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Escolas estaduais de SP terão mural com nota do Idesp e plano de melhoria

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GERAL

Escolas estaduais de SP terão mural com nota do Idesp e plano de melhoria

PAULO SALDAÑA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Todas as escolas da rede estadual de São Paulo localizadas na capital paulista terão, ainda neste semestre, um painel com metas em indicadores educacionais e estratégias para alcançá-las.

O quadro faz parte de um novo projeto do governo Geraldo Alckmin (PSDB) com foco em gestão escolar voltada a resultados. O programa prevê a formulação de planos personalizados e monitorados pela própria comunidade escolar, com etapas de identificação de deficiências no desempenho dos alunos, plano de ação pedagógica e análise de resultados, bem como ajuste de rotas.

O painel ficará visível a toda comunidade escolar, incluindo os resultados no índice de desenvolvimento educacional do Estado, o Idesp. Segundo o secretário de Educação, José Renato Nalini, a própria comunidade escolar irá produzir o mural, em uma ação entre educadores e alunos.

"O mais importante é que estimula a autonomia da escola, que entende as dificuldades e estabelece como enfrentá-las. [No painel] há fotografias que os aluno tiraram, observações que eles fizeram, é uma obra coletiva", diz.

Questionado sobre o risco de estigmatizar escolas que tenham resultados negativos, em que a infraestrutura e perfil dos alunos possam ter grande influência, o secretário reforçou que a ideia segue o princípio da transparência, "para que todos acompanhem o desempenho dos alunos".

"A escola vai colocando as atividades que desenvolveu e tentando mostrar o que conseguiu com isso. Não significa que haja só êxitos no painel".

Com a previsão do chamado Método de Melhoria de Resultados, o programa intitulado Gestão em Foco, prevê ao todo todo oito etapas. O conhecimento e identificação do problema já foram realizados para as escolas participantes por equipes regionais, formadas por supervisores de ensino e gestores. Na sequência, há um esforço para entender as causas.

A composição dos planos de ação é de responsabilidade de cada escola. A escola também vai monitorar os resultados, corrigir rumos e registrar práticas exitosas.

Segundo a secretaria de Educação, dados de uma prova já existente na rede, chamada Avaliação de Aprendizagem, e armazenados em uma plataforma digital, possibilitam criar mapas de desempenho dos alunos para cada sala. Os resultados são de matemática e português.

As informações facilitam que os professores, de acordo com o governo, entendam quais habilidades precisam ser complementadas, priorizadas ou reforçadas.

O projeto é orientado para a melhoria dos resultados do Idesp. O índice é realizado todos os anos e leva em conta o desempenho dos alunos em uma prova de português e matemática e taxas de aprovação e abandono.

Na última edição, de 2016, o indicador subiu nos iniciais do ensino fundamental (5º ano) e no ensino médio. Caiu nos anos finais (9º ano).

O desempenho em matemática, entretanto, caiu tanto nas duas etapas do ensino fundamental como no médio. Em português, houve melhora no aprendizado no 5º ano do fundamental e no 3º do médio, mas uma leve queda no 9º ano.

EXPANSÃO

O programa chega neste semestre às 1.082 escolas estaduais da capital paulista. O plano é que até 2019 a iniciativa esteja em todas as unidades do Estado. No total, são 5,3 mil escolas.

Um plano piloto realizado em 77 escolas da zona leste foi iniciado em 2016. Essas unidades registraram crescimento de 15% no Idesp, entre 2015 e 2016, ainda segundo o governo.

A metodologia foi criada pela ONG Parceiros da Educação, que atua em parceria com a secretaria em escolas do Estado. A organização reúne empresas e empresários e, desde 2004, já atuou em 262 escolas.

O governo espera com o projeto melhorar o aprendizado de 1 milhão de estudantes do ensino fundamental e médio.

De acordo com o professor Francisco Soares, ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), a ideia de expôr os dados à comunidade escolar é importante, mas há cuidados a tomar.

"A escola precisa enfrentar a sua realidade no cotidiano, aprender a trabalhar com os fatos e dados, porque eles concretizam o aprendizado de crianças", diz. Por trás dos dados temos os alunos".

Mas soares, estudioso em avaliação educacional, ressalta que há cuidados a se tomar. "Se eu vou monitorar o sistema, tenho que ter as informações de resultados e as informações de recursos. Não faz sentido o painel não ter nada de recursos, porque o painel é descrição da realidade. E se o painel for mal feito, não vai servir para nada".

Segundo Nalini, o projeto não tem previsão de orçamento da secretaria por enquanto. O desenvolvimento do método foi custeado pelos Parceiros da Educação.

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