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Órgão de pesquisa vê evento 'só para uma raça' ao negar verba em SC

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GERAL

Órgão de pesquisa vê evento 'só para uma raça' ao negar verba em SC

JEFERSON BERTOLINI

FLORIANÓPOLIS, SC (FOLHAPRESS) - Um grupo de professores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) diz ter sido vítima de "segregação racial" e "discriminação" ao pedir verba pública para promover um encontro de pesquisadores negros em Florianópolis.

Foram pedidos R$ 15 mil à Fapesc (Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) para pagar despesas de viagem de palestrantes do 3º Copene Sul (Conselho de Pesquisadores Negros), que ocorre na capital catarinense desde segunda-feira (10) até quinta (13).

A Fapesc negou o pedido. No comunicado aos organizadores, declarou que o evento "deveria ser mais abrangente e integrar outros segmentos acadêmicos que estudam a cultura afro-brasileira e afro-descente". "Da forma como está formatado, sobretudo, a programação envolve exclusivamente (ou quase) representantes de uma só raça", diz o texto.

Professores da UFSC que organizam o evento consideraram a resposta racista e discriminatória. "Isto [comunicado] denota evidente segregação racial de uma agência que deveria primar e zelar por critérios avaliativos de mais amplo alcance e escopo, primando por princípios não discriminatórios e não restritivos no trato com os recursos públicos", diz nota de repúdio.

O documento é assinado por professores do departamento de Estudos Especializados em Educação, do departamento de Metodologia e Ensino, pela coordenação do curso de Pedagogia e pelo Centro de Ciências da Educação.

REPÚDIO

A ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores Negros) repudiou os termos usados no parecer da Fapesc, classificando o episódio como racismo. "É um caso de racismo institucional. Da forma como a fundação [Fapesc] se manifestou, não temos dúvida disso", disse a professora Joana Célia dos Passos, filiada à ABPN e presidente da comissão organizadora do evento.

O MNU (Movimento Negro Unificado) em Santa Catarina também repudiou os termos contidos no parecer da Fapesc. "Compreendemos que tal atitude é de fato o racismo institucional, que limita nosso provo negro de avançar", diz nota do movimento.

Nas redes sociais, participantes do evento lamentaram o episódio. O 3º Copene segue até esta quinta com recursos de outras agências de fomento e negros são maioria.

De acordo com a comissão organizadora, o objetivo do evento é divulgar trabalhos científicos sobre a cultura afro-brasileira e incentivar a troca de experiências entre pesquisadores e estudantes do Brasil e do Cone Sul.

Em âmbito nacional, o evento é realizado desde 2000. Para os organizadores do Copene, o evento reforça a luta de negros por espaço na academia brasileira.

PARECER

Em nota, a Fapesc informou que "repudia o racismo" e lamentou o uso da palavra "raça" por parte do consultor que deu o parecer sobre o evento.

A entidade acrescentou que a comissão de avaliação baseou-se em diversos pareceres de consultores para definir quais das 88 propostas de eventos recebidas não ganhariam os recursos disponíveis. "Após sistematização de três pareceres, a proposta do congresso não atingiu a nota necessária para ser contemplada, como outras 37 propostas submetidas", diz o texto.

A fundação reforçou que repassa recursos para fomentar a ciência, por meio de editais de chamada pública, "apoiando um número muito menor de projetos do que desejaria por conta de sua limitação orçamentária". "Apesar da queda na arrecadação estadual em 2016 e consequente redução do orçamento institucional, só naquele ano contribuiu para a realização de 162 eventos técnicos científicos", conforme trecho da nota.

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