura fosse ouvido novamente. Ele chegou a ser ameaçado de perder os benefícios da delação premiada depois de apresentar, na sexta-feira passada, outra versão sobre o envolvimento do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, no esquema de desvio de recursos da Petrobras por meio de contratos de empreiteiras.
No dia 26, também ao juiz Moro, o lobista havia mudado sua versão e isentado o ex-ministro de ter lhe recomendado que fugisse do país, no auge das denúncias do mensalão.
Com o risco de ter a delação anulada, à Procuradoria ele voltou a incriminar Dirceu, e repetiu a acusação nesta quarta diante de Moro. Antes de começar a falar, pediu desculpas ao juiz pelo tom desrespeitoso do último encontro, quando negou o que afirmara na delação.
O nome de Aécio foi citado por Moura quando citou ter ocorrido uma reunião em 2002, logo após a vitória de Lula, onde se discutia a escolha de nomes para a diretoria de diversas estatais, entre elas a Petrobras.
A reunião serviria para selecionar cerca de "cinco diretorias de estatais" para alimentar o caixa de campanhas eleitorais futuras. "O que seria interessante a nomeação das pessoas? Foi conversado sobre Petrobras, Correio, Caixa Econômica Federal, Furnas, Banco do Brasil", relacionou Moura. Todos deveriam ser funcionários com, no mínimo, 20 anos de carreira na empresa.
Para a Petrobras, o nome indicado ao então ministro Dirceu foi o de Renato Duque. Neste contexto, o lobista disse que citou o nome de Dimas Toledo para a diretoria de Furnas, o que o petista teria recebido com ressalva. "Ele usou uma expressão: 'Dimas, não, porque se entrar em Furnas, se colocar ele de porteiro, ele vai mandar em Furnas, ele está lá há 34 anos, é uma indicação que sempre foi do Aécio".
Moura prossegue a explicação. Um mês e meio depois da conversa, Dirceu novamente o teria chamado para endossar o nome de Toledo. "Ele perguntou qual era minha relação com o Dimas Toledo e eu respondi que o achava competente, profissional. Então ele me respondeu: 'Não, porque esse foi o único cargo que o Aécio pediu pro Lula. Então você vá lá conversar com o Dimas e diga para ele que vamos apoiar [a indicação de seu nome]'".
Ainda segundo o lobista, Dimas Toledo, ao assumir a diretoria, afirmou a Moura que "em Furnas era igual", referindo-se a esquema de propina. "Ele disse: 'Não precisa nem aparecer aqui. Vai ficar um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio'".
Em nota, a assessoria de imprensa do PSDB definiu como "declaração requentada e absurda" a citação a Aécio e uma "velha tentativa de vincular o PSDB aos crimes cometidos no governo petista".
O partido, segundo a nota, "jamais fez qualquer indicação para o governo do PT". "O senador Aécio Neves não conhece o lobista, réu confesso de diversos crimes, e tomará todas as providências cabíveis para desmontar mais essa sórdida tentativa de ligar lideranças da oposição aos escândalos investigados pela Operação Lava Jato", encerra a nota.
ABRAÇO NA PISCINA
Moura foi questionado pelo juiz se Dirceu havia ou não indicado Renato Duque para a diretoria de serviços da Petrobras -acusação que o petista nega.
O lobista afirmou ter levado diretamente a indicação a Dirceu e a Silvio Pereira, então tesoureiro do partido.
O próprio Dirceu teria lhe dado a notícia, durante uma festa na casa de Roseana Sarney (PMDB-MA), no dia 1º de fevereiro de 2003, no mesmo dia da nomeação de Duque.
"O Zé Dirceu me ligou para que eu fosse ao jantar. Quando cheguei, ele estava na piscina com outras cinco pessoas. Ele me disse: 'Eu nomeei hoje o Duque'. Eu o abracei e dei-lhe um beijo no rosto", disse Moura.
Nomeado diretor, Duque teria definido, em reunião com Moura e Silvio Pereira, o percentual de 3% de propinas no valor dos contratos da diretoria. A divisão é explicada pelo lobista: 1% para o que chamou de "núcleo SP", que seria o PT paulista, e o "o núcleo político do Dirceu", 1% para o "núcleo nacional" (PT nacional) e 1% para a "companhia" (Duque e Barusco).
Ao contrário do que respondeu ao juiz no dia 26, Moura voltou a afirmar que Dirceu lhe deu a dica para sair do país durante as denúncias sobre o mensalão, em 2005.
Dirceu está preso desde agosto do ano passado. A reportagem não conseguiu ouvir o advogado do ex-ministro, Roberto Podval. Em entrevistas anteriores, o criminalista afirmou que as mudanças nas declarações do delator mostram que o que ele diz não tem "menor relevância nem credibilidade".
Dirceu também nega ter atuado na escolha do nome de Duque. Afirma que nem o conhecia e que assinou sua nomeação assim como o fez com diversos nomes, pela sua atribuição de chefe da Casa Civil. Segundo a defesa, havia dois nomes apontados para a função, um do PSDB e Duque, pelo PT. Como o PSDB já tinha sido contemplado com um cargo para Minas Gerais, explicou, a opção foi aceitar o nome de Duque.
A reportagem não conseguiu ouvir as defesa de Duque, Silvio Pereira e Dimas Toledo.

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