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Testemunha 'esqueceu' de ter assinado contrato ligado a propina para Cunha

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POLíTICA

Testemunha 'esqueceu' de ter assinado contrato ligado a propina para Cunha

MÁRCIO FALCÃO, RUBENS VALENTE E GABRIEL MASCARENHAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O advogado Bruno Catsiamakis Queiroga, 34, afirmou em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República) que se esqueceu do fato de ter assinado, como testemunha, um contrato utilizado pelo lobista João Augusto Rezende Henriques como um caminho para fazer depósitos em conta bancária na Suíça vinculada ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Segundo os investigadores, em 2011 o lobista Henriques fez depósitos no total estimado de R$ 5 milhões em uma conta sob controle de Cunha, a Orion SP, no banco suíço Julius Bär, no mesmo mês em que Henriques foi parte de um negócio de interesse da Petrobras no Benin, país da África Ocidental.
A Petrobras pagou, em maio de 2011, cerca de US$ 35 milhões para obter metade dos direitos de exploração de um campo de petróleo no país africano. O empresário beneficiado com o negócio, Idalécio de Oliveira, na mesma época depositou na conta de uma empresa controlada por Henriques, como suposta "taxa de sucesso", cerca de US$ 10 milhões.
O pagamento foi formalizado por meio de um contrato entre uma empresa de Oliveira, a Lusitania Petroleum, e uma firma de Henriques, a Acona Internacional. Da conta da Acona é que saíram os recursos para a conta vinculada a Cunha na Suíça.
Segundo os investigadores da Lava Jato, Bruno Queiroga aparece nos papéis como testemunha do negócio fechado entre a Lusitania, de Oliveira, e a Acona, de Henriques.
Queiroga prestou dois depoimentos à PGR em um dos inquéritos que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar Eduardo Cunha. No primeiro depoimento, em outubro, Queiroga nada falou nem foi perguntado sobre o contrato em que aparece como testemunha. No segundo depoimento, prestado em 2 de dezembro passado, Queiroga foi indagado sobre sua assinatura no acordo Oliveira-Henriques.
O advogado reconheceu ter assinado o papel, mas disse que "não se recordava do referido contrato" até ser indagado pelos investigadores e que por isso "não tem maiores detalhes acerca de seu conteúdo", mesmo motivo pelo qual não havia falado sobre o contrato no depoimento anterior. O advogado disse que "deve ter assinado por estar no escritório" de Henriques.
Queiroga afirmou aos investigadores que "nunca teve qualquer negócio" com Henriques. Ele reconheceu manter com o lobista "uma convivência eventual" e com ele "se reunia uma vez por semana, aproximadamente, sempre que estava no Rio de Janeiro". Apesar desses contatos, Queiroga disse que "não se recorda de qualquer menção feita por João Henriques a Benin e tampouco menção à África ou a poços de petróleo".
Queiroga informou ter sido sócio de Felipe Diniz, filho do ex-deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG), falecido em 2009, em três empresas: a Choice, por cerca de dois anos, a Fidelity, que estaria "atualmente inativa", e a Ambiance, em atividade.
Na Choice houve um terceiro sócio, segundo Queiroga, José Adriano Cordeiro Sarney, neto do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP). De acordo com Queiroga, José Adriano participou por seis meses da Choice, mas deixou a sociedade depois que "surgiram matérias de jornais acusando-o de vender crédito consignado a funcionários do Senado" por meio de outra empresa.
Segundo Queiroga, a Fidelity é uma empresa de "consultoria, participações e investimentos" que ele e seus sócios usaram como "veículo" para investimento em outra empresa, a Brasil Solair, especializada na produção e comercialização de painéis para produção de energia solar.
O advogado afirmou que a empresa "fez um investimento em parceria com a Caixa Econômica Federal, mais especificamente com o Fundo Socioambiental", controlado pelo banco para apoiar projetos socioambientais com órgãos públicos e iniciativa privada. Segundo Queiroga, a Brasil Solair investiu R$ 1 milhão e o Fundo da Caixa, mais R$ 6 milhões, para aquisição de "um conjunto de painéis que foi doado a uma comunidade em Juazeiro [município] na Bahia". O advogado disse que o projeto foi auditado e nenhuma irregularidade foi encontrada.

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