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ATUALIZADA - "Temos um terrorismo de Estado", diz procuradora da Venezuela após ataque

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GERAL

ATUALIZADA - "Temos um terrorismo de Estado", diz procuradora da Venezuela após ataque

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, afirmou nesta quarta-feira (28) que o governo do presidente Nicolás Maduro impôs um "terrorismo de Estado" por meio dos militares e do Tribunal Supremo de Justiça.

"Aqui parece que todo o país é terrorista (...), creio que temos um terrorismo de Estado", disse a procuradora à imprensa venezuelana. Ex-aliada do chavismo, Ortega Díaz reiterou que o país vive uma ruptura da ordem constitucional.

A procuradora também contestou decisão da Suprema Corte da Venezuela que restringe os seus poderes e afirmou que não irá reconhecê-las. Nesta terça (27), o TSJ emitiu decreto que fortalece o defensor público Tarek William Saab e permite que ele realize investigações criminais, tarefa antes exclusiva do escritório de Ortega Díaz.

As declarações ocorrem um dia após um helicóptero da polícia científica venezuelana sobrevoar os prédios do TSJ e do governo em Caracas. Maduro afirmou que granadas foram lançadas contra os edifícios e tiros foram disparados contra o Ministério de Justiça e Interior. Não há registro de vítimas.

O presidente colocou as Forças Armadas do país em alerta nesta quarta, quando novos protestos convocados pela oposição tomararm as ruas das principais cidades do país.

No Estado de Anzoátegui (norte), um jovem de 18 anos foi morto a tiros por policiais na madrugada desta quarta, segundo o jornal "El Nacional", durante manifestações contra Maduro. Com isso, o número de mortos nesta onda de protestos antichavistas chega a 76.

O presidente do TSJ, Maikel Moreno, condenou o ataque nesta quarta e disse que "os magistrados e magistradas se encontram sob uma ameaça terrorista, por isso devemos designar uma comissão especial a fim de investigar o ataque".

Moreno convocou uma reunião especial com representantes dos poderes públicos para acelerar a investigação do piloto Óscar Pérez, policial que estava pilotando o helicóptero. Pérez divulgou um vídeo nesta terça-feira, dizendo não pertencer a nenhum grupo político específico, mas sim a uma "coalizão" de civis e militares que luta "contra a tirania". O governo Maduro acusa o policial, que também é ator, de agir sob ordens dos Estados Unidos.

Segundo Maduro, o piloto do helicóptero trabalhou para seu ex-ministro do Interior e da Justiça Miguel Rodríguez Torres, general reformado que se distanciou do governo e foi vinculado pelo presidente ao suposto complô.

Na terça-feira (27), antes da denúncia do helicóptero, Rodríguez Torres, que foi diretor de Inteligência do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013), chamou de "sandices" as acusações de Maduro, que o denunciou como um agente a serviço da CIA e de trabalhar por uma intervenção militar dos Estados Unidos.

"Os golpes são dados pelos militares na ativa. Sou general reformado há três anos, e militares reformados não dão golpes", descartou Rodríguez Torres, em entrevista coletiva.

Algumas horas antes do incidente com o helicóptero, Maduro havia advertido que, "se a Venezuela afundasse no caos e na violência e a Revolução Bolivariana fosse destruída, iríamos para o combate (...) e o que não se pode com os votos, tomaríamos com as armas".

REAÇÕES

A França pediu o fim imediato das ações violentas, enquanto o Equador, aliado de Caracas, condenou o "ataque armado" e criticou o que chamou de "tentativas desestabilizadoras".

Em nota, o Itamaraty afirmou que "acompanha com muita preocupação a escalada de tensões na Venezuela". "A violação sistemática do princípio da independência dos poderes é uma das provas mais ostensivas da situação autoritária em que vive a Venezuela", diz o comunicado.

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